Private Equity: Uma Oportunidade? A 1ª Conferência da MNF Gestão de Activos SGFIM em Lisboa, respondeu à pergunta de forma inequívoca.
O Private Equity é não só um investimento alternativo de elevada rentabilidade, como esta é a altura certa para investir.
Por ser assim, a MNF Capital, casa-mãe da MNF Gestão de Activos, sociedade que agrega participações de valor superior a 40 milhões de euros, prepara-se para lançar um fundo de Private Equity, destinado a um perfil de investidor abrangente: privado, familly office e institucional.
A plateia de investidores, que quinta-feira passada lotou o auditório João Morais Leitão, em Lisboa, quis saber detalhes sobre a duração do fundo, o montante que pretende angariar e as comissões de gestão.
O administrador da MNF Gestão de Activos, António Macedo, adiantou que o tipo de empresas nas quais se pretende investir são "empresas em fase de expansão" que apresentem um cash flow estável nos últimos anos, com um modelo de negócio que possa ser considerado de "sustentável" e que actuem em "sectores de actividade com potencial de crescimento".
Excluídas estão as start'ups e empresas com capital em desenvolvimento. São fundamentais para a economia do País e o seu potencial é grade, mas o risco também, esclareceu o presidente da MNF Gestão de Activos, Luís de Freitas, questionado pela assistência, justificando logo de seguida: "Temos um quase fanatismo em relação ao controlo do risco. Este é para nós o factor determinante, já o era no passado e hoje ainda mais".
E concluiu o presidente da MNF Gestão de Activos: "Queremos empresas com cash flow positivo e história".
A convicção de Luís de Freitas e António Macedo de que "a recessão económica é o momento certo para optar por este tipo de investimento" juntou-se à certeza do especialista Lorenzo Madridejos, partner do Grupo Arcano, primeiro orador da Conferência. "Este é claramente o momento para investir", afirmou o responsável da casa espanhola, que tem sob gestão 850 milhões de euros de activos.
Lorenzo Madridejos explicara, na sequência, que a actividade de private equity consiste basicamente em comprar uma empresa, criar valor e vender mais caro, com as vantagem de ser possível controlar a gestão, criar valor acrescentado na empresa, criar emprego e rentabilidade elevada.
Disse depois que, num fundo de Private Equity, investe-se a três, quatro ou cinco anos, razão porque o que deve preocupar o investidor é como estará o mercado nessa altura. Em todo o caso, apesar de "não dispor da bola de cristal", como gracejou, o gestor está seguro de que este é um excelente momento para avançar. "Os melhores resultados foram obtidos por investidores que apostaram em tempo de crise, embora, curiosamente, a maioria dos planos de pensões invistam mais nos períodos de boom do que nos momentos de crise, razão pela qual, muitas vezes, obtêm, rentabilidades desastrosas", sublinhou.
Anfitrião da Conferência, o escritório de Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados, participou no debate através do advogado Jorge Cortez, que fez a análise do private equity na perspectiva da lei.
"Os participantes de um fundo, como donos do património do fundo, podem estabelecer limites à actuação da entidade a quem confiam a gestão desse mesmo património", disse.
Além dos limites legais estabelecidos por Lei, os participantes podem balizar a liberdade de actuação da entidade gestora através do regulamento de gestão.
Podem, por exemplo, especificou o advogado, estabelecer limites a nível de "sectores de actuação", "política de endividamento" e "obrigações de informação".
No caso limite de incumprimento por parte da sociedade gestora dos limites que são definidos pelos participantes através do regulamento de gestão, as consequências são "a obrigação de reparar os danos causados aos participantes, por um lado, e a possibilidade destes porem termo ao contrato que os liga à entidade gestora".
No exercício dos seus poderes de supervisão, a CMVM pode até dissolver o fundo.
Lorenzo Madridejos, partner da Arcano
"O funcionamento do private equity é na aparência e na essência simples: adquire-se uma empresa para vender três ou cinco anos mais tarde com uma rentabilidade interessante. O fundo de capital de risco é geralmente o único investidor, controla a companhia e define a sua estratégia. As equipas de gestão estão em perfeita sintonia com o investidore muito motivadas para conseguir criar valor num horizonte temporal muito curto. O private equity
tem tratamento fiscal e legal muito interessante, em geral, em todas as legislações nacionais."
Jorge ortez, Advogado Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados
"Os participantes de um fundo, como donos do património do fundo, podem limitar a actuação da entidade a quem confiam a gestão desse mesmo património. Isto é, além dos limites consagrados na Lei, os participantes podem estabelecer limites à liberdade de actuação da entidade gestora, através do regulamento de gestão. Estes limites podem ser a nível dos sectores de actuação, da política de endividamento e das obrigações de informação, concretizando conceitos que estão previstos na Lei como, por exemplo, o conflito de interesses."
António Macedo, Administrador da MNF Gestão de Activos
"A MNF vai lançar o fundo de private equity, por um lado, porque o mercado português tem espaço para o aparecimento de um novo fundo e, por outro, porque acreditamos ser este um momento indicado para o fazer em termos de conjuntura macroeconómica.
Nos últimos anos, apareceram alguns fundos de private equity nacionais com modelos de gestão bastante profissionalizada e baseados em práticas e standards internacionais, o que foi um passo importante nesta actividade. No entanto, julgamos haver espaço para novos players, especialmente porque o mercado nacional de private equity tem ainda um importante caminho pela frente quando comparado com outros mercados internacionais mais maduros. Quanto ao timing do seu lançamento, pensamos também ser o indicado.
As crises económicas apresentam historicamente intervalos de aproximadamente dez anos, períodos estes que coincidem com a duração média dos fundos de private equity. Isto significa que, ao investir no final de uma crise económica, não só conseguimos "comprar" a preços mais atractivos, como ter a perspectiva de "vender", passados quatro ou cinco anos, em momentos de alta do mercado, onde os preços serão mais elevados. A principal vantagem do nosso fundo de private equity é estar assente num modelo de acompanhamento das participadas muito hands on, com uma equipa detentora de um vasto curriculum na actividade de private equity e na banca de investimento."