| true- Segunda-Feira 21 Maio de 2012
Informação financeira da Euronext, disponibilizada por
Comstock
- A Division of Interactive Data Corporation.
China sustenta euro face ao dólar Gestão de Activos 03/11/11, 10:38
O euro deveria estar a cair, mas isso não acontece e não vai acontecer, explica Luís Correia Tavares, analista técnico e trader da corretora Worldspreads. A China assume o euro como moeda de refúgio para compensar perdas sucessivas com o dólar. Que tendência se pode esperar ao nível do crosse euro/US dólar? Neste par pode-se assistir a dois cenários possíveis, sendo que um deles se deve a questões fundamentais e o outro a questões técnicas. Tecnicamente, depois de ter experimentado a zona de 1,4200, poderá procurar apoio em 1,4000/1,3950 para se projectar de novo a 1,4200 e tentar a perfuração dos 1,4340. Espero ver, ainda este ano, níveis alcançados para este par de 1,4545 e, muito possivelmente, os 1,4680. A Europa parece actuar sempre que veja os níveis de 1,5000 serem ameaçados. Para que este cenário se confirme, não deveríamos ver perdidos os níveis de 1,3500 para o curto prazo, de 1,3100 para o médio prazo e 1,2800 para o longo prazo. Por fundamentais, existe uma divergência entre a macroeconomia da Zona Euro e EUA, isto deve-se a que a economia europeia se desacelera de forma muito mais rápida que a dos EUA e, com os dados do PIB dos Estado Unidos conhecidos na última sexta-feira - que foram melhor do que o esperado pelos analistas -, isto deveria provocar uma redução do gap deste par originado pelo diferencial deste crescimento, mas tal, muito possivelmente não prevalecerá por questões de refúgio. Quer isto dizer que o Euro está a ser usado como moeda refúgio por outros países como a China, e estes para se protegerem da desvalorização do dólar, e por estarem fortemente expostos à divida dos EUA, compram Euro em grandes quantidades para, com a valorização deste, compensarem as perdas no Dólar. Em parte estão a perder a confiança no Dólar como moeda de referência mundial. O excesso de liquidez criado pelos programas de quantitative easing irá criar pressão a médio prazo no dólar? Sem dúvida, embora essa já seja mais uma das razões pelas quais o dólar se encontre a níveis inferiores ao euro, estes programas a que chamamos de impressoras de dinheiro, não são mais que dívidas que os países criam para si mesmos. Ao imprimirem dinheiro desta forma, aumentam o buraco financeiro e, com isso, desvalorizam a sua própria moeda, criando uma concorrência desleal para com a Europa no que respeita à competitividade que o dólar representa face ao euro e ganhando assim na venda dos seus produtos. Essa pressão já se faz notar, e há muito que preocupa vários países do mundo que têm adquirido dívida dos EUA com a moeda americana. Mas isto não parará por aqui. Os mercados esperam por um possível QE3, algo parecido aos QCA na Europa, aquilo que começa como uma excepção acaba por se tornar uma regra, e a única forma de terminar com esses planos de ajuda, é retirá-los gradualmente com avisos prévios, e não de forma drástica. Com a última medida a que se chamou de Twist, os mercados mostraram não a saber dançar, pois os EUA têm montado o maior negócio do mundo: fabricam algo por apenas 5 cêntimos e vendem por 100 dólares, e esse algo são as notas de 100 dólares.
A política monetária do euro, focado no controle da inflação é acertada para uma região de precisa de crescer? Na minha opinião, sem dúvida que não. Se tentamos associar inflação a crescimento, teremos sempre que ver, ponderar e decidir sobre várias vertentes ao mesmo tempo, e talvez sacrificar umas de forma a que beneficiemos outras para obter um resultado mais positivo. A política da Europa é demasiado conservadora, e esse excesso de conservadorismo, embora por vezes necessário, impede um crescimento que cada vez mais tem que ser criativo. A criatividade só aparece se houver algumas emoções à mistura que poderão ser controladas mas não deverão ser travadas de forma cega por simples desconhecimento e baseadas em padrões que não se adaptam à conjuntura actual. Tentemos ser realistas, qual é a única forma da Europa crescer? A única possibilidade é vendermos lá fora aquilo que fabricamos e produzimos! Se já todos temos 2 carros, 2 telemóveis, 2 casas, 3 ou 4 televisores, e se ainda por cima devemos tudo isto, quer dizer que já temos tudo e não pagámos nada. E, o mais importante é que, não precisamos de nada, temos excesso de consumo, não há mais nada para vender que faça rodar ou mexer de verdade uma economia. A única hipótese que nos resta é fornecermos países em crescimento como é o caso dos países emergentes, países que estiveram em guerra, etc. No entanto, para isso precisamos de uma política monetária diferente, de um euro mais barato e competitivo, pois a política levada a cabo até agora está apenas focada na Europa e para a Europa, mas a Europa só sobreviverá de aqui em diante, com o que conseguir vender e servir lá fora. Afinal, penso que sempre poderão voltar a baixar as taxas de juro o mais tardar, já no próximo ano. O que pode um investidor em acções e obrigações fazer no momento actual? Deve apostar em títulos high yield? Sendo que este produto é composto por títulos de dívida corporativa mais arriscados, embora paguem um yield mais alto, é para investidores com apetite ao risco, (e cada um deve primeiro identificar-se e saber qual o seu perfil antes de escolher este produto), não é menos verdade que é mais rentável que um Grade Fund, que é o equivalente ao anterior mas de dívida somente de empresas "Investment Grade", que pagam yelds menores, mas mais seguros. Tudo passa por cada investidor saber o que quer apostar, se for esse o caso, porque se se tratar de um investidor conhecedor, dirigirá apenas uma pequena parte da sua carteira a alto risco e a outra a médio-baixo risco. Mesmo assim, para que se tente apostar o mínimo e investir o máximo, o indicado será sempre primeiro identificar a tendência do produto eleito e tentar, no pior dos casos, acompanhar a mesma - ir contra ela, isso sim, seria uma aposta.
Que mercados e instrumentos alternativos devem considerar? Matérias-primas, acções e obrigações de mercados emergentes? Outros? Actualmente, tal como cada investidor deve saber que tipo de perfil tem para se lançar aos mercados, também é importante ter em conta a sua actividade ou interesse nos mercados para se saber escolher um produto adequado aos seus investimentos. Um dos produtos alternativos que dispomos é os DIFFS, muito semelhante aos pares de divisas (Forex), é um par composto por dois índices diferentes, e cuja correlação ou descorrelação de um e de outro variam, provocando uma cotação por esse diferencial de preço. Se escolhermos um par de índices da Europa, a diferença será sempre menor que um da Europa e outro dos EUA, etc. Outra alternativa importante e muito útil se bem gerida, quer seja por um particular que faça muitos quilómetros ou pequena empresa de transportes, seria fazer algo muito semelhante ao que fazem as companhias de aviação, que consiste em apurar no início de cada trimestre, semestre ou ano qual o orçamento disponível para combustível, depois disso, para não ser afectado por subidas repentinas, destinar uma percentagem equivalente à proporção para investir neste tipo de carburantes como matéria-prima. Deste modo, as subidas a que estiver sujeito, dar-lhe-ão rentabilidade, não sendo assim afectado na subida dos custos e sem a necessidade de incumprir ou mexer em orçamentos já elaborados. Em termos de obrigações, as que melhor rentabilidade ou oportunidade representam actualmente, são as dos países emergentes em crescimento sendo que é atractivo serem adquiridas com a divisa do próprio país em que se investe, já que a correlação entre o crescimento desta versus rentabilidade da obrigação, resulta mais atractiva.

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