O mercado accionista europeu encerrou no máximo de sete semanas na sessão de hoje com ganhos nos vários índices de referência a oscilarem entre 0,68% e 1%, suportados pelas financeiras e energéticas.
Um factor que também parece ter estado a influenciar o sentimento positivo foram os dados para o emprego nos EUA em Fevereiro. O mercado antecipa que estes deverão apresentar pela primeira vez forte recuperação do emprego e, consequentemente, uma estabilização do mercado de trabalho na maior economia do mundo. As energéticas também subiram, suportadas por preços mais altos do barril de petróleo que subiu mais de um dólar na sessão de ontem para 83 dólares.
Também as mineiras se valorizaram, influenciadas pelos preços dos metais que reagiram positivamente aos dados, melhores que o esperado, das importações chinesas. Foram também conhecidos dados relativos aos inventários grossistas nos EUA que caíram de uma forma modesta em Janeiro, enquanto que as vendas subiram para o nível mais alto desde Outubro de 2008, sugerindo que os níveis de inventários continuarão a promover bons níveis de produção e crescimento económico no primeiro trimestre.
De notar que a subida nas vendas fez com que o rácio inventário/vendas, que mede o tempo que demoraria a vender os stocks aos preços actuais, caísse para um mínimo recorde de 1.10 meses de 1.12 meses em Dezembro. A queda neste rácio, a terceira consecutiva, indica que os revendedores deverão estar perto de fazer novas encomendas, potenciando assim a produção.
Os inventários por grosso caíram 0,2%, menos dos 1% de Dezembro. No mercado cambial a libra continua a deparar-se com riscos da dívida soberana inglesa. A agência de ratings Fitch disse que os planos de consolidação fiscal do Reino Unido seriam demasiado lentos e algo aquém do esperado e desejado.
Na opinião da Fitch, o Reino Unido deveria procurar reduzir o défice para 3% até 2015, em vez do actual plano de 4,4% (de 12% actualmente). Entretanto, uma sondagem relativa aos resultados eleitorais no Reino Unido dá como mais prová-vel uma vitória sem maioria absoluta, com uma probabilidade de 75% penalizando ainda mais a moeda inglesa na medida em que sem maioria absoluta um governo não teria condições para pôr em prática as medidas necessárias.
Apesar de existirem alguns sinais de que o enfraquecimento da libra está a suportar as exportações inglesas, como se verifica nas vendas a retalho, o défice da balança comercial alargou para o nível mais alto desde Agosto de 2008. Em abono da libra, o mais positivo que se pode dizer é que é uma das moedas mais fracas comparando com a sua média de longo prazo, estando neste momento 20% abaixo da sua média dos últimos 20 anos.