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"Queremos ser líderes nas áreas terapêuticas em que actuamos"
Intermail
26/02/10, 00:47
Por Mafalda Simões Monteiro/OJE

A Astellas Pharma cresceu 5,6% no Japão e 7,6% em Portugal. Os investigadores preferem não fazer previsões, mas querem manter o crescimento e conquistar a liderarança dos segmentos em que actuam, disse ao OJE Piet Dury, director-geral da Astellas Pharma.

 
Há quanto tempo opera a Astellas Pharma em Portugal e o que mudou na última década na empresa?

A empresa que daria origem à actual Astellas Pharma entrou em Portugal em 1967. Na época, o portfólio dirigia-se às áreas da Dermatologia e Gastrenterologia. Ao longo do nosso percurso temo-nos assumido como uma empresa inovadora nos vários segmentos em que actuamos.
Nesse sentido, nos últimos dez anos, o trabalho que desenvolvemos resultou no lançamento de várias terapêuticas para necessidades médicas prementes. 

 
Qual a estratégia da Astellas Pharma, a curto, médio e longo prazo, a nível global? Em que áreas terapêuticas actua?

A estratégia da empresa reflecte os objectivos a alcançar. A curto/médio prazo queremos ser Global Category Leader (GCL) nas diversas áreas terapêuticas em que actuamos. Um objectivo que já é uma realidade em Urologia e Transplantação e está muito próximo de ser alcançado na Dermatologia. Para o atingir, estamos a concentrar esforços em seis categorias-chave: Urologia, Imunologia, Doenças Infecciosas, Neurologia/Dor, Diabetes e Oncologia. A longo prazo queremos continuar a contribuir para a evolução da prática médica e da qualidade de vida dos doentes, através de continuado investimento em Investigação & Desenvolvimento (I&D) de produtos inovadores.

 
De que modo é essa estratégia adaptada ao mercado português?

A Astellas Pharma Portugal segue a estratégia global. Trabalhamos no desenvolvimento de soluções terapêuticas de primeira linha para Dermatologia, Urologia, Transplantação, Infecciologia e Dor Neuropática.

Na Dermatologia contamos com um leque amplo de tratamentos e uma actividade importante na formação e informação para profissionais de saúde e doentes. Somos já Category Leader's na área da Urologia e transplantação. Estamos activamente envolvidos com ensaios clínicos nas áreas da transplantação, urologia, dermatologia e infecciologia. No futuro próximo vamos também entrar na área da dor.

 
Quais os principais resultados financeiros da empresa a nível global?

A Astellas Pharma tem presença directa nos principais mercados Asiático, Europeu, Norte e Sul-Americanos. Nos primeiros nove meses de 2009, o mercado doméstico (Japão) teve uma facturação de cerca de 4,34 mil milhões de euros, uma subida de 5,6% face a 2008. Nos EUA, tivemos cerca de  1,42 mil milhões de euros, mais 3,1% do que no ano anterior e 1.733 mil milhões de euros na Europa, uma evolução de 4%. Na Ásia, a facturação ascendeu a cerca de 234,1 milhões de euros, mais 7,6%.

 
E em Portugal?

Em Portugal, o negócio manteve uma curva ascendente favorável desde o início da actividade. Actualmente, o volume de negócios ronda 26 milhões de euros. 

 
Quais as previsões para este ano?

Face à, ainda, actual instabilidade da economia mundial a que Portugal, como todos sabemos, não está imune, preferimos não avançar publicamente com previsões. No entanto, seguramente que a curva ascendente é para manter.

 
Qual o investimento em I&D? Para onde estão a vocacionar esse investimento?

Estamos focados na I&D de soluções terapêuticas de primeira linha para necessidades médicas sem resposta. A nível global, a Oncologia é uma área central, nomeadamente alguns tipos de cancro, como próstata, mama, linfoma, melanoma e pâncreas.

 
Alguma parte da I&D é feita em Portugal?

A nível nacional, destaca-se o apoio de 300.000 euros que a "Astellas European Foundation" atribuiu a dois projectos de investigação portugueses na área da oncologia. Também incentivamos a pesquisa na área da transplantação, com uma bolsa de 12.500 euros. Patrocinamos, ainda, a atribuição de uma bolsa ao melhor poster apresentado no simpósio Astellas de Urologia.  
 

Que impacto pode ter no sector a limitação das despesas com medicamentos prevista na proposta de Orçamento do Estado para 2010?

Qualquer player no mercado farmacêutico compreende o contexto em que o Estado Português e, nomeadamente, o Serviço Nacional de Saúde se inserem, as contingências inerentes a um sistema de saúde tendencialmente gratuito e universal e a necessidade de regular a distribuição de recursos. Mas é fundamental encontrar um equilíbrio: não podemos conter a despesa à custa da não disponibilização de medicamentos que representam mais-valias importantes, não só para o Estado, mas, principalmente, para os doentes. 

 
Qual a V. posição relativamente às dificuldades sentidas na aprovação de fármacos inovadores?

Os medicamentos inovadores são resultantes de intensa investigação e alvo de forte investimento. A necessidade de exercer um apertado controlo sobre a equação de custo/benefício, obriga à realização de um relatório fármaco-económico tão profundo que a sua análise resulta numa demora mínima de nove meses na entrada no mercado. Nos piores casos, pode ultrapassar três anos. Isto sem referir os medicamentos que são aprovados no contexto europeu, mas nunca chegam a ser aprovados e comparticipados em Portugal.

Infelizmente, o nosso país está na cauda da Europa no que toca à introdução de terapêuticas inovadoras. Esta situação deve-se, essencialmente, porque os decisores continuam a encarar o medicamento como um "custo". Fala-se sempre em despesa com a saúde e nunca em investimento, 40% dos avanços na saúde, em ganhos de anos de vida, são devido a medicamentos. Sabe quanto o Estado pode poupar se conseguir "reabilitar" para a vida activa milhares de doentes com cancro, artrite reumatóide ou esclerose múltipla? Milhões de euros à segurança social. Isso é um investimento, não um custo.

 
E sobre o aumento da penetração dos medicamentos genéricos?

São soluções diversas para diferentes necessidades do mercado. Existe espaço para ambas. A nossa estratégia não passa por aí. Queremos continuar a contribuir para a evolução das tecnologias da saúde e, para isso, a introdução de soluções terapêuticas inovadoras é fundamental.

 
Vão lançar algum produto/serviço nos próximos meses?

Actualmente, temos mais de 30 grandes projectos em fase três de estudos clínicos ou em aprovação. Outros 50 projectos promissores estão nas fases mais precoces de desenvolvimento. Este ano vamos lançar dois outros medicamentos inovadores no mercado nacional nas áreas da infecciologia e da dor.

 
Como vê o seu negócio numa perspectiva a cinco anos? Mais ou menos concorrência?

Todas as empresas que actuam nas mesmas áreas terapêuticas que nós têm potencial para serem concorrentes. Para os próximos cinco anos, temos um objectivo claro: evoluir, expandir e alavancar as actividades nos vários mercados. E posicionar-nos como líderes de mercado nas diversas áreas terapêuticas em que actuamos.

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