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Investimentos públicos em Cabo Verde contrariaram crise internacional segundo relatório anual do BAD
África
06/06/11, 10:14
OJE/Lusa

A aposta nos investimentos públicos permitiu a Cabo Verde contrariar a diminuição do investimento estrangeiro em 2010, com a crise financeira mundial, destaca o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) no relatório "Perspectivas Económicas em África", hoje apresentado em Lisboa.

 

Cabo Verde enfrenta um duplo desafio nos próximos anos, que passa pela necessidade de continuar a diversificar a sua estrutura económica e preparar-se para o previsível e iminente aumento dos gastos sociais, face à eliminação progressiva da ajuda externa.

 

A recuperação registada após o impacto da crise financeira mundial é evidenciada pelo aumento do Produto Interno Bruto (PIB), estimado em 5,3% em 2010, face aos 3,6% de 2009 e as previsões para 2011 e 2012 mantêm essa linha optimista: 5,6% e 6,1%, respectivamente.

 

Além da forte aposta no Programa de Investimentos Públicos, Cabo Verde beneficiou ainda de sinais de recuperação nos sectores do turismo e transporte aéreo.

 

"No entanto, em 2010, o Investimento Directo Estrangeiro (IDE) e os financiamentos associados à construção continuaram a diminuir", assinala o relatório do BAD.

 

As previsões para 2011 carecem ainda de certezas, porquanto o investimento proveniente da União Europeia tende a crescer lentamente e as remessas dos emigrantes permaneceram praticamente constantes em 2010, após um ligeiro decréscimo de 2,2% em 2009.

 

O lado negativo do "avultado programa de investimentos públicos", como o classifica o BAD, e que o governo cabo-verdiano reforçado para o triénio 2010/2012, assentou no aumento "considerável" do défice orçamental, passando dos 6,3% em 2009, para 13,7% em 2010, prevendo-se que se mantenha elevado em 2011.

 

A aposta nas energias renováveis é também destacada no relatório do BAD, que dá conta da intenção do governo cabo-verdiano em reduzir a sua "forte dependência" das importações de combustíveis.

 

O objectivo, orçado em 300 milhões de dólares (205 milhões de euros), é cobrir 25% das necessidades, até 2011, e 50%, até 2020.

 

A outro nível, o relatório destaca que Cabo Verde é "um dos pouco países que podem atingir os oito Objectivos de Desenvolvimento do Milénio até 2015.

 

Metade daqueles objectivos - ensino primário universal, igualdade de género, redução da mortalidade infantil e melhoria da saúde materna -, foram alcançados no final de 2010, mas, alerta o BAD, "a sustentabilidade destes resultados depende muito do apoio dos doadores".

 

A progressiva cessação do apoio dos doadores decorreu da graduação de Cabo Verde como País de Rendimento Médio (PRM) deixando de ser considerado como País Menos Avançado (PMA).

 

Os efeitos daquela promoção poderão, contudo, passar pela redução do acesso a empréstimos concessionais, o que levou já as autoridades cabo-verdianas a solicitarem uma extensão para o período de 2012 a 2015, para que o país aceda aos instrumentos financeiros previstos para os PMA, partindo do princípio de que aquele período será suficiente para ultrapassar os principais estrangulamentos estruturais.

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