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"Ultrapassámos o afro-pessimismo", diz presidente do BAD
África
06/06/11, 10:40
OJE/Lusa

África "ganhou um impulso de crescimento que é difícil de inverter", contrariando o afro-pessimismo dos anos 90, afirmou o presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) à Agência Lusa.

 

Donal Kaberuka, que participa a partir de hoje em Lisboa na reunião anual do BAD, considerou também que "é bom para Portugal" ser anfitrião desta assembleia "apesar dos desafios internos que o país atravessa".

 

O presidente do BAD, entrevistado pela Lusa sobre as "Perspectivas da Economia Africana" ("African Economic Outlook"), que são hoje divulgadas em Lisboa, salientou que África "teve um período curto de ruptura devido à crise mundial mas registou uma rápida recuperação" e que o continente "ganhou um impulso que é difícil inverter".

 

"Um largo número de países já passou os 7% [de crescimento], o que é o mínimo crítico para a redução de pobreza. E alguns estão a crescer a um ritmo de dois dígitos, como a Etiópia por exemplo, pelo segundo ano consecutivo", referiu Donald Kaberuka.

 

O presidente do BAD sublinhou que este crescimento "tem alguns riscos no médio e longo prazo e alguns impedimentos. Temos que conseguir de imediato a estabilidade de governação, sem a qual não há progresso possível, e diminuir as barreiras às trocas" entre os países e as regiões do continente.

 

"Para colocar a questão em contexto, no final da II Guerra Mundial, a maior parte do Plano Marshall foi dedicada a grandes projectos de infra-estruturas e foi essa a base para o crescimento da Europa", referiu Donald Kaberuka.

 

Como refere o "Outlook", diz Kaberuka, "o maior risco para África está na economia global, com a crise da dívida soberana e outros problemas", mas o presidente do BAD acredita que o impulso de crescimento é sustentável apesar de a economia do continente não estar completamente isolada da economia mundial.

 

Num quadro do continente, "a região que cresce mais é a África Oriental, que é uma região sem petróleo e sem minerais, mas que definiu alguns princípios fundamentais muito fortes e que consegue atrair investimento e onde acontece alguma diversificação", explica o presidente do BAD.

 

"Isso mostra que o que acontece em África não tem apenas a ver com petróleo e minerais, mas também com a diversificação económica", acrescentou.

 

Donald Kaberuka salientou o caso de Cabo Verde, "muito pobre em recursos naturais mas que acabou por ascender à categoria de países de rendimento médio, com um PIB per capita acima dos mil dólares, graças à boa governação, boa gestão económica e às remessas dos emigrantes".

 

Sobre a exclusão, Donald Kaberuka explica que "as pessoas já não são impressionáveis com estatísticas que fazem manchetes, sobre índices de crescimento da economia a oito%. As pessoas querem ver resultados na sua qualidade de vida, querem melhorias para os pobres nas áreas urbanas ou que todas as áreas do país conheçam melhorias".

 

O presidente do BAD recorda que entre 2000 e 2010, o PIB per capita aumentou em 40%.

 

O empenhamento português em acolher a assembleia do BAD em Lisboa "é bom para Portugal, é bom para África, é bom para as relações entre a Europa a África e é bom para os investimentos em África".

 

Donald Kaberuka adiantou que em Lisboa falará sobre o reforço do investimento em África e terá encontros com o sector privado português.

 

"Esse investimento é parte da recuperação portuguesa e da recuperação africana. É uma oportunidade também para as empresas portuguesas", concluiu o antigo ministro das Finanças do Ruanda (1997-2005).

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