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Carlos Marques: “Os acessos móveis e por cabo são os nossos principais objectivos em 2011”
Intermail
16/02/11, 08:46
OJE

A Waymedia lançou há um ano o serviço de streaming de música Myway. Em 2011, a empresa quer desenvolver o acesso ao Myway via móvel e cabo e consolidar o projecto. Para já, foi criado o serviço Waybox para espaços comerciais, disse ao OJE, Carlos Marques, administrador da Waymedia.


Carlos Marques fundou a Waymedia em 2009. O serviço de streaming de musica Myway foi lançado há um ano, uma área de negócio em que foI alcançada a maioria dos objectivos traçados inicialmente. Em Janeiro de 2011, foi criado um novo serviço de música ambiente para espaços comerciais com licenciamento integrado, o Waybox. Quanto ao Myway, os principais objectivos para este ano são os equipamentos móveis e o acesso por cabo, como explicou o administrador da empresa em entrevista por e-mail.

 

O que é o Waybox, lançado em Janeiro, e como funciona?


O Waybox é o primeiro serviço de música ambiente para espaços comerciais com licenciamento integrado e totalmente online, ou seja, para além do licenciamento do nosso serviço, estão também integrados os direitos da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) e da Passmúsica (editores e artistas).


Este é o maior passo dado até agora em Portugal para facilitar a aquisição de um serviço de música. Com o Waybox, o tempo médio de activação deste tipo de serviço passará de uma semana para apenas alguns minutos. Basta ir a waybox.pt, preencher os dados da empresa, tipo de negócio, dimensão do espaço e efectuar o pagamento online, por multibanco ou Visa, e obterá instantaneamente o link de streaming para o seu canal de música. O Waybox também disponibiliza um backoffice onde é dada a possibilidade aos subscritores de configurar todas as componentes do serviço: emissão de licenças, configuração de canais e playlists, inserção de spots promocionais e definição de dayparts.

 

O que motivou a criação deste novo serviço?


A criação do serviço passou por uma avaliação do mercado de música. Esta área foi a que se mostrou com um maior potencial de crescimento em Portugal. Por um lado pela crescente fiscalização das entidades competentes na utilização pública dos conteúdos e obras dos seus representados, e por outro pela escassa oferta que existe no mercado português que é dominado pela Telefónica.

 

Quais as vossas perspectivas para esta nova área de negócio?


O nosso objectivo é chegar às 1500 subscrições do serviço, o que significa um volume de negócio perto de um milhão de euros. Para alcançar este objectivo estamos a desenvolver contactos e parcerias com as mais relevantes entidades do mercado. Até 2014, pretendemos conquistar 30 a 40% de quota de mercado.

 

O vosso catálogo Myway.pt foi lançado há um ano. Que balanço fazem desde o início da actividade?


Alcançámos 90% dos objectivos que tínhamos para o primeiro ano. O resultado operacional foi melhor do que o planeado, embora as receitas tenham ficado abaixo do previsto inicialmente, nomeadamente devido ao mau desempenho do mercado, o que penalizou, na nossa óptica, os novos projectos. Os anunciantes, em 2010, não arriscaram e preferiram jogar pelo seguro. Ao nível dos conteúdos, ultrapassámos largamente os nossos objectivos de chegar ao final do primeiro ano com um catálogo de dois milhões de músicas. Temos neste momento um catálogo potencial de sete milhões de músicas, fruto dos acordos, inéditos para Portugal, que fechámos com as principais editoras internacionais, Universal Music, Sony Music, Warner Music e Orchard.

O lançamento do serviço de subscrição de música, primeiro no país para Web e mobile, foi sem dúvida o maior desenvolvimento efectuado em Portugal na área da música, não só pela complexidade das negociações e do investimento realizado, como também pelo esforço no desenvolvimento tecnológico da solução que implementámos, que implica um sistema complexo de protecção dos ficheiros que são descarregados para os computadores dos utilizadores. Nesta área desenvolvemos uma parceria com uma empresa americana que nos ajudou a implementar o sistema Digital Rights Management (DRM).


 
Qual o modelo de negócio do Myway?


O modelo de negócio está estruturado em dois eixos: o serviço free é suportado pela publicidade e o serviço Premium pela subscrição mensal de 9,99 euros. Relativamente às subscrições, estamos a falar de um mercado completamente novo em Portugal, onde ainda está tudo por fazer, nomeadamente na comunicação das vantagens de utilizar um serviço de música legal, isto é: melhor qualidade de áudio, acesso a milhões de músicas num único sítio, protecção dos direitos das músicas. O esforço de implementação de um serviço deste tipo em Portugal é agravado pelo facto de sermos um dos países onde se fazem mais downloads ilegais de música

Que percentagem das receitas é proveniente de subscrições?


As receitas vindas das subscrições neste momento rondam os 5%.

 

A vossa oferta está adaptada a equipamentos móveis como os smartphones ou os tablet PC?


Os equipamentos móveis e o acesso por cabo são os nossos principais objectivos para o segundo ano do Myway. Estamos a trabalhar com a Zon no desenvolvimento de aplicações de acesso ao Myway via cabo. No móvel vamos lançar várias aplicações para as diversas plataformas existentes no mercado, o que representará um dos maiores investimentos até agora realizados pelo Myway. O modelo de negócio será similar ao da Web, suportado em publicidade para a versão free e em subscrição para a versão Premium.

 

Qual a vossa estratégia para este ano?


Este ano será um ano para desenvolver o acesso ao Myway via móvel e Cabo, mas essencialmente um ano de consolidação do projecto. Queremos optimizar e desenvolver as parcerias que temos com o MSN, RTP, Cofina, Ongoing, Impala, entre outros, e desenvolver novas soluções de música para os anunciantes, em ligação estreita com as agências de meios e criativas.

 

A internacionalização está nos vossos planos?


No segundo semestre a nossa atenção estará também virada para a preparação da entrada no mercado brasileiro. Mas estamos limitados ao andamento dos acordos com as editoras, cujas negociações poderão levar longos meses.

 

Como correu o negócio em 2010 e quais as previsões para 2011?


Como já mencionado, o resultado operacional foi melhor do que o planeado, embora as receitas publicitárias tenham ficado abaixo do esperado devido ao mau desempenho do mercado. O balanço foi feito através de receitas de projectos especiais e de um volume de despesa abaixo do planeado. O plano financeiro aponta para atingirmos o valor de break-even a três anos. Obviamente, este ano e o próximo continuarão a ser anos de investimento. 

 

Quais as principais parcerias que estabeleceram em 2010 e o que representam na vossa facturação?


As principais parcerias que estabelecemos em 2010 foram com o MSN e com a Zon, as quais esperamos vir a reforçar em 2011. O volume de negócios de 2010 não é representativo do potencial do mesmo pelo facto de os principais serviços ainda estarem em fase de lançamento.

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