| true- Segunda-Feira 21 Maio de 2012
Informação financeira da Euronext, disponibilizada por
Comstock
- A Division of Interactive Data Corporation.
 18/01/12, 00:56 Foto OJE/Victor Machado Os fundos de investimento portugueses estão com dificuldades de liquidez, embora não se tivessem registado, em 2011, resgates massivos, afirmou Eric van Leuven, diretor-geral da consultora imobiliária Cushman & Wakefield, durante a apresentação do balanço da atividade da empresa em Portugal no ano passado. Sem resgates massivos, os FII foram consumindo as reservas e tiveram de suportar as subidas das yields. No ano passado, salientou o gestor, houve uma "subida brutal das taxas de rentabilidade, o que significou destruição de valor". As taxas de rendibilidade prime estão nos 7,75% nos centros comerciais e nos escritórios, enquanto nas rendas industriais a exigência vai nos 9,5% de yield. O valor dos centros comerciais significou perdas da ordem dos 33%, pois aquele yield compara com os 5% anteriores à crise.
A nível de investimento, a C&W regista que os family offices estão cada vez mais ativos, mas em negócios de menor dimensão. O volume de transação média foi consideravelmente inferior: seis milhões versus 18 milhões de euros.
Para Eric van Leuven, 2012 poderá ser um ano "tão ou mais difícil que 2011". O mercado será afetado pelo crescimento do desemprego, quebra no consumo privado e continuada escassez de financiamento. A expetativa positiva só poderá vir da eventual resolução da crise da dívida pública europeia, uma situação que parece estar longe. Afirmou ainda que "o enquadramento favorável para a otimização de condições de ocupação é um incentivo a um maior volume de procura". A C&W acredita que a Lei do Arrendamento e a futura Lei da Reabilitação Urbana poderão dinamizar o setor residencial.
Como nota dominante, em 2012, assistir-se-á a um aumento das vendas de imóveis pela banca comercial. Afirmou ainda que "a expetativa para a evolução das áreas não-transacionais mantém-se positiva para este ano, deixando a empresa menos vulnerável às oscilações de mercado". Os departamentos de agência deverão manter um volume de atividade modesto, em linha com as perspetivas de evolução para o mercado.
Revisitar 2011
O ano de 2011 caracterizou-se sobretudo por um volume de transações historicamente baixo: a título de exemplo, a absorção de escritórios não deverá ter ultrapassado os 80 mil m2, contra 105 mil m2 em 2010.
Eric van Leuven afirma que, quanto à atividade da C&W, "o ano que passou foi difícil para as nossas equipas comerciais. Na área de escritórios e industrial, por exemplo, a falta de atividade traduziu-se em volumes de absorção de mercado e, consequentemente, na faturação da C&W, reduzidos quando comparados com 2010. Também na área de investimento, apenas algumas transações foram fechadas no início do ano. Por outro lado, 2011 foi um ano excelente para as equipas ditas não-transacionais como gestão de imóveis, avaliações e gestão de projetos que aumentaram a sua faturação e ganharam quota de mercado".
A equipa de gestão de imóveis "teve um ano muito positivo com a obtenção de mais três mandatos de gestão no Parque das Nações - os edifícios de escritórios Mar Vermelho, Espace e Explorer", disse o gestor. Atualmente, este departamento tem 31 edifícios de escritórios e seis centros comerciais sob gestão, totalizando mais de 310 mil m2 de área e um volume anual de rendas de 43 milhões de euros.
Quanto a avaliações, a equipa da C&W reforçou a sua posição de líder de mercado com a avaliação anual de imóveis num valor global de mais de 16 mil milhões de euros, incluindo ativos de retalho, escritórios, residencial, turismo e industrial.
Também o departamento de gestão de projetos "teve um ano muito bom", frisou Van Leuven, tendo sido responsável pela conclusão de várias obras como a do Évora Retail Park e da Escola Americana no Linhó. Presentemente, a equipa tem a seu cargo a gestão e fiscalização da obra do Évora Shopping.
A forte quebra sentida na promoção afetou de forma direta o departamento de research & consultoria, que depende, em grande parte, de estudos de mercado para novos empreendimentos. Ainda assim, foram desenvolvidos, em Portugal, projetos de consultoria para ocupantes e investidores, reflexo da tendência crescente de exigência de informação de mercado por parte dos comités de decisão na maioria das empresas. A equipa em Portugal apostou também na internacionalização dos seus serviços, tendo desenvolvido vários projetos em Espanha e na América do Sul.
Os departamentos comerciais sofreram mais com a conjuntura económica, o que levou a uma quebra significativa de faturação nestas áreas.
O departamento de investimento foi responsável pela venda de um edifício na Av. da Liberdade a um family office internacional e também pela venda de um edifício na Baixa lisboeta, igualmente a um investidor estrangeiro.
A equipa de escritórios esteve envolvida no arrendamento de 12 mil m2 de novos escritórios, nos quais se incluem a colocação da ADECCO no edifício Mar Vermelho, no Parque das Nações, o arrendamento dos novos escritórios da Acústica Médica, no edifício Q60 na Quinta da Fonte, a instalação da Technip Brasil na Torre Ocidente, para além de inúmeros processos de renegociação de contratos para a Ericsson, a General Motors, a Motorola e a Sanofi. Atualmente, esta equipa tem a seu cargo a comercialização de cerca de 86 mil m2 de novos espaços na Grande Lisboa, dos quais se destacam a Torre Ocidente, os edifícios Espace e Explorer, o Chiado Terrasse e o portfólio IVG na Quinta da Fonte.
Apesar das grandes quebras registadas no consumo, o departamento de retalho esteve muito ocupado, tendo concluído cerca de 50 transações, muitas delas em ruas comerciais e retail parks, das quais se destacam a representação da Primark na abertura de três novas lojas em Braga, Sintra e Portimão; a colaboração na comercialização do Aqua Portimão e a colocação de alguns retalhistas nacionais e internacionais no novo projeto do Grupo Regojo, Liberdade Street Fashion, em Braga. A equipa de retalho foi ainda responsável pela comercialização do Évora Retail Park, que abriu no início de novembro e conta com marcas como Worten e Moviflor.
A equipa de industrial e terrenos, apesar do forte abrandamento da atividade no setor, esteve envolvida em duas importantes transações, a venda das antigas instalações da Pioneer, no Parque Industrial do Seixal, bem como as da Schering, em Mem Martins. Em 2011, este departamento foi igualmente mandatado para a comercialização em exclusivo das instalações da Diversey, na Abrunheira, e das da Merck, em Mem Martins e Sacavém.
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