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"Limitações de água e agrícolas podem ser ultrapassadas"
Entrevistas
14/04/10, 10:22
Por José Sousa Dias

A Win Resources é a mais recente empresa portuguesa em Cabo Verde. Quer apostar na área da Consultadoria, mas também no Turismo Rural de excelência, no agro-negócio e agro-industrial. Liderada por Davide Freitas, 37 anos, tenciona ocupar áreas de elevado potencial no arquipélago.

 

Qual é o universo do Grupo Win?

A Win Resources, e o Grupo Win, é um conceito criado em 2007 que reúne um conjunto de empresas, sedeado em Portugal com representações noutros países, nomeadamente na Bulgária e em Cabo Verde. Basicamente, a nossa missão consiste em criar as ferramentas para a modernização do tecido industrial, muito vocacionado para o Mundo Rural, agro-negócio, turismo em espaço rural, etc. São três empresas em Portugal de participação directa. A Win Resources é uma empresa de consultadoria e de investimento na parte agrícola, agro- -industrial e turismo em espaço rural. A consultoria é muito especializada nessas três áreas e é a génese de todo o conceito "Win". Há também a Win Performance, que tem a parte de comunicação e marketing, com a gestão de "call centers", promoções, telemarketing, etc. A Win Rural é a terceira empresa, que tem como "core business" a distribuição internacional de produtos de Portugal para o estrangeiro e de alguns países, como Cabo Verde, para a Europa e Estados Unidos, onde fazemos o"trading" internacional de produtos. Por sua vez, a Win Resources participa numa empresa de transformação industrial de madeira, com um grupo altamente especializado e de elevada qualidade, destinada a centros hípicos e outros equipamentos do género.

Também estão na Bulgária?

Sim. Temos uma participação na Win Mape, que é uma empresa também de consultadoria agrícola e agro-industrial, onde fazemos projectos de investimento, arquitectura e engenharia para os sectores de actividade ligados ao mundo rural.

E em Cabo Verde?

Em Cabo Verde, faz agora um ano, começámos a investir e criamos a Win Resources, uma empresa de direito cabo-verdiano que faz a gestão do negócio de consultadoria e de investimento no mercado local. A Win Resources de Cabo Verde foi oficializada este mês (Abril de 2010).

Onde estão a actuar?

Começámos a fazer um trabalho para a UnoTour, que é a câmara dos operadores turísticos de Cabo Verde, que foi considerado de excelência. O trabalho consistiu numa caracterização do potencial, município a município, em todas as ilhas, em termos de turismo rural. Fizemos esse levantamento e será apresentado até Maio. Começámos, no início deste mês de Abril, um estudo para a Direcção Geral de Agricultura, Silvicultura e Pecuária (cabo-verdiana), que consiste num levantamento do potencial de agro-negócio em todas as ilhas. Como se mudam os paradigmas de uma agricultura tradicional e de subsistência para uma que, sendo tradicional, pode ser rentável e contribuir para o desenvolvimento económico das populações. O artesanato, a floresta, etc, todas as componentes que têm impacto económico no mundo rural.

Vamos por partes. Comecemos pela área da Consultadoria. Qual é o vosso objectivo?

A nossa empresa é uma consultora especializada. Trazemos um "know-how" que, penso, poderá beneficiar quer o sector público quer os investidores privados a tomarem as melhores decisões em modelos de negócio a implementar na sua actividade e que crie valor acrescentado. Trabalhamos também na pesquisa das melhores soluções de financiamento para os investidores privados. Pretendemos que os investidores cabo-verdianos possam ter as ferramentas para queimar etapas do desenvolvimento e que permitam, por esta via, criar valor acrescentado aos negócios. Queremos ajudar a combater a desertificação, o abandono das terras e incentivar as pessoas a regressarem à terra, encarando-o como algo moderno e não à antiga.

O solo cabo-verdiano é bastante árido...

Cabo Verde tem dois problemas em termos de agricultura: a pouca quantidade de terra arável e a escassez de água. São duas limitações. Essas limitações podem ser ultrapassadas utilizando técnicas e tecnologias modernas. Há as estufas, utilizando a hidroponia e a rega gota a gota, usando dessalinizadores, microdessalinizadores, para aproveitar a água do mar. Há também a possibilidade de se utilizarem sementes melhoradas, raças melhoradas, que aguentem melhor a aridez do terreno, para garantir melhores produções. Há uma grande dependência alimentar externa, que é problemática. Por outro lado, há falta de organização nas produções, que obriga a que existam grandes picos de produção numa determinada altura do ano e pouca produção noutra. Há aqui vários paradigmas que devem ser repensados para que haja uma maior homogeneidade da produção e se possa caminhar para a auto-suficiência alimentar.

Justamente a auto-suficiência alimentar. Cabo Verde poderá lá chegar a médio longo prazo?

Penso que sim. Cabo Verde tem todo o potencial para isso. Claro que não será algo para amanhã. É um trabalho que só terá impacto dentro de alguns anos, mas que tem de ser começado já. Essa mudança de paradigma, de mentalidade, de forma de estar, conduzirá, certamente, a uma grande redução da dependência externa e, porque não, da auto-suficiência alimentar em relação a alguns produtos.

Em relação ao Turismo Rural. Há potencial também?

Sim, há um grande potencial provocado por várias características específicas. Uma delas é a diversidade inter- -ilhas e a que existe dentro de cada ilha. Cabo Verde deve ser analisado a uma escala pequena. Santiago não é uma ilha homogénea mas heterogénea, com muitas coisas interessantes que se podem explorar, como o "bird watching", o "tracking". Tem também todas as componentes que interessam e que atraem o turista com capacidade económica, que traz riqueza às populações locais, porque interage com elas. Há um grande potencial. Há nichos interessantíssimos a explorar e a desenvolver. Mas depois é necessária também a promoção internacional e a criação da marca Cabo Verde, em curso, será imprescindível.

Qual é o montante global de investimento em Cabo Verde?

Se dividirmos o negócio da Win Resources em dois, diria o seguinte: fizemos um projecto de promoção da área da consultadoria, orçamentado no total em 150 mil euros e executado nos anos de 2008, 2009 e no princípio de 2010. Esse foi o investimento e que terá continuidade nos próximos tempos. A segunda área é a ligada ao investimento directo em Cabo Verde, em que perspectivámos um conjunto de negócios, isoladamente e em parceria com investidores cabo-verdianos, para dinamizar dois ou três investimentos, que rondará sempre, da nossa parte, o milhão de euros.

E qual é o número de empregos que podem gerar, bem como as metas a atingir?

Voltando a dividir em duas áreas principais, a empresa de consultadoria é um negócio que, pela sua especialização, não cria muitos postos de trabalho directos, mas cria postos de trabalho altamente qualificados. Pensamos que, em cruzeiro, poderemos ter dez colaboradores, que serão sempre pessoas qualificadas. Como objectivos nesta área, pensamos que poderemos chegar aos 600 mil euros de facturação anuais. Os outros investimentos criam muitos mais postos de trabalho, entre directos e indirectos. Por exemplo, para a unidade de turismo rural do interior de Santiago está pensada a criação de 50 postos de trabalho directos e indirectos.

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