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João Amaral: “Não há soluções portuguesas para Espanha nem soluções espanholas para Portugal”
Entrevistas
23/11/11, 00:05
Por Almerinda Romeira

João Amaral é o responsável máximo do negócio da Toshiba nos dois países ibéricos. O gestor, um apaixonado por tecnologia, não tinha urgência em fazer carreira internacional, mas foi confrontado com essa eventualidade. O convite partiu do presidente europeu e traduz o reconhecimento pela obra feita.



 
O novo Regional Manager da Toshiba desenvolveu a sua actividade profissional nas tecnologias de informação. Foi programador, consultor, director de informática e responsável pela gestão de negócio de várias empresas. O encontro entre João Amaral, 49 anos, e o gigante de alta tecnologia Toshiba deu-se na viragem do milénio, tendo o gestor assumido a responsabilidade de desenvolver a companhia no País. Fez de tudo e foi tudo: responsável pela abertura do escritório, responsável pela implementação da infraestrutura de serviço e atendimento ao cliente e responsável pela constituição de uma rede de parceiros de canal. Em 2003, ascendeu a director-geral.

Ao longo de uma década de ligação à Toshiba Europa, João Amaral viu, várias vezes, a sua gestão ser reconhecida pela Toshiba Corporation devido à performance da subsidiária no desenvolvimento de soluções de negócio.

"O facto de já estar na companhia há mais de 10 anos e conhecer bastante bem a equipa de Espanha, dá--me confiança para acreditar no sucesso desta nova etapa", sublinha, justificando:  "Apesar de serem dois mercados bastante diferentes, pretendo partilhar boas práticas entre as duas equipas e tentar replicar, com o mesmo sucesso, toda a estratégia desenvolvida em Portugal".

A responsabilidade do negócio ibérico, que lhe foi atribuída há pouco mais de meio ano, obriga-o agora a repartir-se pelos dois países da Península: de terça a quinta-feira, está em Espanha; de sexta a segunda, em Portugal.
 
Quando e em que circunstâncias foi para Espanha?
Por convite directo do presidente europeu, devido à minha experiência e aos bons resultados alcançados ao longo de 10 anos à frente da Toshiba Portugal.

Como está a correr a adaptação?
Muito bem. Ao início, estava um pouco desconfortável, no entanto, após seis meses, sinto-me integrado e já consigo ver resultados concretos do meu contributo para o negócio da subsidiária espanhola.

É a primeira vez que trabalha no estrangeiro? Fazer carreira internacional era um objectivo?
Sim, enquanto profissional é a primeira vez. No entanto, já tinha estudado três anos no estrangeiro. Não tinha urgência em fazer carreira internacional, mas sabia que, mais tarde ou mais cedo, seria confrontado com essa eventualidade.

Como caracteriza a sua relação com a Toshiba na Península Ibérica? O que representa a empresa para o grupo internacional a que pertence?
Considero-me um recurso essencial desta empresa que tenho honra e orgulho em servir diariamente. Tenho sempre em consideração a influência e o valor acrescentado que a nossa empresa pode e deve ter ao nível do desenvolvimento económico e da criação de riqueza na zona geográfica pela qual sou responsável.

Quais são as vantagens e as desvantagens de liderar uma equipa estrangeira num país estrangeiro?
Há uma coisa que aprendi muito cedo: em cada País, ninguém melhor que os "nativos" para gerir os seus desígnios; assim, em Espanha, espanhóis e em Portugal, portugueses.
Quero com isto dizer que ninguém melhor do que as pessoas de um determinado país conhece a cultura e o negócio desse país. Neste sentido, há benefícios em aproveitar as boas práticas dos diferente países e em replicá-las eventualmente noutros, mas sempre tendo em atenção que as estratégias comerciais são distintas. Não há soluções portuguesas para Espanha nem soluções espanholas para Portugal.
A grande vantagem que se coloca, em termos de uma gestão de topo comum, prende-se com poder falar--se a uma voz perante a casa-mãe.
 
Perante quem responde o director-geral da Toshiba Ibérica?
Perante o Presidente da Toshiba Europa. Existem cinco regiões, e a Ibéria é uma delas.

Que desafios enfrenta diariamente como responsável de uma empresa Ibérica?
Os mesmos de qualquer multinacional. Na minha perspectiva, e dadas as necessidades, o maior desafio talvez seja o domínio da língua.

O que de fundamental na gestão distingue Portugal e Espanha?
O que diferencia os negócios de país para país são os parceiros com que se trabalha e a forma como os modelos de negócio são adaptados aos diferentes mercados. O maior ou menor sucesso é ditado fundamentalmente pela equipa com que se trabalha, razão pela qual é fundamental vermo-nos rodeados de equipas competentes, motivadas e que se responsabilizam pelos projetos que têm em mãos.
Tenho muito orgulho na equipa que construímos em Espanha, tal como tenho obviamente na que me acompanha há anos em Portugal.
 
 

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