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Volte-face na venda da Opel escandaliza analistas alemães e provoca protestos dos trabalhadores
Negócios
06/11/09, 07:19
OJE/Lusa

O recuo da norte-americana General Motors, que já não vai vender a Opel ao consórcio Magna/Sberbank, escandalizou ontem a maioria dos comentadores alemães, enquanto os funcionários se uniram num protesto frente à sede da construtora, em Rüsselsheim (Oeste).


Toda a imprensa criticou ontem a reviravolta do construtor automóvel norte-americano, que finalmente decidiu não vender a sua filial europeia. De acordo com a imprensa alemã, este assunto vai fazer "muito mal às relações germano-americanas".

 
A decisão da GM de já não vender a Opel levou também a protestos por parte dos trabalhadores.

 
Cerca de dez mil reuniram-se ontem frente à sede da construtora automóvel em Rüsselsheim, enquanto outros sete mil manifestaram também o seu descontentamento nas outras três fábricas da marca, respectivamente em Bochum, Eisenach e Kaiserslautern.

 
"É inconcebível (a forma) como a General Motors jogou com os sentimentos, medos, preocupações e angústias dos trabalhadores da Opel e das suas famílias", considerou Klaus Franz, chefe da comissão de trabalhadores da Opel.

 
A Opel, que passou por várias alterações no último ano, é considerada como estratégica pelo Governo alemão, que quer preservar os 25 mil postos de trabalho em jogo na Alemanha.

 
A 10 de Setembro, a chanceler alemã, Angela Merkel, anunciou que a solução proposta por ela para salvar a Opel tinha sido aprovada pela GM, uma decisão tida como definitiva e que parecia ser um triunfo pessoal da chanceler, então em campanha para a sua reeleição.

 
Angela Merkel fez saber na quarta-feira ao presidente norte-americano, em conversa telefónica, que o seu governo "vai pressionar a General Motors a apresentar o mais rápido possível um novo projecto para a Opel", segundo um porta-voz da chanceler alemã.

 
O governo norte-americano detém mais de 60% do capital social da General Motors mas assegurou que não teve qualquer influência nesta decisão sobre a Opel, uma vez que não interfere na gestão da empresa.

 
Fritz Henderson, director-geral da GM, mostrou-se hoje "confiante" no plano de financiamento de reestruturação da Opel, avaliado em três mil milhões de dólares (cerca de dois mil milhões de euros), acrescentando que o grupo tem recursos para reembolsar o empréstimo de 1,5 mil milhões de euros concedido pelo governo alemão, que quer reaver esse montante "até ao fim de Novembro".

 

 

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