| true- Segunda-Feira 21 Maio de 2012
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Análise financeira isenta e transparente Gestão de Activos 03/11/11, 10:50
O papel do analista financeiro está bem definido. No período conturbado que os mercados vivem a análise financeira tem de ser absolutamente isenta e transparente, afirma Raul Marques, o presidente da APAF - Associação Portuguesa de Analistas Financeiros Que papel deve o analista financeiro desempenhar na actualidade? Consideramos que, genericamente, o analista financeiro deve continuar a desempenhar as suas funções da mesma forma em termos conceptuais, ou seja, com o foco no médio e longo prazo e ainda assente em princípios éticos e normas de conduta baseados nos valores do rigor, transparência e gestão adequada de conflitos de interesses Como podem ser defendidos os princípios de rigor, isenção e transparência? Os princípios do rigor, isenção e transparência são as traves-mestras que permitem aos analistas financeiros afirmarem-se na sua profissão e serem reconhecidos pelo mercado, nomeadamente pelos seus clientes. Neste contexto, são relevantes os aspectos que se prendem com o respeito pela Lei e regulamentações vigentes, o reforço permanente das qualificações dos analistas e o ênfase na experiência adquirida pelos profissionais ao longo da sua carreira profissional Que comentário faz ao papel da CMVM na orientação relativamente às recomendações feitas pelos analistas? A CMVM tem tido um papel relevante ao longo dos últimos anos no que se refere à introdução de regras ao nível das recomendações dos analistas, reforçando a transparência, mitigando os riscos de conflitos de interesses e proporcionando informação clara ao mercado. Mais do que isso, introduziu também recomendações destinadas a emitentes, investidores e órgãos de comunicação social, os quais são intervenientes-chave na avaliação de valores mobiliários. Até que ponto é que as análises das agências de rating influenciaram o rumo das empresas e da economia nacional? As agências de rating têm sido decisivas na tendência registada pelos prémios de risco exigidos pelos investidores em geral desde 2007 e, particularmente, em 2010/2011 no que se prende com os activos emitidos por entidades portuguesas em geral, desde a banca à generalidade das empresas. Com os sucessivos "downgrades" de notações as agências conduziram a uma situação em que os mercados passaram a exigir retornos/prémios de risco bem mais altos aos "activos portugueses", condicionando obviamente toda a estratégia de captação de funding das instituições nacionais, o que afectou sobremaneira a respectiva rendibilidade recente e perspectivas a curto prazo.
Os analistas não deveriam ter o mesmo nível de responsabilidade e de orientação que as agências de rating demonstraram? Estas exageraram a realidade? As notações das agências de rating também são elaboradas por analistas financeiros e assentam em metodologias e critérios similares. Tal como os analistas das agências de rating o fizeram, também os analistas que elaboram recomendações sobre valores mobiliários cotados têm vindo a fazer "downgrades" progressivos desde 2007, à medida que a grave crise financeira evoluiu para uma muito séria crise económica internacional e posteriormente se instalou uma profunda crise de dívida soberana na Europa. Que papel futuro deve caber aos analistas financeiros em termos de monitorização de risco e de agregador de confiança? Ao analista financeiro compete desenvolver análise financeira transparente e isenta, baseada em pressupostos e cenários bem evidenciados, e que conduzam a perspectivas claras de retorno/risco em horizonte temporal bem definido. Fazendo-o nestes moldes conseguirá seguramente obter e reforçar a confiança do mercado de investidores e o reconhecimento da sua qualidade por estes e pelos emitentes. Devem as empresas alterar rapidamente o modelo de "governance" para gerar credibilidade junto dos stakeholders? Os modelos de governance das diferentes empresas devem ser edifícios integrados e coerentes de governo das sociedades, adequados aos requisitos legais e regulamentares, reflectindo as características e exigências especificas de cada empresa, nomeadamente o seu formato em termos de estrutura accionista e o seu grau de abertura do capital. Caso sejam correctamente estruturados e implementados essa situação permitirá reforçar e manter a confiança junto dos stakeholders.
Que trabalho tem feito e/ou pretende fazer a APAF no sentido de sensibilizar os associados para as novas realidades da sociedade e da economia? A APAF tem desenvolvido a sua actividade em diversas vertentes. Desde logo colaborando com as entidades supervisoras, designadamente a CMVM, com o objectivo de melhorar o quadro legal ou regulamentar que enquadra a actividade dos analistas. Por outro lado, está a concretizar e a investir em parcerias com reputadas Universidades nacionais na área da formação. Exemplo dessa orientação são as parcerias com a FEP e o ISEG ao nível das pós-graduações em Análise Financeira desde há cerca de 25 anos e que já permitiram levar a cabo mais de 30 edições dessa Pós-Graduação, caminhando já para os 1000 pós-graduados na globalidade das edições. Tem eventos próprios (vide as relevantes Conferências Anuais da APAF) ou em parceria como outras entidades, como os eventos sobre Ética e Padrões de Conduta presentemente concretizados em colaboração com a Ordem dos Economistas e o Instituto Português de Corporate Governance. Também a recente adesão à ACIIA, a qual permitirá aos profissionais nacionais aceder a um leque de relevantes graus de qualificação internacionalmente reconhecidos. Actua como Country Sponsor do GIPS em Portugal (Global Investment Performance Standards), para além do forte reforço do envolvimento na EFFAS (Federação Europeia de Associações de Analistas), e o trabalho na recente revisão do Código de Conduta da APAF.

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