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Olhar para as famílias como fonte de energia para as empresas
EFR
07/12/11, 01:00
OJE

Por Ana Poiares Maduro Cid Gonçalves *
 
Melhorar as condições de trabalho para que os colaboradores possam dar mais assistência à família é um imperativo actual que os empresários devem considerar. Esta ideia pode parecer deslocada do contexto económico actual, mas não está. Aliás, o momento não podia ser mais favorável.

 
 
Nunca como agora os colaboradores têm que trabalhar empenhadamente para que as suas empresas vinguem e para que não percam os seus empregos, mas também nunca como agora as empresas precisaram tanto de colaboradores que tenham as suas cabeças no sítio, que trabalhem muito mas que sejam produtivos, criativos na organização do trabalho, que sejam empreendedores, que tenham novas ideias e força para as implementar, que saibam fazer mais omeletas com menos ovos e se sintam orgulhosos do seu trabalho, da sua empresa e do que é mais importante nas suas vidas - a sua família.

A palavra, para mim, é aliança. Colaboradores e chefias devem estabelecer uma nova aliança da qual ambos sejam co-responsáveis por criar, manter e garantir que dê frutos. Uma aliança de diálogo permanente, onde não há soluções em pacote, mas em que todas as soluções possam ser boas se servirem o bem maior: ser um bom profissional e cuidar com tempo, atenção, amor e dedicação à sua família.

As empresas têm que, decididamente, olhar as famílias com outros olhos. Uma empresa que faz uma mulher sentir que não pode engravidar ou que a dispensa se engravida, perdoem-me, mas tem vistas curtas. As mulheres em Portugal querem, em média, ter cerca de três filhos mas estão a ter um! Pergunto: porquê tanta conversa sobre responsabilidade social? A "primeira" responsabilidade social deve dirigir-se para os nossos aliados de negócio: os nossos colaboradores. Empresas que esquecem estes princípios, lembram pessoas que são muito "solidárias" mas negligenciam a própria mãe.

Temos em Portugal um défice de 1.300.000 (sim: um milhão e trezentas mil) crianças e jovens que deveriam ter nascido ao longo dos últimos 29 anos para renovar as gerações. Responsabilidade social também é sustentabilidade e só a podemos ambicionar numa perspectiva de sustentabilidade demográfica. Lanço uma nova pergunta: Quão melhor poderia estar a sua empresa se todas estas crianças e jovens tivessem nascido?
Gostaria ainda que soubessem que há muitos pais, e sobretudo mães, que gostariam de encontrar um trabalho a tempo parcial, uns dias por semana, uns dias por mês, alguns meses por ano - excelentes potenciais colaboradores que representam um capital que está a ser largamente desperdiçado no nosso país.

As prioridades têm estado viradas do avesso, mas se considerarem as famílias como fonte de energia tudo vai ao sítio.
 
* Secretária-Geral da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas
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