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Quinta do Barranco Longo renova tradição com tecnologia moderna
Casos de sucesso
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04/11/11, 00:00
OJE/Jack Soifer*

O gestor Rui Virgínia explicou ao OJE as razões que o levaram a optar pela actividade vitivinícola e a investir, há 10 anos, em 15 hectares em Algoz, concelho de Silves, no Algarve.

 
Partindo da cidade de Silves rumo ao interior deste concelho serrano ponteado de alfarrobeiras, avistando o que resta das outrora modestas, mas bonitas casas caiadas de branco onde nasceram alguns dos que enriqueceram com a especulação imobiliária algarvia, chega-se, por uma estreita estrada, a uma moderna adega.

A Quinta do Barranco Longo, em Algoz, Silves, renova a tradição do vinho, aplicando a moderna tecnologia para torná-la de alta qualidade e produtividade. São 15 hectares plantados entre 2003 e 2004 com as castas Chardonnay, Arinto e Viognier para vinhos brancos e Syrah, Touriga Nacional e Alicante Bouschet, tintos. Os vinhos são elogiados pelos estrangeiros que residem na região.

Em 2010, esta quinta produziu 150 mil garrafas; em 2011 conta encher outras 150 mil. O seu principal mercado é o Algarve, onde o vinho é distribuído em hotéis, restaurantes e outros estabelecimentos turísticos através do canal Horeca. Há 10 anos, o gestor Rui Virgínia idealizou o projecto Quinta do Barranco Longo, cujas portas abre ao OJE, explicando as razões que o levaram a optar pela actividade vitivinícola e a fazer o investimento.


Porque decidiu investir na actividade vitivinícola?
Uma região com 3000 horas de sol, terrenos argilo-calcários e um mercado potencial à porta despertou-me o interesse por este sector, como uma oportunidade e um desafio.

Que razões o levaram a escolher esta quinta?
As características climáticas e a excelente localização do barrocal algarvio, entre Algoz e São Bartolomeu de Messines.

E as castas, porque escolheu estas e não outras?
Por intuição e por saber que num mercado regional, mas com consumidores de todo o mundo, um projecto vitivinícola no Algarve não podia ficar limitado apenas a castas portuguesas.
 
Quais são as principais dificuldades da agricultura da vinha?
Doenças criptogâmicas, como são o caso do míldio e do oídio, que combatemos de forma eficaz através de tratamentos preventivos, amigos do ambiente e mais económicos. A nossa vinha está sob produção integrada.

Qual foi o principal obstáculo na comercialização do vinho?
Para a nossa empresa, o maior obstáculo, na primeira fase, foi vencer o descrédito total e a má imagem do vinho da região. Passados estes anos de implantação, os vinhos Barranco Longo são líderes a vencer preconceitos.

O que é o mais difícil no processo de exportação?
A distância dos mercados consumidores e a pequena produção da nossa empresa.
 
Em que medida o Instituto da Vinha e do Vinho poderá contribuir para dinamizar a actividade exportadora de empresas como a vossa? 
O programa de internacionalização "Wines of Portugal" está a andar, vamos ver se os milhões de euros investidos pelo Estado servirão efectivamente para melhorar o sector. Nos últimos anos não faltaram programas e relatórios. Andámos anos a bater mercados indicados pelo relatório Porter-Monitor que se traduziu num autêntico fiasco para os nossos vinhos. Actualmente, o maior mercado de exportação é Angola.
 
No concreto, que facilidades poderá o Governo conceder às empresas?
As embaixadas devem ser entrepostos comerciais dos produtos portugueses. A AICEP está longe de cumprir o seu dever e as embaixadas não querem ter nada a ver com ela.
 
No que se baseia para dizer isso?
Tenho dois episódios de visitas a embaixadas portuguesas. Numa indicaram-me um excelente restaurante para levar a minha mulher a jantar no seu aniversário. O restaurante era frequentado pelos nossos representantes onde levavam os convidados da embaixada, mas não tinham vinhos portugueses. Noutro país, outra embaixada, portanto, o Embaixador respondeu-me na cara que não valia a pena estar ali a perder tempo, naquela capital só queriam vinho francês...
 

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