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"Temos de nos especializar em algumas áreas"
Entrevistas
13/07/09, 11:53
OJE

Devíamos aproveitar a massificação do computador pessoal em Portugal, graças aos programas e-escolas e e-escolinhas, para garantirmos a criação de conteúdos e soluções, defende João Amaral, director-geral da Toshiba Portugal
A retoma está à vista? Para quando? Portugal recupera em linha com a Europa ou terá uma retoma mais tardia? De quanto será o desfasamento?
O mundo ocidental vive uma crise que se baseia no facto de termos abandonado a produção de bens e produtos e de nos termos concentrado nos serviços em geral. Isto é uma "guerra mundial", temos de conseguir um equilíbrio garantindo alguma capacidade de produção e gestão dos recursos locais. Senão mais tarde ou mais cedo seremos completamente dominados pelos nossos concorrentes directos. Não temos de produzir todo o tipo de "armas". No entanto, devemos especializar-nos em algumas áreas muito específicas tendo em conta o nosso engenho lusitano. Uma das possibilidades poderia ser aproveitar a massificação da utilização de computadores pessoais portáteis, graças à distribuição por via dos programas e-escolinhas e e-escolas, para garantirmos a criação de conteúdos e soluções.

 
Que impacto teve a actual recessão no seu sector da actividade? Houve fusões e aquisições? Falências? Despedimentos?
No nosso sector a nível internacional tem havido muitas fusões e aquisições. No entanto estou em crer que o futuro nos reserva muitas mais. A crise e os despedimentos não são situações graves, são situações com as quais temos de saber conviver e ultrapassar. O ser humano, desde os seus primórdios, sempre foi um "caçador". Não nos podemos acomodar, temos de saber ler os sinais de que é altura de partir para novas aventuras. O progresso garantiu-nos o básico (e muito mais) e tornou-nos seres "gordos" e "preguiçosos", para além disso perdemos uma característica muito importante, deixámos de pensar no todo e passamos a pensar no "eu". Aliado a esse facto, começámos a perder qualidades tais como a falta de objectividade, rigor, credibilidade e muito mais importante capacidade de adaptação. O sistema tem de mudar e evoluir, temos todos de evoluir, temos de contribuir para o todo. Só com o interesse, esforço e a colaboração de todos conseguiremos manter e criar um mundo melhor. A tecnologia é a ferramenta que apenas nos garante uma maior rapidez e fluidez dos processos. A diferença está na forma como a tecnologia é utilizada pelos humanos para proveito da própria humanidade.

 
Depois de ultrapassada a crise, o seu sector de actividade voltará a ter o mesmo perfil que tinha anteriormente? Que mudanças se perspectivam?
O sector nunca voltará a ser o mesmo. As inovações tecnológicas garantirão essa evolução, quer pelas nossas mãos quer pelas mãos dos nossos concorrentes. Lembro-me sempre da máxima "se não tomares conta do teu cliente, alguém o fará". A convergência digital trará grandes benefícios para a sociedade e obrigará a uma reestruturação, não só de todas as empresas do sector, como também da forma como futuramente comunicarmos e colaborarmos.

No caso concreto da sua empresa, sai mais forte ou mais fraca desta crise?
Espero sinceramente que a Toshiba saia mais forte, mas há que estar muito atento aos sinais. Estamos cada vez mais dependentes uns dos outros e da rapidez com que adoptamos as novas tendências ganhadoras. Quando, em 2007, decidimos abandonar o HD-DVD parecia que tínhamos perdido uma guerra; hoje estamos certos de que fizemos a melhor escolha pois mantivemos o DVD, que continua a representar mais de 90% do mercado, e focalizámo-nos na distribuição on-line de conteúdos que será, com toda a certeza, o estágio seguinte na distribuição de conteúdos. No que respeita à Toshiba Portugal, temos uma estrutura muito ligeira adaptada a um modelo de negócio que vive num ambiente de crise e mutação constante. O segredo está na qualidade e não na quantidade.

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