Alexandre Solleiro: "2012 será um ano de desafio permanente"
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01/02/12, 09:13 Por Sandra Martins Pereira / OJE
O ano de 2011 foi de crescimento moderado para a Tivoli Hotels & Resorts e 2012 permanecerá um desafio. Para Alexandre Solleiro, CEO da Tivoli Hotels & Resorts, é fundamental passar das palavras aos atos para fomentar o setor em Portugal.
Qual o balanço que faz de 2011 para o Grupo Tivoli? Qual o vosso principal mercado emissor?
Para a Tivoli Hotels & Resorts, foi um ano de crescimento moderado, concretizado com um enorme esforço comercial e uma grande reatividade das equipas. No entanto, observamos um impacto significativo de aumentos de alguns custos, como o da energia, de algumas matérias-primas e financeiros.
A região de Lisboa e o Brasil contribuíram positivamente para este crescimento moderado, e, no Algarve, conseguimos manter os níveis de atividade e preços do ano anterior, o que consideramos ser uma boa performance, tendo em conta a situação do mercado desta região. O mercado nacional representa cerca de 26% dos nossos clientes e, dos mercados internacionais, o britânico continua a ser o principal, seguindo-se o alemão e o espanhol.
Esperam crescer em 2012? Quais as vossas expectativas para este ano e com que novidades podemos contar?
2012 será um ano de desafio permanente, devido à imprevisibilidade no mercado nacional. Ainda não nos é possível fazer uma previsão. Vamos passar o ano, mês após mês, a tentar fazer melhor que o ano passado.
Tradicionalmente, o peso do mercado internacional na Tivoli Hotels & Resorts é de 75%, pelo que pensamos poder tirar partido do crescimento moderado em alguns dos nossos principais mercados, bem como de alguns mercados com maior dinâmica que têm vindo a ganhar expressão, como Brasil e Angola.
Estamos já na fase de implementação da nossa nova Central de Reservas, cujo principal objetivo é oferecer ao cliente um único ponto de contacto para reservas em qualquer Tivoli Hotels & Resort em Portugal. Esta nova central de reservas irá também otimizar cada contacto com cada cliente e aumentar o cross-selling entre unidades da cadeia. Trata-se de um projecto que abrangerá todos os Tivoli Hotels & Resorts em Portugal e que já arrancou em regime de projeto piloto para os hotéis do Algarve: será uma central de reservas multi-língua, para reservas por e-mail, telefónicas, com click to call e click to chat.
A parceria que a Tivoli Hotels & Resorts estabeleceu em janeiro de 2011 com a Global Hotel Alliance, também com o objetivo de aumentar a percentagem de clientes estrangeiros, que permite, atualmente, comunicar com quase dois milhões de membros GHA Discovery em todo o mundo. O que resulta consequentemente em mais oportunidades de negócio e maior reconhecimento internacional da marca. O cartão Tivoli Discovery já conta, neste momento, com 50 mil clientes membros.
Ainda como uma novidade para 2012, lançaremos em breve a "T/Store", que será a nossa loja on-line, permitindo aos nossos clientes "levar a Tivoli para casa", ao facultarmos o acesso a artigos como roupões e amenities, ou mesmo a nossa já famosa T/Bed, a cama completa com sommier, colchão, lençóis, travesseiros...
Continuaremos a apostar na animação dos nossos pontos de venta de restaurantes e bares, e, nessa área, realçaria o grande trabalho feito pelas equipas na reestruturação das gamas e menús de forma a compensar o recente aumento de IVA na restauração e assim possibilitar aos clientes não gastarem mais nas refeições feitas nos nossos hotéis.
Como vê o setor do turismo neste momento em Portugal? O que tem a dizer sobre o facto de o Turismo de Portugal acabar de perder o estatuto de Instituto com regime especial?
O Turismo tem sido reconhecido, por palavras, como um setor estratégico para o país. Agora, só falta a demonstração em atos. Seja ao nível do Governo ou das entidades públicas, sem esquecer as autarquias, é fundamental agregar e concentrar esforços. Um exemplo: o que fazer para que haja mais turistas para ocupar os quartos disponíveis? E cada vez há mais quartos disponíveis, ficando a pergunta "serão necessários?". Mas uma estratégia área a área é necessária, para que possamos ter um crescimento da atividade e da rentabilidade da hotelaria e do turismo como um todo.
Espero que a recente alteração de estatuto do Turismo de Portugal não lhe retire capacidade de resposta rápida de intervenção quando necessário, nem retire verbas, já escassas, para a promoção do país como destino turístico.
Existem destinos, como o Algarve, que estão a sofrer com a crise, com a prática de preços muito abaixo da média por parte de algumas unidades e alguns hotéis encontram-se em grandes dificuldades. Qual a sua opinião e de que forma pensa que o setor hoteleiro poderá responder a este cenário negro?
O turismo é um dos principais setores em Portugal, representando 14% das nossas exportações. Apostar no desenvolvimento do turismo é fundamental para assegurar o crescimento da economia e, em particular, o equilíbrio das contas externas. Há poucos setores tão globais como o do turismo e, se queremos ser competitivos, é imprescindível termos um contexto fiscal favorável em relação aos outros destinos turísticos, por exemplo, em relação a Espanha.
O Algarve necessita de reinventar o modelo desenvolvido nos últimos anos. Esta região possui uma base instalada espetacular; contudo, é indispensável colocá-la a funcionar. O aumento do IVA de 6% para 23% nos campos de golfe é preocupante e poderá trazer um problema ao Algarve. Numa primeira fase, os campos de golfe vão acomodar o aumento do IVA, mas poderão ter problemas de capacidade de reinvestimento no futuro, o que será um verdadeiro problema. E a questão do aumento do IVA na restauração também trará mais dificuldades. Na região do Algarve, há ainda uma questão que é estratégica e devia ser a prioridade, pois constitui um travão à vinda de mais turistas, tanto os de lazer como os de negócio, pela falta de acessibilidade aérea. É preciso dar prioridade ao reforço dos voos para o aeroporto de Faro. Faro não tem ligações diretas permanentes e durante todo o ano aos principais aeroportos da Europa. Se tivesse, o aumento de turistas seria uma certeza.
Um exemplo concreto é o número de congressos e eventos que perdemos exclusivamente por este fator. Fazemos um esforço e somos super competitivos em tudo o resto, mas, nas acessibilidades aéreas, perdemos. Se a isto juntar os aumentos de custos e carga fiscal, é óbvio que a situação não é fácil.
A implementação das SCUT também não tem ajudado na acessibilidade dos turistas a certos pontos do país. De que forma se poderá dar a volta à questão e minimizar os custos dos turistas?
A implementação das SCUT é outro dos problemas que afeta o Algarve, não tanto pelo valor das portagens, mas pela complexidade de pagamento, difícil de compreender e muitas vezes de executar pelos turistas. É fundamental simplificar o processo de pagamento para que os turistas, principalmente espanhóis, não desistam de viajar e fazer férias em Portugal.
Os preços praticados na hotelaria em Portugal continuam muito aquém do praticado noutros países da Europa. Porquê?
A Tivoli Hotels & Resorts obteve um bom desempenho nos hotéis na região da capital devido, fundamentalmente, ao facto de Lisboa se posicionar, cada vez mais, como um destino muito atrativo. Contudo, em Lisboa, continuamos a vender os hotéis a preços que, sinceramente, não estão adequados ao nível do destino.
Acredito que é possível fazer melhor a nível de preços, e quando digo melhor é vender um pouco mais caro, porque não podemos deixar de pensar na perenidade futura de todos os investimentos que estão a ser feitos ou que foram feitos na hotelaria e no destino Lisboa, na recuperação, na modernização, e que têm de continuar no futuro.
Por fim, como poderá Portugal promover melhor a sua imagem?
A indústria turística é uma das que mais se tem desenvolvido ao longo dos anos.
É uma indústria geradora de empregos que tem tido um papel cada vez mais forte no cenário económico mundial e que contribui de forma positiva para o desenvolvimento de diversos países. Portugal apresenta evidentes competências, daí ser fundamental intensificar a sua promoção nos destinos manifestamente conhecidos com um forte potencial de crescimento. Acredito que será necessário comunicar mais com o cliente final, despertando o interesse para considerar Portugal como destino das suas férias ou conferências e congressos. No momento em que esse interesse existir, os operadores turísticos e hoteleiros lá estarão para concretizar com a excelente oferta que temos em Portugal. Mas reafirmo: de nada vale a boa imagem, se não existirem condições e caminhos.