Reforma e decoração de edifício corporativo, Vía Augusta 36, em Barcelona ![]() 25/01/11, 18:45 Numa cidade viva e moderna como Barcelona, a arquitectura têm o importante papel de manter standarts de qualidade e de urbanidade. Para além disso, a preocupação da sociedade pela manutenção de uma história e um patrimônio colectivo, assim como no cuidado seu nosso meio ambiente, conduzem cada vez mais ao prolongamento da vida útil dos edifícios, muito para além da dos seus materiais. Desta forma, o cuidado continuo e a manutenção dos edifícios durante o seu uso, assim como uma posterior renovação ou reforma, tornam-se imprescindíveis para manter os níveis de qualidade estética, de segurança e de sustentabilidade urbanas. Como sede de uma importante empresa de Barcelona, o novo edifício devia mostrar uma imagem corporativa clara. O projecto abordou uma problemática existente - a alta densidade de pessoal com um zonamento pouco claro e uma grande abundância de áreas pouco definidas - com uma abordagem integral da organização, da contrução e da definição de todos os elementos. A contundência de um gesto projectual único: a introdução de uma linha abstracta que se materializa tanto em planta como na fachada, conjuntamente com o rigor na selecção e colocação dos materiais - claros e diáfanos frente a escuros e reflectores -, servem para estructurar e definir claramente um espaço de trabalho e um espaço de circulação, conseguindo desta forma imprimir ao edifício uma imagem potente e clara com uma economia de meios notória. Os materiais utilizados contribuem para a distribuição funcional e formal dos espaços. Deste modo, pavimentos e tectos, paramentos e mobiliário, entram num jogo de opostos, combinando texturas e cores, reflexos e luminosidades. Enquanto o pavimento é composto por mármore venado branco e granito intenso preto, os paramentos verticais revestem-se de madeiras claras e de painéis negros. Os tectos conjugam os laçados negros com os brancos diáfanos que conferem uma maior amplitude ao espaço central de trabalho. A fachada é o plano de contacto dos edificios com a rua, o rosto que um edifício mostra à cidade e aos seus cidadãos. É por esta razão que se opta por um desenho contundente e rigoroso em planta que se reflecte na fachada principal, para transmitir ao exterior uma imagem corporativa clara, coerente e de solvência. A solução estética e climática foi apresentar uma fachada de dupla pele. De dia, a fachada vibra com os reflexos da cidade e do céu sobre as suas superfícies duplas. De noite, acende-se com elegância e subtileza provocando um efeito de palpitação quase indetectável e para o transeunte distraído, e evidente para aquele que passeia pela noite barcelonesa com uma visão curiosa. A imagem de um tecto limpo, diáfano e isento de todo o tipo de artefactos pendurados é uma constante no trabalho do arquitecto Ventura Valcarce Magdalena. Apoveitando a experiência acumulada em projectos anteriores, propôs-se uma iluminação específica para o projecto com a finalidade de proporcionar uma iluminação lúgubre, difusa e eficaz, que minimizasse o efeito de esmagamento de um pé-direito com dimensões muito reduzidas e de algum modo opressivo. A solução concretizou-se na integração de candeeiros complexos que ocultam as vigas de canto e incorporam todas as instalações, facilitando a sua manutenção e pautando o espaço de trabalho, proporcionando uma percepção serena e ordenada do conjunto. A arquitectura é um processo complexo que exige um alto grau de compenetração entre variadíssimas disciplinas técnicas e artísticas. É por esta razão, que o resultado final não é fruto unicamente da criatividade artística, mas da capacidade do arquitecto encontrar uma forma de dar resposta às necessidades do projecto e ao modo de construí-lo. O resultado é que tudo está no sítio que deve estar, transmitindo a firme imagem de solvência, coerência e rigor que o arquitecto pensou para esta obra. Arquitecto: Ventura Valcare Magdalena, VVM Arquitectos ![]() ![]() |