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Bernard Chantrelle: "Aumentar esforços para vender a marca Portugal"
Intermail
25/11/11, 09:02

Portugal ganha quota nas vendas a França, mas precisa de aumentar o esforço para vender melhor a "marca", diz Bernard Chantrelle, o presidente da Câmara de Comércio Luso-Francesa. O objectivo é aumentar a quota no mercado étnico, mas também nas empresas lideradas por luso-descendentes.

O país precisa de aumentar a notoriedade dos seus produtos e vender a "Marca Portugal" em França. O objectivo é aumentar o saldo comercial a favor de Portugal.
O que explica a subida do volume de exportações portuguesas para França? Quais são as áreas de maior crescimento?

Esta subida explica-se principalmente pelo especial dinamismo do tecido exportador português já visível em 2010, e que foi reforçado em 2011. Assim, de acordo com a fonte INE,
as exportações de Portugal para França aumentaram de 20,2% nos sete primeiros meses de 2011 em relação ao período homólogo de 2010. Em simultâneo, as exportações de França para Portugal baixaram cerca de 1.4%, evidenciando um saldo positivo de 666.000 milhares de euros a favor de Portugal. Este valor confirma e amplia a tendência do ano de 2010 (saldo positivo que acontece, pela primeira vez, na história das trocas comerciais entre ambos os países, no valor de 200 milhões de euros).

O facto de a economia francesa se encontrar numa situação económica relativamente menos desfavorável que a economia portuguesa também ajudou a penetração dos produtos
portugueses, cuja imagem têm vindo a melhorar de forma progressiva ao longo de tempo. Ao mesmo tempo, a baixa do consumo em Portugal devido à crise teve um peso negativo nas possibilidades de exportações da França para este mercado.
Em percentagem, as áreas de maior crescimento das exportações portuguesas para França são os combustíveis minerais (mais 177%), as peles e couros (mais 68%), as pastas celulósicas (mais 45%) os veículos e outro material de transporte (mais 38%) e os produtos químicos (mais 38%).
Em valor absoluto, os maiores crescimentos situam-se (por ordem decrescente) nos veículos e outro material de transporte, nas pastas celulósicas e papel, nos plásticos e borracha nas máquinas e aparelhos e nos metais comuns.
Ao nível global, as principais exportações de Portugal para França são veículos e material de transportes (16% do total das exportações 2010), máquinas e aparelhos (12% do total), calçado (9% do total), vestuário (8% do total), metais comuns (7% do total), plásticos e borracha (7% do total) minerais e minérios (7% do total), e cada um dos restantes sectores tem uma quota inferior a 5% do total.
 
Em que nichos de mercado é que os exportadores portugueses se deverão especializar com o objectivo de venderem em França?

De uma forma geral, com os produtos e serviços com forte valor acrescentado, tomando, além disso, em conta as particularidades regionais da economia francesa, bem como a necessidade duma abordagem cada vez segmentada do mercado.
 
O que devem os empresários portugueses mudar para conquistarem maior quota no mercado francês?

Além do salientado na resposta anterior, é preciso continuar a vender melhor a "Marca Portugal", para combater uma relativa falta de imagem dos produtos portugueses. Em muitos casos, esta imagem não é boa nem má, mas sim inexistente. Quando os produtos
se tornam mais conhecidos, a imagem torna-se boa, na maioria dos casos.
 
Qual a importância do mercado étnico em França para os produtos lusos?

Este mercado é importante, de um duplo ponto de vista. Por um lado, pelo número de portugueses e luso-descendentes em França e pelos cargos de responsabilidades de muitos deles na sociedade civil; depois, pelo número de empresas francesas (mais de 40 mil) dirigidas por portugueses e/ou luso-descendentes.
 
Qual o volume de investimento directo francês em Portugal em 2010 e qual a tendência para 2011?

Em 2010, o investimento directo de França em Portugal foi um pouco superior a 5,8 mil milhões de euros (mais 4,4% em relação a 2009).

A tendência manteve-se em 2011, com um investimento directo superior a 3,5 mil milhões de euros nos sete primeiros meses (mais 4,5% em relação ao período homólogo de 2010). Esses dados (fonte Banco de Portugal) fazem da França, em 2010 e 2011, o segundo investidor em Portugal em fluxos brutos.
 
A crise financeira de toda a Europa poderá afectar esta "performance" de maior volume de negócios entre os dois países?

Mesmo com a crise, o comércio bilateral entre França e Portugal (total exportação e importação) cresceu em 2010 (mais 3%) e nos sete primeiros meses de 2011 (mais 9,6%) em ligação com o aumento das exportações de Portugal. Evidentemente, toda evolução desfavorável das respectivas economias pode contrariar esta "performance" bilateral.

Neste contexto, parece-me importante, da parte de Portugal, não quebrar e até aumentar a dinâmica exportadora; prolongar os esforços para dar a conhecer e vender a "Marca Portugal"; e vender melhor, no exterior, os esforços e o plano do país para dar a volta à crise ao longo dos 2/3 próximos anos.

Da parte da França - na medida em que as mais de 400 empresas de capital francês estão presentes em Portugal (as vezes desde há 10,20 30 40... 100 anos) e continuam a acreditar e a investir neste país -, o "challenge" é convencer as empresas de que, apesar da crise, ainda existe, em Portugal, um leque de sectores que são boas oportunidades de negócios.
 
CCILF com eventos 
A Câmara de Comércio e Indústria Luso-Francesa foi fundada em 1887 e, no ano passado, foi responsável, em Portugal, pela organização de quase meia centena de eventos.
Tem 500 associados em França e em Portugal e tem atribuído troféus relacionados com a exportação, o investimento e o desenvolvimento sustentável.
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