| true- Segunda-Feira 21 Maio de 2012
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 25/01/12, 00:52
Por Lívia Tirone * Colocando-nos a questão: O que procuramos na cidade em que habitamos? A resposta é simples: Para todos os cidadãos, uma elevada qualidade de vida garantida! O modelo da cidade compacta, completa (multifuncional) e conetada, largamente discutido à escala planetária responde, melhor do que todos os outros modelos urbanos ensaiados, aos valores que consideramos essenciais e com os quais hoje nos identificamos.
Cidades nas quais entre o trabalho, a casa e o lazer as distâncias podem ser percorridas a pé, caraterísticas que são indiscutivelmente favoráveis à qualidade de vida.
Contudo, não bastam as características físicas do modelo de cidade (compacta, completa e conetada) para assegurar que a vida que nela se desenvolve possa ser usufruída com elevada qualidade.
Por estranho que nos possa parecer, não encontramos os indicadores que zelam pela qualidade de vida dos cidadãos na primeira linha do urbanismo que hoje ainda vigora. Temos de procurar bastante mais fundo para encontrarmos indicadores que invoquem a saúde, o conforto, a viabilidade económica na gestão de sistemas, enquanto são precisamente estes que deveriam integrar, de forma quantificada, clara e transparente, as primeiras "regras" do planeamento urbano. E, quando procurarmos como se minimiza o risco, ao qual as populações são expostas, as evidências demonstram que não existe cumprimento de regra alguma.
O conceito da resiliência urbana - assegurar a capacidade de sobrevivência das populações urbanas sob todas as condições que possam advir das atividades humanas, dos sistemas criados e dos rigores da natureza, tanto as previsíveis como as desconhecidas - é um conceito que apenas muito recentemente entrou no vocabulário e na consciência daqueles que determinam o desenvolvimento das cidades.
Quanto mais a montante, no desenho da cidade, é tomada em consideração e se integra a resiliência urbana como objetivo estratégico, maior é a probabilidade de se gerarem sinergias à escala dos sistemas e o bem-estar para as populações enquanto são minimizados os custos de investimento e de operação. Para as cidades se tornarem facilitadoras de uma crescente qualidade de vida para as pessoas, a cultura do planeamento urbano precisa de ser inclusiva (aberta) - não elitista - assente em valores largamente partilhados - não indiferente - coerente - não oportunista - transparente - não casual. Para podermos contar com um desenvolvimento do território urbano ao serviço de várias gerações, precisamos de envolver os cidadãos no processo de desenho da sua cidade, do seu bairro ou mesmo quarteirão. Sobretudo aqueles cidadãos que se identificam com o espaço no qual habitam e trabalham, deveriam poder empenhar-se, continuamente e de livre vontade, para contribuir para a respetiva qualificação. São cada vez mais os exemplos de sucesso que partem do empreendedorismo social. Este empreendedorismo das populações precisa de ser tomado em consideração e integrado a nível do planeamento urbano e pode constituir-se como contributo precioso, não apenas para a solução de problemas, que de outra forma nem são resolúveis mas, sobretudo e até, para viabilizar a permanente qualificação da cidade por se recorrer, também, à boa vontade dos cidadãos empenhados.
Se o que pretendemos é conseguir que as nossas cidades sejam resilientes e que nos facilitam viver com qualidade, não bastarão os conceitos datados e as ferramentas do passado para definir o futuro comum. Tanto as regras do planeamento físico como as regras de gestão urbanística precisam de ser repensadas, em função das expectativas que hoje temos. Para tal, nós todos, cidadãos, precisamos de nos envolver e dar o nosso contributo positivo à comunidade da qual fazemos parte. Se parece um esforço: é nossa a oportunidade! Estes e muitos outros temas fulcrais da sustentabilidade urbana são retratados na Revista Construção Sustentável - www.construcaosustentavel.pt
*Arquiteta e administradora da empresa Tironemail@liviatirone.com www.construcaosustentavel.pt www.humanhabitat.pt www.tironenunes.pt   324 Visualizações
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