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Futuro da Poceram decidido na próxima semana, investidor na mira
Negócios
12/03/10, 16:39
OJE/Lusa

O futuro da Poceram, de Coimbra, deverá ser conhecido na próxima semana, existindo um potencial investidor interessado na empresa, mas os trabalhadores estão descrentes quanto à recuperação, disse à agência Lusa um dirigente sindical.

 

"A fábrica está parada desde Abril de 2009 e é preciso um grande investimento, na ordem dos três milhões de euros, só para a reabrir", afirms Jorge Vicente, coordenador do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Cerâmica do Centro, após um plenário de operários.

 
Segundo Jorge Vicente o administrador da insolvência decidirá na próxima semana se proporá a recuperação ou liquidação, estando a aguardar pela concretização de uma proposta de uma empresa também do sector, implantada na região Centro.

 
"Os trabalhadores estão um bocado descrentes, neste momento até chove dentro da fábrica, em cima das máquinas", diz Jorge Vicente, acrescentando que o facto de os equipamentos serem antigos encarecia muito o produto final.

 
Jorge Vicente afirma que o Sindicato desconhece o teor da proposta do potencial investidor e frisa que os trabalhadores "estão disponíveis para trabalhar mas só aceitam se antes for liquidado tudo o que têm a receber".

 
Segundo o relatório preliminar, apresentado pelo gestor na primeira assembleia de credores, em Novembro passado, o número de credores ronda os 600, titulares de cerca de 19 milhões de euros.

 
A empresa tem um endividamento de 21 milhões de euros, seis milhões dos quais relativos a leasing das instalações, de acordo com o gestor judicial, que em Novembro pedira aos credores mais três meses para concluir o relatório.

 
Quando a fábrica de pavimentos e revestimentos cerâmicos parou os trabalhadores tinham cinco salários em atraso, entretanto assegurados, em parte, pelo Fundo de Garantia Salarial.

 
A insolvência foi solicitada por um antigo director, para reclamar salários em atraso, e decretada dois meses após acordado um plano de recuperação extra judicial pelos principais credores (banca e Estado), que não vingou, porque, segundo Jorge Vicente, a administração "nunca chegou a assinar a acta para assumir o compromisso".

 
Criada em 1973, em Cernache, Coimbra, a Poceram chegou a faturar "25 milhões de euros, em 2006" e quando parou a laboração, "por falta de fundo de maneio e de matéria-prima, tinha três milhões de euros de encomendas", sublinha o sindicalista.

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