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SUSTENTABILIDADE EM TEMPO DE CRISE

09/07/08, 04:50
Em parceria com DTZ

Nome: Sofia Santos
Função: Co-Fundadora da Sustentare Lda (www.sustentare.pt) / Economista especializada em sustentabilidade
Empresa: Sustentare

O primeiro aspecto a ser eliminado pelas empresas?

Numa altura em que o país, e de forma geral todo o sistema económico internacional, enfrenta mais uma choque petrolífero com preços nunca vistos, taxas de inflação crescentes, aumento do desemprego, mercados financeiros em baixa, taxas de juro a subir e expectativas consequentes de uma diminuição do investimento privado, têm sido muitos aqueles perguntam: 'irá isto afectar a forma como as empresas têm vindo a investir os aspectos da sustentabilidade ou responsabilidade social?' 

Se as empresas têm vindo a investir em sustentabilidade por uma questão de imagem, é expectável que elas reduzam as suas acções nesta área. No entanto, se a sustentabilidade foi bem compreendida e aceite pelo Conselho de Administração, e é vista como uma componente estratégica para o crescimento a médio-longo prazo da empresa, então é de esperar que os investimentos continuem e/ou aumentem. 

Compreender a sustentabilidade implica incorporar na gestão da empresa que a transparência, ética, responsabilidade pelas acções tomadas, eficiência energética, relacionamento com as comunidades, preocupações com a carreira dos colaboradores, análise de riscos ambientais, sociais e de governação são de extrema importância para toda a actividade. 

Na realidade, parte da crise que atravessamos actualmente pode também ser vista à luz dos problemas que a sustentabilidade tenta antecipar. É interessante por exemplo analisar que, o aumento do preço dos bens alimentares se dá devido ao crescimento das economias asiáticas, começando as suas populações a comer outros alimentos, entrando também em concorrência com a necessidade de utilizar terrenos para a plantação de cereais que irão originar a produção de energias 'limpas', ou seja, com menores emissões de CO2. 

Também a crise financeira, associada ao endividamento das famílias e à crescente falta de capacidade de cumprir com os encargos financeiros adquiridos ao longo dos últimos 7 anos em Portugal, poderia ter sido antecipada (ou mesmo evitada) se os bancos conseguissem explicar ao cidadão o que significa de facto um empréstimo bancário, e os cenários possíveis que poderão ocorrer. Na realidade cerca de 78% dos portugueses consideram a iliteracia financeira como um problema grave associado ao sector bancário. Isto significa que uma grande parte da população não compreende os compromissos que assume com instituições financeiras. 

Como se relaciona tudo isto com as empresas e cidadão? 

Em relação ao primeiro problema exposto - Energia - podemos afirmar que quanto menos energia as empresas consumirem, menos emissões de CO2 existirão, e menos necessidade existirá também para se utilizar terrenos (que poderiam ser utilizados para a produção de bens para alimentação) para a plantação de matériasprimas destinada à produção de energia limpa. Para isto é necessário que as empresas analisem/inventariem os seus consumos energéticos e identifiquem tecnologias e/ou comportamentos que lhes permita minimizar esses consumos. É necessário também que os consumidores adquiram hábitos comportamentais que impliquem uma poupança energética, andem mais a pé e menos de carro e comecem a comprar produtos de consumo das empresas que têm vindo a implementar práticas de sustentabilidade na sua gestão. Quer as empresas, quer os cidadãos terão menores custos a médio-longo prazo com estas opções de vida. 

Em relação ao segundo problema - Endividamento - muitos dos bancos Ingleses estão a desenvolver novos serviços e abordagens de mercado, em que as suas campanhas passam por explicar ao cidadão o que significa obter um empréstimo. Com este tipo de práticas, quer os bancos quer os cidadãos constroem relações estáveis mais duradouras, permitindo que os bancos possam voltar a ser vistos como parceiros de vida - através do apoio ao investimento - e não como parceiros de consumismos inapropriados - devido ao incentivo a crédito de consumo puro e duro. 

Atendendo a que a Sustentabilidade analisa todos os aspectos referenciados nos exemplos acima dados, é expectável que empresas com visão invistam cada vez mais nesta área e a tornem cada vez mais estratégica, principalmente em tempos de crise. 

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