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Luís Carvalho Lima: “Precisamos de 60 mil a 70 mil casas para arrendar no imediato"
Entrevistas
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13/10/11, 08:43
Por Mafalda Simões Monteiro e Vítor Norinha (textos) e Victor Machado (fotos)

O mercado de arrendamento pode rapidamente substituir o mercado proprietário desde que sejam criadas condições fiscais e jurídicas apropriadas, afirma Luís Carvalho Lima, presidente da Direcção Nacional da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP). Diz que é necessário, no imediato, 60 a 70 mil casas para arrendar e desanuviar a indústria. Na construção e promoção cerca de 30% das empresas poderão fechar até final do ano e 12% a 15% das mediadoras irão pelo mesmo caminho.

Foi anunciada a intenção de lançar novas regras a nível de licenciamento de obras de reabilitação. O que foi anunciado é suficiente? Qual foi o papel desempenhado pela APEMIP?
Infelizmente não é suficiente e, nesse contexto, pedi uma audiência à senhora ministra do Ordenamento do Território para lhe dizer exactamente o que pensamos sobre essa proposta. Ainda antes dessa audiência reuni com todos os grupos parlamentares e não fiquei com boas expectativas. Dei-lhe uma série de números, que são preocupantes. Estou muito receoso sobre aquilo que vai acontecer, porque as indicações são alarmantes. Vai haver incumprimento de construtores e promotores e sublinhei à ministra a urgência em fazer sair uma lei que fizesse dinamizar o mercado do arrendamento.

A ministra disse que o que está previsto no plano da "troika" são medidas para a questão da reabilitação. Enquanto presidente da APEMIP, penso que é um erro de palmatória. Vamos continuar a cometer o erro que fizemos no passado: temos de nos convencer de que quem manda no mercado é a procura e não a oferta. O paradigma mudou. Antigamente construía-se o que se quisesse e havia sempre quem comprasse. Hoje em dia não.

A reabilitação é um desígnio nacional, que toda a gente quer, mas temos de saber a quem é que vamos dirigir essa reabilitação. Temos, antes de mais, de procurar mercado para a reabilitação. Temos de puxar pelo mercado de arrendamento.

Penso que primeiro deveria sair a lei do arrendamento ou deveriam, pelo menos, sair em simultâneo, arrendamento e reabilitação. Com o anterior Governo, fizemos uma negociação, não foi fácil, especialmente no que diz respeito à carga fiscal sobre as rendas, caso da taxa liberatória, que é algo que defendo muito apaixonadamente.

A actual responsável da tutela respondeu às minhas insistências com os compromissos com a troika: terão de sair medidas sobre a reabilitação e até ao final do ano as medidas principais sobre o arrendamento.

Salientei que a ministra tem de fazer sair rapidamente qualquer coisa sobre o arrendamento porque, da maneira como o mercado está a ficar, muitas empresas não vão aguentar até ao final do ano. Ou vemos uma luz ao "fundo do túnel" para tentar captar investidores para o mercado de arrendamento, que por sua vez pode puxar o mercado de reabilitação, ou então muitas empresas não vão aguentar.

A ministra mostrou-se interessada nisto e eu dei-lhe uma série de dados. Disse-lhe que para haver um equilíbrio entre a oferta e a procura são necessárias 60 a 70 mil casas rapidamente no mercado.

Actualmente o mercado do arrendamento está a aumentar do lado de quem procura. Há cerca de dois anos, em cada 100 pessoas, 70 procuravam comprar. Hoje em dia, é precisamente o inverso. E o que acontece quando há muita procura e pouca oferta? As rendas em vez baixar, sobem e os proprietários tornam-se mais inflexíveis na negociação.

Por exemplo, antigamente negociávamos o preço da renda com o condomínio. O proprietário pedia 500 euros de renda, mais 40 para o condomínio. Mas 90% das vezes os contratos eram fechados com o condomínio incluído. Hoje em dia, acontece precisamente o inverso. O arrendatário é o elo mais fraco.

Eu sempre disse que o incumprimento no arrendamento não era tão grande como as pessoas imaginavam - embora não existam dados para o asseverar. Há um vigarista ou outro que paga duas rendas e fica lá um ano ou dois anos, mas são estes que criam uma má imagem e geram falta de confiança a quem quer investir. O proprietário em vez de colocar o valor da renda em 500 euros, coloca em 600 euros para se proteger, o que é um erro. Obriga algumas pessoas, que querem casa mas não podem comprar, a aceitar pela necessidade de habitação. Acaba por acontecer aquela situação dos filhos terem de ir viver com os pais, mesmo depois de casar, o que era inimaginável há 15 ou 20 anos.
 

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