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Paula Durão: “O objectivo é que as exportações suplantem o actual volume de negócios”
Intermail
15/07/11, 09:03
Por Mafalda Simões Monteiro/OJE

A Be-a-Ba desenvolve e distribui brinquedos educativos. Paula Durão, directora-geral, explicou que a empresa está a preparar a internacionalização e que criou uma marca para exportação: a Make2Play.


A Be-a-Ba desenvolve e distribui conteúdos educativos, em  particular brinquedos científicos. Com uma facturação de meio milhão de euros, a empresa pretende crescer a um ritmo de dois dígitos no mercado nacional. Paula Durão, directora-geral, explicou que a Be-a-Ba se pretende internacionalizar e que tem em curso negociações para acordos estratégicos de representação e distribuição em Espanha, Grécia, Líbano, Canadá, entre outros mercados. A empresa pretende facturar um milhão de euros no exterior e já criou uma marca para exportação: a Make2Play.

 

Como nasceu a Be-a-Ba?


A Be-a-Ba dedica-se ao desenvolvimento, distribuição e comercialização por grosso de conteúdos educativos, em particular de brinquedos científicos. Nasceu de uma ideia embrionária, em 2002, e coincidiu com a maternidade e a descoberta da importância e função do brinquedo educativo no desenvolvimento de uma criança. As minhas experiências profissionais anteriores em empresas tecnológicas como a IP Global (actual sonae.com) e SAP Portugal tinham apenas uma perspectiva parcial da realização do meu trabalho e da realidade empresarial na qual estava envolvida e isso sempre me soube a pouco. Por ser mãe, por gostar de crianças e de brincar foi quase natural passar a dedicar-me a uma nova experiência e conteúdos relacionados com o universo infantil.

 

O que diferencia a vossa oferta de outros brinquedos?


A nossa diferenciação é feita pela simplicidade, criatividade e originalidade, na fusão entre a ciência, a arte e ecologia no brinquedo educativo com imagem de marca.


Os nossos conteúdos destinam-se aos segmentos educativo e científico, dos 0 aos 12 anos.

 

Qual o volume de negócios da Be-A-Ba em Portugal o ano passado e quais as perspectivas para 2011?


O nosso volume de negócios é de cerca de meio milhão de euros com perspectivas de crescimento a dois dígitos no mercado nacional. Pretendemos também atingir um milhão de euros com o processo de internacionalização em curso e o início das exportações em 2011 para alguns mercados já identificados. A Be-a-Ba tem ainda como perspectiva lançar no mercado a nova marca "Make2Play".

 

Qual a vossa estratégia para 2011?


Aumentar o volume de vendas, conquistar novos clientes e fidelizar a actual base de clientes. Contudo não pensamos unicamente no prazo nem no lucro imediato, por isso começámos e estamos a investir nos nossos "sem" projectos.

 

O que são os "sem" projectos?


No programa "sem" projectos inclui-se o projecto pop-up num centro comercial de Lisboa onde a nossa oferta do brinquedo educativo é mostrada e divulgada de forma interactiva desde Outubro do ano passado. Inclui-se também a primeira presença como expositor na feira internacional do Brinquedo e com esta o início de um processo de internacionalização, que queremos seja sustentado.

 

Que percentagem da vossa produção se destina à exportação?


Neste momento, a exportação ainda não tem significado, uma vez que temos encomendas, mas os produtos "Make2Play" ainda não estão disponíveis. O desenvolvimento de um novo produto tem um ciclo de, pelo menos, um ano e no nosso caso a aposta na qualidade, segurança e design é assumida. Nos últimos dois anos temos preparado, de forma sustentada, a nossa internacionalização e os novos conteúdos. Estamos a fazê-lo por nossa própria iniciativa e sem qualquer tipo de apoios. O objectivo, e os primeiros contactos já efectuados assim o demonstram, é que as exportações suplantem o actual volume de negócios.

 

O que é a Make2Play e quais os objectivos para esta marca?


Trata-se de uma nova linha de conteúdos completamente inovadora orientada para o mercado internacional. Isso exigia uma nova marca. Fizemos alguns testes com outras insígnias num pré-lançamento internacional e esta foi a que funcionou em definitivo.


Os objectivos redundam no querer ser uma referência no seu segmento de mercado. A marca nacional foi imaginada por uma criança de 10 anos e a equipa reúne colaboradores com experiência no universo infantil. Para além do desenvolvimento, estão em curso negociações para acordos estratégicos de representação e distribuição em Espanha, Grécia, Escandinávia, Benelux, eixo Austro-Germânico, Líbano, Rússia, Canadá e Brasil, com empresas com a mesma experiência da Be-a-Ba e a capacidade para desenvolver uma imagem de marca.

 

Que importância da participação em certames como a Feira Internacional do Brinquedo, na Alemanha, e que resultados costumam representar para a empresa?


A Feira Internacional do Brinquedo, na Alemanha, é importante, mas não é suficiente por si nem é a única feira que faz sentido. Há outras e novas feiras emergentes que vale a pena considerar para concretizar contactos comerciais, neste caso internacionais.


Para além disso há outras iniciativas directas que devem ser encetadas de forma a validar a informação dos parceiros e conhecer os seus mercados onde queremos estar presentes. No nosso caso, a decisão foi tomada por uma questão de proximidade, nossa e dos mercados onde queremos estar.

 

Que desafios enfrentam actualmente as empresas que actuam no mercado infantil?


A dimensão do país, que faz com que o mercado seja ainda mais pequeno para o brinquedo educativo e científico por se tratar de um nicho do mercado do brinquedo em geral.


A mitigação da classe média, ainda o principal target do nosso tipo de brinquedo, por uma crise que já parece entranhada no nosso País.


A forte sazonalidade do mercado que leva a que as decisões de investimento e a planificação das acções se concentrem numa pequena parte do ano.


A indecisão competitiva. Em termos produtivos parece que não temos condições estruturais para competir no preço e não existe uma perspectiva de prazo para competir na imagem e originalidade.


O desafio da ideia generalizada, muitas vezes falsa, de que o brinquedo educativo e científico, normalmente vendido numa loja especializada, é mais caro do que outros brinquedos, apenas porque estes são mediatizados na televisão e porque geralmente se encontram disponíveis nas grandes superfícies, nomeadamente hipermercados.

 

Que tipo de parcerias privilegiam e como as desenvolvem?


Privilegiamos as parcerias com valor acrescentado e complementaridade. Não queremos nem podemos fazer tudo por nossa própria conta e risco.


Estar nos mercados internacionais de forma objectiva e sustentada só é possível com parceiros locais nestes mercados, que sabem como fazê-lo e que conhecem e falam a mesma "língua" do cliente. Por outro lado, queremos aumentar a notoriedade e o reconhecimento da marca e algumas das parcerias encetadas são uma forma de atingir esse objectivo.

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