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Montepio

Azeite Jóia do Sul brilha no mundo
Casos de sucesso
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20/01/12, 00:05
OJE/Jack Soifer, Consultor internacional

Esta empresa familiar de Pereiras-Gare, concelho de Odemira, soma já dois prémios internacionais de melhor azeite extra-virgem.

O apeadeiro de Pereiras, na divisão entre o Algarve e o Alentejo, outrora usado para escoar a produção rural, já não tem serventia. Mantém-se, no entanto, como um ponto de referência importante na região. Partindo do apeadeiro por uma estreita estrada, chega-se aos olivais da Herdade Jóia do Sul. São nove hectares plantados entre 2005 e 2006, com as variedades Galega, Cobrançosa e Maçanilha.

O azeite extra-virgem é muito apreciado nos melhores restaurantes do Algarve, Alentejo e Lisboa. Em 2011, esta quinta vendeu apenas 4,2 mil garrafas. Há seis anos, a jornalista Alexandra Monteiro e o marido Francisco Barra fartaram-se das burocracias e do bulício da cidade e lançaram um projeto empresarial, que a empreendedora dá a conhecer ao OJE.

Porque investiram no azeite?

Foi, antes de mais, um sonho que se tornou realidade, pois investir num produto que comprovadamente traz benefícios para a saúde nunca seria um mau investimento.

Que razões levaram à escolha desta quinta no Alentejo?

Razões de dimensão da propriedade e a proximidade ao local onde habitamos foi condição essencial.

Porque escolheram estas variedades e não outras?

Escolhemos variedades 100% portuguesas, pois investir noutras variedades que não fossem nacionais não faria sentido, um vez que a produção é em território nacional.

Quais são as principais dificuldades da olivicultura?

As pragas, a manutenção e a carência de mão-de-obra sazonal disponível.

Qual foi o principal obstáculo sentido na comercialização do azeite? A forte concorrência das grandes marcas a nível nacional e as marcas brancas das grandes superfícies e a sua prática de preços irrisórios.

O que é o mais difícil no processo de exportação?

Portugal fica na ponta da Europa; o exterior ainda não sabe do que cá se produz nem da qualidade a ela associada. Para muitos, Portugal é uma província espanhola e, por isso, chegar ao exterior é dificultado, pois não é reconhecido como produtor de azeite de qualidade.

Como é que a Direcção Regional da Agricultura poderá contribuir para dinamizar a atividade exportadora de empresas como a vossa?
Através de uma alargada divulgação nas suas plataformas de contactos a nível nacional e internacional daquilo que de melhor se produz por cá.

O que poderá fazer o AICEP?
O redimensionamento de quotas para micro e pequenas empresas, de forma a estas também poderem abarcar esta associação.

Numa perspetiva geral, qual é o maior problema do Alentejo?
Os entraves legais/burocráticos para se chegar ao término de um qualquer processo. E do município?
Os grandes é que vingam. As microempresas não pesam na balança.


Qual é o maior problema das nossas pequenas e médias empresas? É querer fazer e "alguém" não deixar. O processo burocrático que depende de Ministérios e Institutos deveria ser sujeito a uma simplificação alargada e adaptada a cada região.

Se fosse ministro da Agricultura, qual seria a sua principal ação?
Acreditar no esforço e na vontade de quem quer fazer algo neste ramo e facilitar qualquer pedido que entrasse neste Ministério consoante provas apresentadas pelo interessado.

Ao ministro da Economia, o que compete fazer nesta área?
Analisar a viabilidade económica numa perspetiva da realidade geográfica e não se basear em fórmulas matemáticas que, em contextos de regiões diferentes, são por vezes falíveis e não declaram as reais potencialidades do projeto em causa.

Que condições são necessárias para criar emprego em Portugal?
Primeiro, impedir falências através da eliminação ou do adiamento do pagamento de impostos de microempresas que não apresentam lucros. Por que pagar o PEC (Pagamento Especial por Conta)? Segundo, manter os bons profissionais e empreendedores no País, pois, sem eles, não somos ninguém. Por último, reavaliar o fundo de desemprego, porque este serve de bengala a muitos que não querem trabalhar. Assim que a cultura dos desempregados seja sujeita a um "reset" a mentalidade pronta a produzir, acredito que a economia voltará a tornar-se sustentável e competitiva.


Empreendedores Alexandra Monteiro, 37 anos, casada com Francisco Barra, de 39, com dois filhos de cuja companhia desfruta ao máximo no (pouco) tempo que lhe sobra do trabalho. De ascendência luso-germânica, nascida e criada em Albufeira, Alexandra Monteiro é licenciada em Comunicação Social e Cultural pela Universidade Católica Portuguesa. Empreendedora, entusiasta, pró-activa, só não gosta mesmo nada do estado a que o País chegou.  


AZEITE, OS ENTRAVES À EXPORTAÇÃO

Portugal tem um enorme potencial na venda de óleos comestíveis, como o de girassol, que está em plena subida, por ser gordura boa. O azeite luso é um dos melhores e os espanhóis vêm cá plantar de forma racional, como nós já deixámos de fazer.

Do resíduo, fazem-se sabonetes, vendidos a bons valores na Europa, e ainda extratos para a indústria cosmética e alimentar. Os pequenos lagares são racionais na produção, mas perdem na distribuição. Isto pode ser compensado por uma parceria com uma rede independente de distribuição, mas não é fácil.

Há que criar a comercialização, mas o oligopólio que domina o setor e a distribuição que importa óleo nocivo para a saúde impede-o. Na produção pequena juntam-se muitos produtores numa central de "envase" e transporte ou, como no caso dos vinhos, contratam-se, por dia, camiões TIR com uma moderna linha móvel de engarrafamento que bombeia o azeite do lagar e o devolve engarrafado e embalado, pronto em paletes para serem depois transportadas em carrinhas, ou de camião.

Nas Beiras e no Alto Alentejo, as cooperativas vendem pouco e o azeite volta para os olivicultores ou é vendido localmente. Três firmas vendem 90% do consumo, sem que tenham muitos olivais em Portugal (com uma exceção). Elas apenas engarrafam: Gallo da Unilever, Sovena, do grupo Jorge de Mello, e Serrata. De cada tonelada de azeitonas obtêm-se apenas 120 a 150 litros de azeite, extraído aos 27/28ºC. Portanto, perde-se um grande volume de massa. Uma ínfima parte é utilizada para fazer pasta de azeitona, como em Vila Velha de Ródão. Mas, apesar da mais-valia gerada, o processo, para ser bem sucedido, necessita de grande empenho em marketing.


A variedade "Galega", habitual no Alentejo e Beiras, exige cuidado, pois é sensível às pragas. É uma azeitona pequena, preta, cujo azeite aveludado é muito apreciado. Há também um bom potencial para exportar azeitona em conserva, mesmo neste período de crise económica mundial.

É um processo muito simples, com investimentos limitados, mas precisa de uma marca e de foco em pequenos nichos de mercado, como os restaurantes gourmet. Ao demarcar zonas e motivar olivicultores e cooperativas para formar um cluster de exportação, poderíamos em muito aumentar o rendimento dos produtores e ainda trazer libras para reduzir o nosso défice comercial. Extrato, fácil de obter sem grande tecnologia e que oferece bom lucro, precisa também de um consultor para exportar. São 180 milhões de euros só em dois nichos, de resíduos ainda desprezados. Mono e diglicerídios gordos, emulsionantes até agora feitos com gordura animal, em geral de porco, começam a ser proibidos ou restringidos, o que abre um grande potencial para óleos vegetais. Se o Governo apoiar clusters de lagares para certificação e exportação, teremos um retorno de jovens técnicos nas pequenas cidades. "Um dos stands que atraiu mais atenção na Feira Nacional do Azeite...tinha produtos de beleza... feitos no Reino Unido com azeitonas compradas a comunidades carenciadas, em Itália". Francisco Lino, da Confraria do Azeite da Cova da Beira diz, "Portugal deve apostar neste tipo de inovações".

     

"O consumidor não está informado sobre a produção, há grandes diferenças entre o azeite refinado e o virgem" diz José Fernando, diretor-técnico da Cooperativa Agrícola de Portalegre, acrescentando: "A distribuição é das grandes superfícies, que desmantelaram os canais que existiam". Segundo este responsável, faltam infraestruturas: "A desertificação, a falta de vias de comunicação, de investimento privado e público... Estamos à margem do desenvolvimento, por parte dos governos centrais". Os entraves são "a burocracia que encontramos diariamente para resolver qualquer assunto. Apenas deixo esta questão; afinal, precisamos ou não de empreendedores?" Ainda segundo este responsável, "a AICEP poderia, em parceria com os consulados, desenvolver contatos, provas e degustações". A Cooperativa Agrícola de Portalegre congrega mais de dois mil produtores, produz 350 mil litros por ano e já exportou para a Bélgica, França, Angola e Alemanha.              

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