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EMAC, da limpeza urbana à sustentabilidade ambiental
Intermail
22/02/10, 10:33
OJE

A EMAC foi um dos casos de sucesso incluídos no livro "Marketing ambiental". Rui Libório explica porquê.

 

O que considera ter estado na base da inclusão da EMAC como um caso de sucesso por parte dos autores do recente livro "Marketing Ambiental"?
O nosso plano de comunicação e marketing ambiental está orientado não só para sustentabilidade da actividade, mas fundamentalmente para os benefícios e vantagens que a nossa actividade proporciona ao concelho e a quem nele habita, trabalha ou o visita.
A consciencialização dos públicos- -alvo da empresa, interno e externo, e a mobilização da comunidade, contribuiu de forma decisiva para a crescente sensibilização da população de Cascais no que diz respeito a temáticas como a reciclagem e a sustentabilidade ambiental e, consequentemente, para o próprio êxito operacional da EMAC.
Neste âmbito, o nosso trabalho é, cada vez mais, uma referência no plano local, e também nacional, daí os autores considerarem a EMAC um caso de estudo e de sucesso nesta matéria. 

 
Sendo a EMAC uma empresa de recolha de resíduos e manutenção de higiene urbana, que campanhas têm sido lançadas e quais as que vão ser lançadas este ano para sensibilizar os utentes?
Para além das competências na Limpeza Urbana e Recolha de Resíduos, temos também como valências a manutenção e requalificação de Parques Públicos Verdes Urbanos, a tutela dos Espaços de Jogo e Recreio e a Sensibilização e Informação Ambiental.
Respondendo à questão, já implementadas e com significativo sucesso, podemos destacar campanhas como a "Não Deixe no Chão os Presentes do Seu Cão", que visou sensibilizar os munícipes para a necessidade de recolher os dejectos dos seus animais de estimação; o programa "Passo a Passo melhoramos o seu espaço", no âmbito da intervenção da empresa nos espaços públicos verdes de Cascais; a campanha "A nossa praia tem Bom Ambiente", orientada para a limpeza das praias e do mar e a campanha que actualmente nos encontramos a divulgar "Não deixe os seus resíduos verdes ao abandono" que visa apelar aos munícipes para a obrigatoriedade de solicitarem previamente, e em contacto dirigido ao Contact-Center da EMAC, a recolha dos seus cortes de jardins (fluxo que comporta já uma recolha diária de cerca de 40 toneladas).
Para 2010, além da continuidade das iniciativas integradas no Objectivo 66, estão previstas campanhas de sensibilização para a recolha de objectos fora de uso e o reforço da campanha para a recolha de dejectos caninos, bem como acções no âmbito da manutenção dos parques infantis e Espaços Públicos Verdes Urbanos.

 
Que resultados se podem apurar do trabalho feito desde a criação da EMAC?
Em quatro anos, a EMAC melhorou significativamente os serviços de limpeza urbana no concelho de Cascais, a Recolha de resíduos e a gestão integrada destas duas áreas, com os seus próprios espaços verdes, parques infantis, e reforçou a sensibilização e formação ambiental. Paralelamente, foram também conseguidas importantes poupanças nos custos do município com estas áreas de actividade. Simultaneamente, fez investimentos noutras competências e conseguiu sensibilizar a população do concelho para a questão da recolha selectiva dos resíduos, defesa dos valores ambientais e desenvolvimento sustentável. Sempre numa lógica de grande proximidade e cumplicidade com os Munícipes, obtivemos elevados índices de eficácia e eficiência.

 
Que números existem em termos de recolhas selectivas e também relativamente aos aproveitamentos feitos?
Nos primeiros quatro anos de vida, a EMAC recolheu mais de 500 toneladas de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU), entre resíduos selectivos, indiferenciados e equiparados. Só no ano de 2009, a recolha de resíduos selectivos superou as 12 mil toneladas, sobretudo em Papel/Cartão (5.274 toneladas), seguido do Vidro (3.274), Plástico/Metal/PLA (2.222) e Resíduos Orgânicos (1.307).

 
Que investimentos e em que áreas foram feitos?
Os investimentos foram múltiplos e quase de difícil enumeração pela sua extensão. Desde logo, o investimento na sensibilização e formação conducente às boas práticas ambientais. Depois, desde veículos de recolha selectiva próprios para os Estabelecimentos de Ensino, passando pela implementação de contentorização para deposição colectiva em subsolo (ilhas ecológicas); todo o suporte das acções operacionais em sistemas informáticos de vanguarda (como sejam o Sistema de Gestão Integrada de Ecopontos/SGIE, que permite definir rotas e periodicidades de recolha com assertividade e adequação); o recurso a equipamentos de limpeza de praias; a dotação da frota de veículos eléctricos (a operar especialmente na orla marítima e centros urbanos de maior densidade); a utilização de "Motocães" (para a limpeza de dejectos caninos); e, claro, a aquisição de veículos pesados de recolha, multifuncionais (que permitem a recolha de quase todo o tipo de contentorização, desde os vulgares contentores de 120, 240 e 800 Lts, passando por Moloks, Ilhas Ecológicas e o normal Ecoponto de Superfície). Tudo com enormes ganhos operacionais, financeiros e ambientais.
Nos Espaços Verdes e Parques infantis, estão construídos, requalificados e/ou mantidos mais de 70 ha. (em mais de 2.200 parcelas, nas seis Freguesias) e mais de 30 novos Parques Infantis. Também aqui se implementaram sistemas de rega de vanguarda, nomeadamente com gestão dos mesmos por telemetria, mais uma vez com todas as vantagens daí decorrentes.

 
A vertente ambiental ao nível da reciclagem já gerou empresas na região?
No concelho de Cascais e com o apoio da DNA Cascais, foram já criadas várias empresas na área do ambiente: a Solar 3G - Energias Renováveis - Solar e Fotovoltaica; Moving Free - Segway Tours - passeios turísticos em segways; Biomove - Produção de Biodiesel a partir da recolha de óleos alimentares usados; Greenest - Serviços de engenharia ambiental; e Ecoburn - Sistemas de eficiência energética para veículos pesados.

 
A gestão dos resíduos é entendida como uma despesa ou um pólo de desenvolvimento industrial?
A gestão dos resíduos é hoje entendida como um pólo de desenvolvimento e uma inquestionável oportunidade nos três vértices da "sustentabilidade" (oportunidade social, económica e ambiental). A partir da recolha selectiva, não só é possível manter a higiene urbana, preservar o ambiente e melhorar a imagem pública do concelho, com ganhos em várias frentes, designadamente, no plano turístico, mas também é possível transformar os resíduos recolhidos em objectos reutilizáveis, aproveitando esta actividade para gerar riqueza entre a comunidade. Em síntese, hoje, a gestão de resíduos sólidos urbanos comporta vantagens no plano ambiental e no plano económico, estando distante da época em que era assumido apenas como mais um encargo municipal.

 
A EMAC terá de manter-se sempre na esfera municipal ou tem condições para, no futuro, se autonomizar?
A EMAC tem uma génese municipal. Nasceu, aliás, para substituir uma empresa privada. Tratou-se de uma decisão não isenta de risco, corajosa, por parte dos Presidente, Dr. António Capucho, e Vice-presidente da Câmara, Dr. Carlos Carreiras, enquanto titular do pelouro do ambiente, mas que se mostrou acertadíssima.
Não apenas se reduziram custos, como se aumentou a abrangência, sempre com os maiores ganhos de eficácia e eficiência, com a implementação de um serviço transversal e de grande qualidade, reconhecida nos estudos e inquéritos realizados periodicamente.

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