António Charrua: “É difícil nesta altura avaliar o retorno do investimento" Intermail 08/11/11, 09:27Por Inês Andrade/OJE A UCB investe todos os anos mais de 20% do volume de negócios em investigação e no desenvolvimento de novos medicamentos. No primeiro trimestre deste ano, a biofarmacêutica tratou mais de 219 mil doentes que padeciam de artrite reumatóide, epilepsia e doença de Chron, explica António Charrua, director-geral da UCB. A UCB é actualmente uma das maiores biofarmacêuticas mundiais. Entrou no mercado português há cerca de 40 anos, mas conta com mais de 80 anos de história. A UCB Pharma está entre as primeiras 50 empresas europeias no investimento em I&D (pesquisa e desenvolvimento) por colaborador, ultrapassando empresas de renome como a Porsche, a Nokia, a Boheringer Ingelheim, entre outras. António Charrua ganhou a responsabilidade de gerir a empresa há um ano e destaca a dificuldade de tomar decisões na actual conjuntura económica. Qual foi o volume de negócios e o resultado líquido da empresa em Portugal em 2010 e durante o primeiro semestre de 2011? O volume de negócios da UCB Pharma foi de 19 milhões de euros em 2010 e 9 milhões de euros no 1.º semestre de 2011, com resultados líquidos respectivamente de 10% e 4%. A quebra no volume de negócios em 2010 foi de 4%, tendo registado no 1.º semestre de 2011 um volume idêntico ao período homólogo. A quebra em 2010 e o crescimento marginal no 1.º semestre de 2011 estão relacionados com o ciclo de vida dos produtos e com a sua natural erosão. A filial portuguesa representa cerca de 1% do volume de negócios do grupo que se situa nos 3 mil milhões de euros. E a nível global? A nível global, o Grupo UCB registou um volume de negócios de 3,2 mil milhões de euros em 2010, representando um crescimento de 3% face a 2009, fruto do lançamento de novos produtos nas áreas de epilepsia e artrite reumatóide. No 1.º semestre de 2011, o volume de negócios atingiu 1,7 mil milhões de euros e um resultado líquido de cerca de 200 milhões de euros. Quais são as perspectivas para o ano 2011/2012? Não são esperados grandes crescimentos no curto prazo, pelo facto de serem anos de um forte investimento em recursos especializados que possam dar resposta às necessidades dos dois nichos de mercado onde a UCB actua - sistema nervoso central (epilepsia) e imunologia (artrite reumatóide). Em que é que encontrou maior dificuldade durante este primeiro ano que esteve à frente da UCB? Foi um ano de bastante instabilidade em termos de capacidade de planeamento e previsão. Em 2010 tivemos por três vezes alterações significativas ao nível de preços dos medicamentos, o que torna difícil prever e planear neste contexto, para além das medidas resultantes dos vários PEC que culminaram nas medidas impostas pela troika. Têm sido, de forma geral, anos complexos sobretudo pela imprevisibilidade das medidas relacionadas com a política do medicamento e dificuldades de planeamento. De que forma as alterações impostas pelo Governo na área da saúde têm influência no negócio da UCB? Sendo uma empresa eminentemente de investigação, a área dos genéricos está completamente fora do nosso radar, razão pela qual já tínhamos incorporado nos planos o impacto da perda de patentes. As medidas que possam vir a influenciar o negócio da UCB são sobretudo as alterações ao actual sistema dos preços de referência, baseados em preços internacionais para os novos produtos. Sobre os novos produtos esperamos que sejam tomadas decisões rápidas. Pior do que uma decisão favorável ou desfavorável é uma ausência de decisão, isso tem uma influência muito negativa no negócio. Aprova as novas directivas? De uma forma geral sim. É importante não esquecer que o objectivo principal, num estado social como o nosso, é a manutenção da sustentabilidade do serviço nacional de saúde, razão pela qual devem existir esforços de todos os quadrantes e a indústria farmacêutica deve, de uma vez por todas, fazer parte da solução e não do problema. Considero que estas medidas eram inevitáveis. Como é que vê as alterações do Governo previstas na alteração do preço de referência dos medicamentos? Vejo com alguma apreensão a forma como serão implementados e como irão afectar outros países para os quais Portugal é referência. Atendendo ao actual portefólio da UCB e no curto prazo, sim estimamos que possa existir alguma retracção, sobretudo nos produtos maduros e alguns já com genéricos. No médio longo prazo pensamos que não, pelas áreas de nicho e inovação onde nos estamos a focalizar. A UCB está a investir em algum novo medicamento? Quais são as expectativas de retorno desse investimento? Temos vários medicamentos em investigação, tanto em fases iniciais como finais. Assinámos inclusive recentemente um acordo de investigação aliando de forma original três áreas do mundo da ciência: básica, aplicada e investigação clínica, sob o qual a UCB financia a Technophage no desenvolvimento de novos agentes terapêuticos usando tecnologia patenteada para a construção de pequenos domínios de anticorpos. Dada a imprevisibilidade que reveste o processo de investigação, comercialização e comparticipação de um medicamento, é um pouco difícil nesta altura avaliar em Portugal o retorno deste investimento. Que percentagem do orçamento é atribuída à investigação? O nível de investimento em I&D tem-se situado sistematicamente acima dos 20% do nosso volume total de negócios, nos últimos quatro anos. Acredita que o sector biofarmacêutico vai contornar a crise? Sentiram consequências da retracção da actividade económica? Penso que sim, não só em Portugal, mas sobretudo na Europa. A descoberta do genoma abre inúmeras oportunidades à inovação, relativamente às quais a indústria biofarmacêutica está particularmente bem posicionada para explorar, tornando-se mais competitiva. É um facto ao qual não estamos isentos, em particular no que concerne ao crescente volume da dívida hospitalar. Os recebimentos por parte das instituições públicas são praticamente inexistentes no último ano, gerando problemas na gestão de tesouraria. Adaptámos e redimensionámos a estrutura da UCB há três anos apostando de forma clara em quadros com uma formação diferenciada, aptos a dar uma resposta adequada às necessidades dos nichos de mercado altamente especializados onde actuamos. Focam-se no tratamento de doenças do foro do sistema central nervoso e de doenças graves imunológicas. Será este âmbito que vão continuar a desenvolver ou planeiam expandir-se para outras áreas médicas? Estas são as áreas chave de investigação da empresa. Investigar e conhecer os mecanismos fisiopatológicos associados às doenças do sistema nervoso central e imunológicas obriga a um conhecimento acumulado de anos, razão pela qual a curto e médio prazo não é intenção da UCB expandir-se para outras áreas e sim aproveitar o conhecimento adquirido para optimizar o processo de descoberta de novos medicamentos. ![]() ![]() ![]() 18/05/12, 07:55 Carlos Gonçalves: “O escritório virtual é o modelo de futuro”No âmbito da conferência "Mercado de Escritórios - Sustentabilidade, Gestão de Espaços e Tecnologias de11/05/12, 01:00 Mário Monteiro: “Em época de crise estamos devidamente implementados”A comemorar 60 anos, a Adega Cooperativa de Favaios assume uma visão futurista e revela estar bem atenta aos04/04/12, 00:50 Hernâni Magalhães: "Queremos crescer mais de 30% no mercado externo"A Silvex está atenta à inovação e às exportações. Na I&D, está, entre outros projetos, a desenvolver
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