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"Apostamos na responsabilidade social"
Intermail
23/11/09, 10:29
OJE

"A imprensa tudo deve fazer para que o desemprego seja menor", afirma o presidente da empresa editora do OJE sobre a conferência "Mercado laboral: responsabilidade das empresas em contexto de crise", que se realiza esta quarta-feira

 

 

 

  Promover uma conferência sobre a Responsabilidade Social das Empresas, enquanto empregadoras, num mercado em crise é, no mínimo, um acto de coragem ... O que espera conseguir com o evento?
Não me parece que seja um acto de coragem promover, num momento difícil, uma conferência que tenta discernir os caminhos que os empresários podem seguir para criar emprego ou evitar o despedimento de colaboradores. Antes pelo contrário, estou certo que a imprensa, particularmente a económica, tudo deve fazer para que se criem postos de trabalho e para que o desemprego seja menor. Tal responsabilidade é ainda maior em alturas de crise como aquela em que vivemos. Foi com este propósito, com a clara noção de que não fazia mais do que cumprir o seu dever social, que o OJE, em estreita colaboração com o Portal VER, avançou com o evento. Contou, desde a primeira hora, com o apoio de três entidades: a Central de Cervejas e Bebidas, a Liberty Seguros e a Select/Vedior. Contou também com a Sociedade de Advogados Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva  Associados que disponibilizou generosamente o seu auditório. Através desta conferência e do seu notável painel de oradores e participantes, o OJE e o VER esperam conseguir sensibilizar todos os empresários portugueses para o papel que devem ter nesta hora difícil e debater as estratégias para salvaguardar e criar emprego em tempo de crise. É intenção também dos promotores do evento ajudar a Cáritas Portuguesa na sua missão de apoio aos desempregados, para ela revertendo 50% do valor das inscrições desta conferência. É também vontade dos organizadores deste colóquio dar a conhecer boas práticas e soluções que se revelaram eficazes na protecção do emprego, bem como proporcionar um momento de debate e de partilha entre os participantes para afinar ideias e estratégias.

 
Que temas fundamentais vão ser discutidos na conferência?
A conferência, no primeiro painel, começará por fazer um diagnóstico da actual situação do emprego em Portugal, analisando os seus números e contexto, contando com a ajuda e os conhecimentos do Dr. Augusto Mateus. No tema seguinte, abordado pelo Dr. Pedro Ferraz da Costa, será analisada a responsabilidade social que o empresário tem de ser empregador. Posteriormente, o Dr. Alberto da Ponte, partilhando algumas medidas implementadas na organização empresarial a que preside, procurará consciencializar os agentes económicos e os decisores de que o despedimento deve ser o último recurso a que devem recorrer.
No segundo painel serão apreciadas e discutidas as estratégias de manutenção e criação de emprego. Iniciará a Dra. Paula Garrido, que nos dará conta da gestão de recursos humanos implementada em tempo de crise na Liberty Seguros. Depois, intervirá o Dr. Manuel Santos Carneiro que apresentará novos modelos de emprego ensaiados no Grupo Select/ Vedior e que partilhará o sucesso destas iniciativas. Posteriormente, o Dr. Jorge Filipe, pessoa responsável pela gestão de recursos humanos do Grupo Auchan, que emprega milhares de pessoas, relatar-nos-á a forma como apostaram no capital humano na gestão destes recursos e os efeitos das medidas implementadas. Por fim, o Dr. Nuno Fernandes Thomás irá dar a conhecer uma iniciativa que irá ser lançada e que permitirá que o desemprego possa também ser uma oportunidade para o desempregado.
Manter emprego e garantir a viabilidade da empresa: um dilema ou um desafio para o empresário?
Não me parece que, na maioria dos casos, seja inconciliável manter o emprego e garantir a viabilidade da empresa. Com a crise económica que se arrasta no nosso país há vários anos, é um desafio para um empresário socialmente responsável a manutenção do emprego a todos os seus colaboradores. Sei que nem sempre é fácil encontrar soluções nesta linha, mas acredito que é possível usar o despedimento como último recurso e buscar alternativas que passem pela manutenção dos postos de trabalho. Despedindo, pagando mesmo uma indemnização choruda para que a consciência fique um pouco mais tranquila, nem sempre é o caminho socialmente mais responsável. Nesta linha de pensamento, parece-me que o empresário que pretende evitar a todo o custo o recurso ao despedimento tem de interiorizar este princípio e este valor, tem muitas vezes de desconfiar da análise que ele próprio faz dos factos e das situações e tem de prever, com uma grande antecipação, o momento em que irá implementar qualquer inovação tecnológica que exija menos pessoas ou outras mais qualificadas, procurando, até lá, uma solução de emprego para todas aquelas que já não serão necessárias. Com tempo, é possível formar profissionalmente os empregados e qualificá-los no momento em que mudarão de funções. Com tempo, é possível preparar e ajudar o trabalhador a iniciar uma actividade empresarial após a cessação do seu contrato de trabalho. Com tempo, é possível o empresário procurar e desenvolver uma área de negócio para os seus colaboradores que iria despedir, a qual não precisa de gerar lucro e pode mesmo nem sequer ser rentável.

 
A actual legislação laboral é propícia à manutenção e criação de postos de trabalho?
Não creio que seja. Ao que julgo, são inexistentes os estímulos à manutenção de emprego, sendo diminutos os aplicáveis à criação de postos de trabalho. A suspensão temporária do contrato de trabalho que a lei laboral faculta não resolve os problemas das empresas em dificuldade. Com alguma ajuda financeira do Estado às empresas que pretendem manter os postos de trabalho, talvez fosse possível que, em determinadas situações, se evitasse o despedimento de muita gente. Se entendo que o empresário deve tudo fazer para evitar despedir, tal obrigação é muito maior para o Estado, que ainda para mais terá de pagar os subsídios de desemprego. Não me parece que num momento de profunda crise económica seja suficientemente estimulante para o empresário a criação de postos de trabalho tendo praticamente apenas como benefício a isenção temporária da contribuição patronal para a segurança social por cada trabalhador que se encontre desempregado há algum tempo ou à procura do primeiro emprego. Estou certo de que o grande estímulo que tem de ser dado para a manutenção e criação de emprego passa, essencialmente, por benefícios a conceder às organizações empresariais que se focam no exterior, que se internacionalizam, que são de um grande dinamismo e que, em face das adversidades e conjunturas desfavoráveis no país onde têm a sua sede efectiva, procuram outros mercados e oportunidades.

 
Um dos temas da conferência é "O desemprego como oportunidade". O que significa isto?
O desemprego pode ser uma boa oportunidade para se iniciar uma vida profissionalmente diferente, passando de trabalhador por conta de outrém a empresário. De resto, a actual legislação permite que o desempregado receba a totalidade do subsídio de desemprego que lhe estaria destinado para a criação de uma empresa onde ele esteja envolvido. Na conferência iremos conhecer melhor uma iniciativa da ACEGE na linha atrás referida, que passa pelo lançamento de um fundo de capital de risco que irá investir exclusivamente em projectos empresariais com pessoas que se encontram desempregadas.

 
O OJE tem-se destacado no panorama editorial português pela atenção à Responsabilidade Social. É um eixo estratégico?
Desde a primeira hora que à administração da empresa que detém o OJE e a sua direcção editorial entenderam que a responsabilidade social deveria ser uma aposta do jornal. Isso passa exactamente pelo suplemento mensal que criámos o ano passado em estreita parceria com o Portal VER e também por este tema estar sempre presente na nossa linha editorial. Mas passará também por fazermos uma conferência anual sobre responsabilidade social e por outras iniciativas que estamos a estudar para serem implementadas durante o próximo ano.

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