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“Estamos a estudar a instalação de uma unidade industrial em Angola”
Intermail
21/07/10, 10:08
OJE

A Diera prevê crescer 15% este ano e está a apostar no reforço da presença na Grande Lisboa e no Sul do país. Em 2011 quer crescer por aquisição. Entretanto procura parceiros para a internacionalização, diz o administrador José Manuel Santos.

 
A Diera é uma indústria de matriz portuguesa, especialista em vernizes para pavimentos em madeira e cortiça, que tem vindo a apostar no desenvolvimento de soluções para a indústria do mobiliário. Fundada em 1967 e com sede em Matosinhos, é também fabricante de colas para a construção e argamassas.

O volume de negócios da empresa deverá aumentar 15% este ano, aproximando-se dos 14 milhões de euros, avançou ao OJE, em entrevista por e-mail José Manuel Santos, administrador da Diera. Este ano, a empresa pretende crescer na Grande Lisboa e Sul do país através de uma parceria com a Transcol, em Rio Maior. Para o ano, pretendem crescer por aquisição no sector das tintas.

A Diera está a apostar na internacionalização e procura parceiros em Angola, Marrocos, Tunísia e Argélia. Está a ser estudado um projecto para a instalação de uma unidade industrial em Angola, explicou.

 
Qual o volume de negócios que prevêem alcançar este ano?

A Diera prevê aumentar em 15% o volume de negócios consolidado em 2010, estimando que se aproxime dos 14 milhões de euros. Para este objectivo concorre a tendência de recuperação, registada no primeiro semestre de 2010, do volume de negócios dos vernizes para a indústria do mobiliário; bem como o crescimento, ainda que em contraciclo com o sector da construção, da comercialização de produtos de base cimentícia e argamassas. Este cenário resulta da aposta na especialização e desenvolvimento de produtos técnicos para nichos de mercado, como o do isolamento térmico exterior ou o da reabilitação.

 
O negócio da Diera pode ser desagregado em "cimento cola" e "tintas e vernizes". O que compõem estas áreas e como têm evoluído?

Embora ambas as áreas estejam relacionadas com o sector de construção civil, a família das tintas e vernizes tem estado vocacionada para as aplicações industriais, nomeadamente da indústria de mobiliário e corticeira. Por outro lado, o segmento das tintas e vernizes teve de realizar nos últimos anos um esforço considerável de adaptação às novas normas ambientais aplicáveis ao sector, enquanto os esforços do segmento de cimento cola estiveram focalizados na inovação.

 
Como é que a crise no sector da construção afectou o vosso negócio?

Contextos diferentes motivaram resultados também díspares. A evolução do volume de negócios da Diera, a partir de 2006, tem sido sustentada pelo segmento de cimento-cola, que neste período regista um crescimento de 48%. O segmento de tintas e vernizes viu-se, por sua vez, afectado nos últimos dois anos pela quebra das exportações dos sectores a jusante.

 
Como se relacionam as vossas áreas de produção e comercialização? São autónomas?

São autónomas em ambos os domínios, produtivo e comercial, embora respondam à mesma administração. Com 60 colaboradores, a Diera detém três unidades produtivas, uma de tintas e vernizes, outra de colas de construção, argamassas e soluções para isolamento térmico, ambas em Leça da Palmeira, Matosinhos, e uma terceira em Santo Tirso, exclusivamente para juntas coloridas para betumação.

 
Qual a estratégia da empresa? Em que zonas do país querem crescer?

Entre os objectivos empresariais de curto prazo, destaque para a pretensão de crescer na Grande Lisboa e Sul do país, através do reforço da equipa comercial e da intensificação da parceria estratégica com a empresa Transcol, de Rio Maior, quer como unidade produtiva quer como plataforma logística; bem como crescer por aquisição no sector das tintas no próximo ano. A expansão geográfica a sul justifica-se para reforçar as vendas que têm sido estrategicamente concentradas na região norte. Aumentar a massa crítica é o objectivo para o sector das tintas.

 
A nível de internacionalização, pretendem encontrar parceiros. Em que países? Porquê? Está nos vossos planos abrir escritórios no exterior?

Pretendemos conquistar parceiros em Angola, e também em Marrocos, Tunísia e Argélia, por serem mercados emergentes no domínio do consumo de materiais de construção.

A estratégia comercial passará, contudo, pela referenciação de agentes e distribuidores locais. A título de exemplo, refira-se que, no primeiro trimestre deste ano, as exportações para Angola aumentaram mais de 300%.

Nesse mercado, estamos a estudar um projecto para a instalação de uma unidade industrial em parceria com um grande grupo económico português.

 
Em que se traduzem as preocupações ambientais da Diera?

A Diera tem uma longa tradição de empenho na preservação do meio ambiente. Por isso, para além de procurarmos minimizar ao máximo o impacto da nossa actividade no ambiente e na sociedade, procuramos privilegiar práticas que preservem os recursos naturais, quer no dia-a-dia produtivo quer em parcerias com entidades externas.

Desenvolvemos recentemente novos produtos de índole saudosista e de mais-valia técnica e ecológica (base aquosa) para o mercado da reabilitação. Com a ANEFA, por exemplo, dinamizamos a plantação de mil árvores na Serra de Santa Justa, em Valongo.

 
Quais são as vossas obras de referência? Porquê?

Os motivos para classificarmos uma obra como de referência podem ser muitos e variados. As Casas António Carneiro, no Porto, por configurarem uma reconversão de exemplares arquitectónicos únicos da história industrial.

A Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, em função do objectivo de melhorar as condições já existentes para um ensino moderno.

O Centro de Alto Rendimento de Sangalhos - Velódromo Nacional, por ser a única instalação para o ciclismo em pista coberta existente em Portugal. O edifício Colina do Ave, pelo desafio de arquitectura bioclimática que representou.

 
Como vê o seu negócio numa perspectiva a cinco anos? Mais ou menos concorrência? Nacional ou estrangeira? Estão previstos processos de consolidação na vossa indústria?

Está em curso um processo de reconversão no mercado da construção, uma mudança de paradigma, com o recrudescimento do mercado de reabilitação do património edificado em detrimento da construção nova. Isso exigirá a utilização de produtos especificamente criados para as necessidades que daí advirão.
É um mercado que já está a mudar e a tornar-se cada vez mais exigente e é aí a nossa grande aposta de crescimento.

Dada a boa cobertura do mercado por empresas nacionais onde se inclui a Diera, e algumas multinacionais, não prevemos a entrada de mais empresas, mas é bem possível que as novas exigências venham a provocar algum movimento de consolidação neste sector, dada a sua crescente especialização.

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