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Montepio

O seu dinheiro: A economia da felicidade
Opinião
28/11/11, 09:19

Alexandra Dias Teixeira *
"Um pobre pescador está deitado sob o sol, indolente, numa aprazível praia. Um turista vai falar com ele, tentando convencê-lo a ir pescar. - Porquê?, quer saber o pescador. - Para ganhar mais dinheiro, responde o turista, calculando de quantas pescarias a mais ele necessitaria para se tornar rico. - Para quê?, o pescador quer saber de novo. - Para ser tão rico que possa descansar em paz sob o sol, explica o turista. - Mas é exactamente isso que estou a fazer agora, diz o pescador, espreguiçando-se."

 
A riqueza é, pois, um termo muito relativo. O que o faz feliz será o mesmo que faz feliz o seu vizinho? O que faz um cidadão brasileiro feliz será o mesmo de que o cidadão português precisa para ser feliz? Os institutos contemporâneos de economia, nomeadamente o New Economics Foundation, estudam em que medida o dinheiro traz felicidade e quais os critérios que servem para medir a felicidade e o sucesso de uma sociedade. Em tempos controversos como os actuais, em tempos em que se fala todos os dias de austeridade e em que o descontentamento se começa a manifestar e a generalizar, será interessante perceber de que é que a sociedade portuguesa precisa para ser feliz e o que é necessário para melhorar a auto-estima e o bem-estar dos portugueses numa época de crise e fortes restrições.

Para o filósofo inglês Jeremy Bentham, que permaneceu fora de moda durante muitas décadas, mas agora reivindicado pela neurociência moderna, o primeiro ensinamento básico, por estranho que pareça, é que "o dinheiro, o consumo, o poder e a expectativa de vida longa não trazem felicidade." Segundo os economistas da felicidade, um bom relacionamento e sexo trazem mais alegria de viver do que, por exemplo, dinheiro e propriedades. Parece difícil de acreditar, principalmente num contexto de uma sociedade consumista como a actual. Mas, segundo a economia da felicidade, embora o acto de comprar possa trazer alguma felicidade por algum tempo, o mesmo não acontece com a posse porque, se determinados anseios são satisfeitos, surgirão outros novos, uma vez que as pessoas tendem a acostumar-se com rapidez ao que possuem como algo natural.

No topo do sistema pessoal de valores, via de regra, estão o dinheiro e o prestígio, à frente da família e dos amigos, mas, para a escala dos economistas da felicidade, na realidade, o que traz mais felicidade são os relacionamentos com as outras pessoas, nomeadamente, com a família, o parceiro, os filhos e os amigos, seguido do sentimento de fazer algo de útil e de acordo com as circunstâncias, isto é, de acordo com a saúde e a liberdade.

A maioria das pessoas no Ocidente considera o dinheiro como prioridade no topo da escala da felicidade, sacrificando a liberdade e a autodeterminação por um salário mais alto. No Ocidente, segundo estes economistas, compram-se coisas de que não se precisa para impressionar pessoas das quais não se gosta e com dinheiro que não se tem. "Somos tão ricos quanto nos sentimos e as pessoas de nosso convívio oferecem, não raro, o parâmetro para esse sentimento."

Estes economistas entendem que a actividade (falta de acção leva à depressão), a vivência em sociedade, a concentração (viver o presente), as expectativas realistas (não exigir de mais ou de menos), os pensamentos e sentimentos certos (evitando comparações), não exagerar na procura da felicidade e felicidade no trabalho são a melhor combinação para o resultado da felicidade.

Pelo que, não é por um acaso que, segundo o primeiro português doutorado em Economia da Felicidade, Dr. Gabriel Leite Mota, enquanto Portugal não acabar com a corrupção, "dificilmente vai ser um país feliz", considerando ainda que, para pensar mais em termos de felicidade, deve proteger-se "mais o emprego e menos a inflação."
 
* Advogada da JPAB - José Pedro Aguiar-Branco & Associados
alexandradiasteixeira@jpab.pt
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