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30/06/10, 20:09 OJE Um estudo da consultora Mercer coloca Luanda no primeiro lugar entre as cidades mais caras do mundo para os expatriados, ultrapassando Tóquio
As flutuações cambiais explicam parte das alterações do ranking da Mercer sobre as cidades mais caras do mundo para expatriados, onde a habitação assume preponderância. Lisboa está no meio da tabela, mas o arrendamento de um T2 na capital portuguesa é mais caro do que em Roma, Amesterdão, Bruxelas ou Madrid.
Luanda é a cidade mais cara do Mundo, segundo a edição de 2010 do estudo "Cost of Living Survey", lançado pela consultora Mercer. Tóquio está na segunda posição e Ndjamena em terceiro lugar, seguida por Moscovo e Genebra. O top ten inclui três cidades africanas, três asiáticas e quatro europeias. Karachi, a capital financeira do Paquistão e uma das cidades mais populosas do mundo (18,5 milhões de habitantes) ocupa o último lugar da tabela. Em média, Luanda é três vezes mais cara que a antiga capital paquistanesa.
Este estudo da Mercer cobre 214 cidades (eram 143 em 2009) de todos os continentes e mede o custo comparativo de mais de 200 produtos representativos dos padrões de consumo dos executivos expatriados, incluindo habitação, transportes, alimentação, vestuário, bens domésticos e entretenimento. É o estudo de custo de vida mais abrangente a nível mundial e tem por objectivo ajudar os governos e as empresas multinacionais a determinarem os processos de remuneração a atribuir nos processos de transferência de empregados para projectos internacionais. O custo de alojamento, normalmente a despesa com maior relevância para os expatriados, tem um peso importante na determinação da posição das cidades no ranking.
O alojamento na capital angolana triplica em relação a Lisboa e duplica quando comparado com Tóquio. Outro dos preços comparativos utilizados neste estudo é o preço de uma refeição fast food com hambúrguer. Em Lisboa, o menu completo fica pelos 4,65 euros, mais caro que em Londres (4,53 euros) e Pequim (2,51 euros), mas muito mais barato que os 12,7 euros que custa esta refeição em Luanda.
A edição de 2010 do estudo inclui mais cidades africanas do que as edições anteriores, reflectindo a importância económica crescente desta região em vários sectores de actividade. Muitas das cidades africanas que já constavam de estudos anteriores viram subir as suas posições na tabela, dado o elevado custo de vida que apresentam aos expatriados. Segundo Diogo Alarcão, market leader da Mercer, "nota-se uma procura crescente da informação relativa às cidades africanas, sobretudo por parte de empresas ligadas aos serviços financeiros, companhias aéreas, indústria, utilities e sector energético. Há muitas pessoas que pensam que viver nos países em vias de desenvolvimento é barato, o que não é necessariamente verdade. Para atraírem os seus colaboradores para estas cidades, as companhias multinacionais têm que providenciar o mesmo nível de vida e benefícios de que estes colaboradores e as suas famílias usufruem no país de origem. Em algumas cidades africanas o custo pode ser extraordinariamente alto, sobretudo no que respeita aos preços de alojamento. Já em Abu Dhabi no Dubai, por exemplo, os custos com alojamento têm diminuído".
No que respeita ao continente americano, as cidades brasileiras estão entre as mais caras, em resultado do fortalecimento do real relativamente ao dólar americano. São Paulo ocupa a 21ª posição do ranking e o Rio de Janeiro a 29ª. Nova Iorque (27) é a cidade mais cara dos EUA, seguida por Los Angeles (55). Diogo Alarcão explica a descida das cidades norte-americanas com "o enfraquecimento do dólar americano e uma descida nos preços de arrendamento de habitação. No entanto, como se regista um fortalecimento do dólar desde Março, esta situação pode mudar". Na Ásia, Tóquio (2) e Osaka (6) são as cidades mais caras, embora existam muitas outras cidades asiáticas entre as primeiras 20 posições da tabela. Foram incluídas nesta edição do estudo mais sete cidades chinesas, o que espelha a crescente implementação de multinacionais fora dos destinos tradicionais de Pequim, Xangai e Hong Kong.
De acordo com Diogo Alarcão, "a mobilidade global continua a ser dispendiosa para as empresas. Assim, e tendo em conta o ambiente económico que se vive, é essencial saber identificar os colaboradores adequados para postos internacionais e ter um conhecimento real dos custos que envolve um processo de expatriação. É ainda preciso lembrar que o custo dos programas de expatriação é muito influenciado pelas alterações cambiais e inflação. As mudanças nos factores que ditam os custos de vida e alojamento dos expatriados devem ser acompanhadas continuamente, para que as empresas multinacionais possam assegurar que os seus pacotes de compensação são justos e alinhados com o resto do mercado".
Os dados deste trabalho foram recolhidos em Março de 2010 e condicionados pelas taxas cambiais desse mês e são regularmente actualizados, de modo a considerarem qualquer mudança na situação de cada cidade. A base de dados da Mercer inclui mais de 420 cidades. "Para a elaboração deste estudo foram consideradas mais cidades do que em anos anteriores e novos bens de consumo, o que inviabiliza que os resultados sejam interpretados de forma comparativa", avança a consultora.
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