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"América Latina será zona de grandes parcerias económicas para Portugal"
Entrevistas
21/01/10, 10:41
Por Ana Santos Gomes/OJE

Potenciar relações comerciais entre Portugal e os vários mercados da América Latina é um dos principais objectivos do Encontro de Lisboa que, a partir de hoje, reúne diplomatas e empresários na Fundação Calouste Gulbenkian.

 

"Portugal conhece mal o enquadramento político e económico da América Latina e também conhece mal a posição que a América Latina pode vir a ter no contexto económico internacional, nomeadamente como eixo das grandes rotas comerciais do século XXI".
A afirmação é de José António Silva e Sousa, vice-presidente da Fundação Luso Espanhola, que hoje promove na Fundação Calouste Gulbenkian o Encontro de Lisboa. "Depois de nove anos a trabalhar as relações entre Portugal e Espanha, estamos agora empenhados na expansão das duas economias para mercados de influência portuguesa e espanhola, onde se pode encontrar um grande potencial", justifica Silva e Sousa. "Já estamos a trabalhar na relação entre Espanha e África porque em Espanha há maior desconhecimento da realidade africana e vamos começar agora a trabalhar em Portugal o mercado da América latina pelas mesmas razões", acrescenta o vice-presidente da Fundação Luso Espanhola.
Silva e Sousa reconhece que entre os vários países da América Latina é com o Brasil que Portugal tem maior facilidade de relacionamento, pelas suas ligações históricas e culturais, "mas actualmente todos os grandes países da América Latina são importantes no novo contexto geoestratégico internacional", antecipa, destacando a possibilidade de se desenharem "eventuais rotas inesperadas, como Brasil - Japão", revela o vice-presidente da Fundação Luso Espanhola. Ainda assim, Silva e Sousa reconhece que "o conhecimento da realidade brasileira tem avançado muito em Portugal e o conhecimento da realidade portuguesa também tem crescido muito no Brasil".

 
América Latina e China
Lembrando que há já grandes comunidades portuguesas em vários países da América Latina hispânica, como a Argentina, onde a segunda geração tem muitos empresários, Silva e Sousa acredita que é possível aproveitar o conhecimento que a Espanha tem sobre os países de língua espanhola para Portugal cooperar na expansão, colocando as suas empresas nesses países. "Portugal e Espanha têm grande capacidade de intervenção na América Latina na área dos serviços e, a partir daí, é preciso enquadrar as nossas empresas no novo conceito de rotas comerciais. Já estamos a assistir à deslocação de muitos quadros portugueses para países da América Latina, sobretudo jovens. E é preciso criar mecanismos de facilitação entre a Europa e a América Latina para maior flexibilidade de pessoas e serviços", alega.
"Definitivamente, a América Latina deve ser encarada como zona de parceria económica", sublinha Silva e Sousa, antecipando uma convicção profunda numa potencial ligação comercial com a China no presente século. "Digo isto pela necessidade que o mercado oriental tem de matérias-primas e pela abundância de matérias-primas e bens essenciais que existe em África e na América Latina. Estou seguro que se desenharão novas grandes rotas comerciais entre a China e África e entre a América Latina e a China e também entre África e a América Latina", antecipa o vice-presidente da Fundação Luso Espanhola.

 

Soares e Fauri juntos em Lisboa

"Europa e América Latina, uma relação privilegiada" é o tema da conferência de inauguração do Encontro de Lisboa e que estará a cargo de Mário Soares. O antigo presidente da República vai identificar as potencialidades da relação do velho continente com os mercados latino-americanos num encontro onde estarão presentes Jorge Fauri, Celso Vieira de Souza e Alberto Navarro, respectivamente embaixadores da Argentina, Brasil e Espanha. O Encontro de Lisboa decorre entre hoje e amanhã na Fundação Calouste Gulbenkian.

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