A Kaspersky "já lidera o segmento doméstico", disse o responsável ibérico da empresa, Ovanes Mikhailov, a propósito da abertura do escritório em Portugal. O grande desafio é agora "ampliar a quota de mercado no segmento empresarial".
A Kaspersky Lab é um fabricante de produtos e soluções de segurança informática, nomeadamente contra vírus, spam e ataques de hackers. Com origem na Rússia, em 1997, tem mais de mil empregados e 250 milhões de utilizadores em todo o mundo. A rede de distribuição da Kaspersky abrange mais de 100 países.
Depois de operar, desde 2005, através de parceiros, em Portugal e da abertura do escritório ibérico em Junho de 2008, a Kaspersky abriu um escritório em Portugal a 26 de Maio.
A propósito da instalação física em Portugal colocámos algumas questões por e-mail a Ovanes Mikhailov, director-geral da Kaspersky Lab Ibéria e responsável pelo escritório em Portugal.
Porque abriram um escritório em Portugal?
Dentro da nossa estratégia de expansão geográfica, fazia todo o sentido abrirmos esta representação em Portugal, que muito tem contribuído para a sólida posição de que hoje desfrutamos na região ibérica.
Quais os objectivos deste escritório?
Os objectivos são os de contribuir, com a nova estrutura, para o desenvolvimento e promoção da marca Kaspersky, bem como para uma maior proximidade, em termos físicos e de idioma, com clientes e parceiros.
Todos os mercados têm as suas especificidades e, embora a Kaspersky Lab Ibéria continue a fornecer a Portugal todas as ferramentas e suporte necessários a clientes e parceiros, era importante contar com uma estrutura local que falasse a mesma língua e compreendesse verdadeiramente e em tempo real as suas necessidades.
A vossa aposta é o mercado empresarial ou doméstico?
A realidade é que, à data de hoje, o segmento doméstico continua a ser a área de negócios mais representativa para a Kaspersky em Portugal. Mas, com este novo escritório territorial, um dos nossos objectivos é entrar cada vez mais no mercado corporativo e replicar o enorme êxito que temos tido no mercado de retail.
Quantas pessoas trabalham na empresa em Portugal?
O novo escritório da Kaspersky Lab começará por ter uma estrutura comercial de duas pessoas, mas os objectivos da companhia são a expansão deste número, já no próximo ano, para as cinco pessoas. A gestão do negócio em Portugal será assegurada por mim.
Quais os desafios de entrar num mercado que já está maduro e onde já actuam inúmeras outras empresas?
As nossas expectativas apontam na direcção de um objectivo muito claro: ser a solução de segurança número um na região da Ibéria, tanto em Portugal como em Espanha. Em Portugal já somos número um em soluções de segurança para o sector doméstico, pelo que o nosso grande desafio será ampliar a nossa quota de mercado no segmento empresarial. Para 2010 esperamos na região da Ibéria um crescimento de dois dígitos.
Alguma da vossa investigação e desenvolvimento (I&D) é feita em Portugal? Porquê?
Não. Em termos de I&D, os laboratórios principais da Kaspersky Lab encontram-se em Moscovo. Mais de metade dos profissionais que trabalham na Kaspersky Lab são técnicos e engenheiros.
O mundo das TI mudou muito, em muito pouco tempo. Quais são os principais desafios para a segurança informática?
É uma verdade incontornável que o paradigma das ameaças online está a mudar e muito. Desde o final de 2008 que a Kaspersky tem vindo a alertar para o facto de os smartphones e as redes sociais se tornarem o grande raio de acção dos cibercriminosos. Com efeito, o êxito dos chamados telefones inteligentes e o seu uso cada vez mais activo no trabalho, para aceder à Internet, às contas bancárias, para pagar produtos e serviços, etc., provocará um aumento no número de delinquentes que queiram enriquecer através da disseminação de malware para dispositivos móveis. Acreditamos mesmo que a evolução deste tipo de ameaça será similar à que atingiu os PC e, com o passar do tempo, alcançará as mesmas quotas de malware. Também durante este ano observámos os primeiros exemplos de vírus especificamente desenhados para redes sociais como o Facebook ou o Twitter e acreditamos que, no próximo ano, esta tendência vai agudizar-se. O grande desafio para as empresas de segurança TI é, assim, investigar e desenvolver soluções de protecção que estejam um passo à frente dos criminosos e, claro, convencer as pessoas da importância vital de as utilizarem.
Quais os prejuízos globais provocados pelos ataques de vírus informáticos e afins?
Todos os dias são detectadas 30 mil novas ameaças, o que ilustra bem a velocidade com que se movimentam os ciber-criminosos. É por isso, e mais do que nunca, fundamental ter bem presentes as consequências de não assegurar a protecção dos nossos activos digitais. Empresas ou utilizadores domésticos, todos têm muito a perder se forem alvo da acção dos ciber-criminosos, sendo que os principais riscos inerentes à ausência de uma política de segurança são a perda de dinheiro e - sobretudo para as empresas - a perda de reputação.
A maioria das vezes estes riscos surgem unidos, pelo que um ataque a uma empresa pode mesmo representar a sua ruína. Um estudo publicado há alguns meses pela Universidade de West Lafayette, nos EUA, avaliou os resultados obtidos num inquérito junto de 800 directores técnicos de empresas de vários países europeus, americanos e asiáticos. Estas empresas reconheceram ter perdido propriedade intelectual no valor combinado de 4,6 milhões de dólares e, para corrigir os danos causados por falhas de segurança, tiveram de gastar cerca de 600 milhões de dólares. Imagine uma empresa que está a desenvolver um produto muito inovador e cuja informação cai nas mãos erradas, sendo depois vendida à sua concorrência. Os danos podem ser irreparáveis.
Que novos produtos vão lançar este ano?
Estamos prestes a lançar, já este mês, as versões 2011 da nossa suite de segurança Kaspersky Internet Security e do Kaspersky Anti-Vírus. As novas versões trazem funcionalidades inovadoras e avançadas que asseguram de uma forma ainda mais completa a segurança do utilizador doméstico.
Além destes, no último trimestre deste ano, a Kaspersky Lab vai também renovar o seu portfolio de soluções corporativas, nomeadamente ao nível do Kaspersky Open Space Security, que é a nossa aproximação à segurança de redes de trans-perímetro onde a protecção se estende além do local de trabalho para chegar a utilizadores remotos e a uma mão-de-obra cada vez mais móvel.
Como vê o seu negócio numa perspectiva a cinco anos? Mais ou menos concorrência? Nacional ou estrangeira? Estão previstos processos de consolidação na vossa indústria?
A avaliar pelo ritmo de crescimento que a Kaspersky tem registado em Portugal, só podemos prever que, daqui a cinco anos, teremos uma presença muito sólida e de liderança no mercado português da segurança informática. Quando, em 2008, a companhia abriu a sua filial ibérica, nada fazia prever que, em menos de dois anos, já estaria a abrir um escritório em Portugal.
Atingirmos o primeiro lugar no ranking do mercado de retail era também um objectivo que ninguém previa alcançar tão rapidamente. Creio que a nossa concorrência acusou o toque e percebeu que a Kaspersky Lab veio para mudar o mercado português das soluções de segurança.