A MedicineOne desenvolve soluções de software de gestão clínica. O director-geral da empresa, João Miguel Domingos, avança que investe anualmente 500 mil euros em I&D e este ano quer reforçar na internacionalização.
A MedicineOne é uma empresa portuguesa de base tecnológica que se dedica ao desenvolvimento de soluções de software de gestão clínica. João Miguel Domingos, director-geral da empresa, em entrevista por e-mail, explica que a solução da MedicineOne é a mais antiga em Portugal e que actualmente a comunidade de utilizadores abrange mais de 5000 profissionais de saúde. As soluções da MedicineOne visam informatizar as unidades de saúde, integrando a informação clínica de cada doente. A MedicineOne entrou o ano passado no mercado brasileiro e espera, até ao final de 2011, estar presente nos mercados norte-americano, canadiano e espanhol.
A que se destinam as vossas soluções? Está nos vossos planos diversificar a vossa oferta?
As nossas soluções destinam-se a informatizar todo o tipo de unidades de saúde de uma forma abrangente, sejam elas de cuidados primários, cuidados hospitalares ou cuidados continuados. Todos os passos de um doente dentro de uma unidade de saúde são seguidos e registados pela aplicação, desde que ele chega e faz o pré-atendimento no quiosque da unidade até que sai depois de passar pelo administrativo, enfermeiro e médico. Toda a informação clínica de cada área é registada na aplicação para que seja criado um contexto completo que é a base de uma boa prestação de cuidados de saúde.
Não planeamos iniciar desenvolvimento noutras áreas que não as da saúde. Esta é uma área onde adquirimos ao longo de mais de duas décadas uma grande especialização e por isso, toda a nossa capacidade de inovar está focada nela. Há muito a fazer e temos planos muito importantes para o futuro, mas todos eles dentro da área da saúde.
Sendo que estão a lidar com dados sensíveis, quais são as vossas preocupações em termos de segurança?
A confidencialidade de todos os dados é realmente um ponto crítico na saúde. As nossas ferramentas têm sempre presente essa preocupação, garantindo que apenas quem tem o direito de consultar os dados o consegue fazer. Para isso, munimos as nossas soluções de mecanismos que impedem o acesso a pessoas não autorizadas, impedem alteração de dados, permitem classificar dados como confidenciais, etc.
Como correu o negócio em 2010 e quais as previsões para 2011?
A MedicineOne encontra-se numa excelente fase de crescimento. Em 2010, apresentou um volume de negócios de 1,5 milhões de euros. A média de crescimento dos últimos quatro anos tem sido de cerca de 50% ao ano. Com esse crescimento temos feito um investimento na criação de emprego altamente qualificado que tem reforçado a nossa capacidade e qualidade. As nossas previsões para 2011 são também muito boas, uma vez que a nossa exportação está a crescer e internamente o sucesso das nossas soluções também tem sido assinalável. Esperamos um crescimento na ordem dos 30% para este ano.
A internacionalização está nos vossos planos?
A internacionalização é realmente a nossa maior preocupação comercial neste momento. Em 2010, iniciámos a nossa presença no Brasil e o projecto está a correr muito bem. Esperamos até final do ano estar presentes nos EUA, Canadá e Espanha.
Para isso, estamos a desenvolver um conjunto de trabalhos tecnológicos que permitam uma maior flexibilidade das soluções para se adaptarem às necessidades de cada mercado.
Quais serão as vossas áreas prioritárias de investimento? Investem em I&D? Quanto?
Actualmente, o investimento anual da empresa em I&D é de cerca de 500 mil euros. É um investimento percentualmente muito acima da média, para o tipo de empresas em que nos enquadramos. Em marcha temos projectos muito inovadores e que reforçarão fortemente a nossa capacidade de exportar. Acreditamos que apenas pela inovação se pode liderar e por isso apostamos muito na inovação. Os frutos desse trabalho serão conhecidos brevemente e que acreditamos transformarão o panorama do software clínico.
O que vai mudar com a obrigatoriedade de prescrição de medicamentos de forma electrónica a partir de 1 de Março?
Esta vai ser uma pequena revolução para o sector da saúde em Portugal. É uma decisão do governo que a MedicineOne aplaude e apoia.
A informatização do processo de prescrição ajudará os médicos a realizar a sua prescrição com base em informação de maior qualidade e ao mesmo tempo introduzirá poupanças no sistema de conferência e mecanismos de verificação. Para apoiar os médicos portugueses a dar este passo, decidimos criar o My MedicineOne, uma versão simplificada das nossas soluções, em que a área de prescrição electrónica é gratuita para todos os médicos nacionais.
O MedicineOne está certificado pela ACSS para a emissão da receita electrónica desde 2006 e anualmente nas nossas soluções são emitidas mais de quatro milhões de receitas electrónicas. Colocámos assim ao serviço de todos os médicos portugueses a melhor solução clínica e a melhor informação do medicamento, actualizada diariamente pelo Simposium Terapêutico.
O sucesso desta solução tem sido extraordinário. Poucos dias após o lançamento, já mais de 2000 médicos aderiram à plataforma e estão a usá-la diariamente. A cada dia que passa cerca de 200 novos médicos se juntam a ela e por isso, acreditamos que ela seja uma solução de eleição dos médicos portugueses para a adesão à receita electrónica.
Quantos clientes têm? Como se distribui o vosso negócio entre o sector público e o sector privado?
A nossa comunidade de utilizadores é constituída por mais de 5000 profissionais que actuam em mais de 1500 unidades de saúde.
Neste momento, o nosso volume de negócio está dividido em cerca de 50% pelo sector privado e outros 50% pelo sector público. Em 2011 pensamos que o crescimento no sector privado seja acentuado e que no final do ano represente cerca de 70% da nossa facturação total.
Qual a vossa política de Recursos Humanos e quais as preocupações com a formação? Pretendem contratar em 2011?
Nos últimos três anos a equipa da MedicineOne aumentou cinco vezes. Temos actualmente 40 colaboradores e foram geerados 10 empregos externos. Todos os empregos têm um vínculo forte à empresa. Existe dentro de casa uma cultura de família em que todos se apoiam uns aos outros. Não existe competição, mas cooperação. Todos são valorizados pelo que fazem e por isso, a nossa taxa de retenção de emprego é altíssima. Em 2011 iremos contratar quer para a área do desenvolvimento quer para a área de serviços e suporte à utilização do software.
Como vê o seu negócio numa perspectiva a cinco anos? Mais ou menos concorrência? Nacional ou estrangeira?
Os próximos anos serão de forte investimento em tecnologias por parte dos prestadores de cuidados de saúde, quer públicos, quer privados.
Por isso, prevemos que a concorrência seja forte, especialmente a internacional.