O negócio de peças já representa um quarto da facturação do grupo Auto Sueco, ou seja, 195 milhões de euros. 38% da facturação da unidade é actualmente proveniente dos mercados externos, explicou ao OJE, em entrevista por email o director da Unidade de Negócios Peças e Componentes (UNCP) do Grupo Auto Sueco, Francisco Ramos.
Francisco Ramos, que também é membro do Conselho de Gerência do Grupo Auto Sueco, espera que o peso da UNCP cresça no seio do Grupo e que, dentro de três anos, a venda de peças e componentes represente 35% da facturação do grupo. 38% da facturação da unidade provém actualmente das exportações.
A UNPC do Grupo Auto Sueco comercializa, peças e acessórios originais ou de aftermarket para veículos ligeiros e pesados.
Qual o volume de negócios da UNPC do Grupo Auto Sueco e quais as previsões para este ano?
O negócio de peças tem registado um crescimento nos últimos anos, representando actualmente cerca de um quarto da facturação global do Grupo Auto Sueco, ou seja, cerca de 195 milhões de euros.
Nos próximos três anos prevemos que a venda de peças e componentes possa alcançar uma quota de até 35% da facturação total do Grupo.
Que percentagem do volume de negócios da UNPC provém da internacionalização?
O peso dos mercados externos representa 38% da facturação total das vendas de peças e componentes, ou seja, cerca de 74 milhões de euros.
Quais são os vossos principais mercados e qual a evolução prevista?
Actualmente, no que diz respeito à UNPC, os nossos principais mercados são Portugal, Angola, Espanha, Brasil, Cabo Verde e Marrocos, sendo que a nossa actual prioridade de curto prazo é reforçar a nossa presença em alguns deles.
Os PALOP são mercados importantes para o Grupo Auto Sueco? Porquê?
Os PALOP são mercados que nós encaramos com grande interesse, pois além de ser notório que a proximidade cultural e linguística, são veículos facilitadores da expansão deste negócio. Alguns desses mercados vivem períodos de crescimento e desenvolvimento económico muito interessantes.
Fora de Portugal trabalham directamente ou através de parceiros?
Temos as duas situações. Historica e presentemente, somos um grupo económico que encara com grande abertura e optimismo a realização de parcerias, sempre que as mesmas se revelam interessantes.
No caso do negócio de peças a situação é idêntica.
Qual é a vossa estratégia de internacionalização daqui para a frente?
A internacionalização da UNPC surgiu naturalmente como consequência do posicionamento que o Grupo Auto Sueco tem tido ao longo das últimas décadas.
Através desta opção estratégica, temos como principal objectivo assegurar níveis contínuos de crescimento, dissipar riscos e obter índices de rendibilidade que nos garantam que os accionistas vão continuar a confiar, apostar e a investir neste negócio.
No ano passado reforçámos a posição do negócio de peças e componentes ao nível dos mercados externos e em 2010 pretendemos reforçar a posição nos países em que operamos e estudar novos mercados para expansão internacional.
Como está estruturada a UNPC? Como tem evoluído?
A UNPC do Grupo Auto Sueco está estruturada em quatro grandes áreas: peças originais, peças aftermarket ligeiros, peças aftermarket pesados e ExpressGlass (reparação e substituição de vidros).
O Grupo Auto Sueco é o único player do mercado que actua em todos os segmentos de mercado deste negócio.
Nas peças originais, a principal actividade é a importação e retalho de peças originais Volvo para viaturas pesadas nos vários países onde estamos presentes.
Ainda nas peças originais, o Grupo Auto Sueco actua também, em Portugal, na área de retalho comercializando peças originais das 13 marcas de automóveis que representa através da Auto Sueco Automóveis.
Nas peças aftermarket pesados, o Grupo Auto Sueco adquiriu 100% do capital da Civiparts em 2003, empresa nacional líder, e que, desde então, tem revelado uma expansão ao nível internacional.
Hoje o Grupo Civiparts está presente em Portugal, Espanha (líder Ibérico em peças aftermarket pesados), Angola e Marrocos.
No aftermarket ligeiros, entrámos no mercado em 2006 com a criação da AS Parts, empresa importadora de peças na área da mecânica e carroçaria e, desde então, temos reforçado a posição neste sector através do crescimento orgânico da empresa, de aquisições e de um plano de internacionalização.
A UNPC reforçou recentemente a sua presença no mercado de distribuição de peças aftermarket ligeiros com a aquisição da Arrábida Peças, maior retalhista do Grande Porto.
Tendo em conta o ambiente de recessão que afectou, entre outros sectores, o automóvel, de que modo a unidade de peças e componentes do Grupo Auto Sueco tem enfrentado a crise? Há alguma área que se destaque?
Numa perspectiva global, a crise prejudicou as nossas taxas de crescimento, pois, caso contrário, as mesmas seriam seguramente superiores.
No entanto, em alguns mercados, nomeadamente em Espanha, a situação actual afectou de forma considerável o nosso desempenho.
Mas, pelo lado positivo, a crise contribuiu para a criação de um cenário propício a aquisições estratégicas, e nós soubemos fazê-lo.
Estão previstas fusões e/ou aquisições no âmbito da actividade da UNPC?
A área mais recente da UNPC surge duma parceria com a ExpressGlass - empresa que opera na importação, reparação e substituição de pára-brisas.
A UNPC é sócia maioritária da ExpressGlass em Angola, Cabo Verde e no Brasil.
Em Dezembro, a ExpressGlass Brasil inaugurou o seu primeiro centro próprio ExpressGlass Brasil, reforçando, assim, a aposta do grupo neste mercado em crescimento.
Durante 2010 está prevista a abertura de mais cinco lojas próprias e a padronização de mais de 15 lojas independentes.
De referir que, actualmente, dispomos, no Brasil, de mais de 1.000 centros certificados que cobrem a totalidade do território brasileiro.
Como vê o seu negócio numa perspectiva a cinco anos? Mais ou menos concorrência? Nacional ou estrangeira?
Em Portugal, será expectável que ocorra uma concentração de actores neste negócio, tornando o mesmo mais competitivo.
Em Espanha prevemos uma recuperação do mercado que acompanhe a conjuntura macroeconómica do País.
Brasil e Angola são os dois mercados em que prevemos maiores taxas de crescimento mas com um reforço do número de players neste sector.