O poder da marca é isto mesmo. Fazer tudo, ou quase tudo, o que apetece que o mais certo é conquistar sucesso, paixão e resultados. A Mini é mais ou menos isso: o arquétipo do brand value. E o seu novo modelo, o Countryman, traz consigo os genes de um novo culto.
Há muito que a Mini mostrou ao mundo o que significa associar, com sucesso, o carácter trendy a uma marca e a um carro. Mas, ao contrário de outros casos "fashion" do mercado, nunca caiu no erro de se esquecer de associar qualidade e competência técnica ao seu produto, argumentos fundamentais para que os seus carros possam ser considerados "premium", tal como os da casa mãe, a BMW. Os resultados comerciais e financeiros fazem deste renascimento da Mini um verdadeiro "case study" na indústria automóvel.
O Countryman acaba por ser o corolário lógico desta estratégia. Depois do Mini, Mini Clubman e Mini Cabrio, chega agora a vez de um carro maior, de segmento C, e com cinco portas. Dito assim, parece vulgar - mais um carro de segmento médio... - mas o conceito vai além disso: fazendo jus ao nome, o Countryman apresenta-se como um "crossover", misturando o formato de berlina com o de um pequeno SUV e disponibilizando versões de quatro rodas motrizes com aptidão para incursões fora de estrada.
O novo Mini será lançado no mercado nacional no próximo dia 23 de Setembro, apresentando-se com uma nomenclatura de gama em tudo idêntica à do Mini "primogénito". Um total de 11 versões, repartidas por quatro níveis essenciais: ONE, Cooper, Cooper S e Cooper D.
A gama a gasolina arranca com a versão ONE (1.6/98 cv), com um preço base de 22.900 euros, prosseguindo com o Cooper (1.6/122 cv), cotada em 26.100 euros. O topo é ocupado pelo Cooper S (1.6/184 cv, ou 211 cv no caso dos 4x4), cujo preço se situa nos 31.250 euros.
No que diz respeito aos diesel, o ONE D (1.6/90 cv) será comercializado por 24.750 euros, seguindo-se o Cooper D, por 27.700 euros.
A opção "All4", o nome que a Mini escolheu para o 4x4, estará disponível nos Cooper S (33.700) e Cooper D (30.750), enquanto as versões de caixa automática poderão ser adquiridas nas motorizações a gasolina, por um preço cerca de 2.800 euros superior.
A gama e preços do Countryman suscitavam expectativa, ou não fosse este um carro totalmente novo, assim como o próprio conceito. Os valores acabam por se colocar a par da carrinha Mini Clubman, em especial das suas versões de topo, e, apesar de ser aconselhável "guardar" um dinheiro extra para os "packs" de personalização, a verdade é que os preços agora divulgados acabam por ser bem competitivos para o posicionamento "premium" inerente ao Countryman. No meio de um imenso carácter emotivo, não será preciso muito atrevimento para encontrar uma grande racionalidade nesta escolha...
Como um Mini
O Countryman é o primeiro carro da marca com mais de quatro metros de comprimento e com uma clara aposta numa utilização mais versátil, sem os constragimentos de espaço dos Mini de segmento abaixo.
Para escapar à vulgaridade de uma "berlina média", a marca pegou em todo o código estético - e genético - dos modelos mais pequenos, conferiu-lhe um ar mais "radical" (a altura ao solo e as barras no tejadilho são determinantes) e possibilidade de escolha por unidades de quatro rodas motrizes.
O interior é sintomático da tendência e não esconde um indesmentível "family look"... um utilizador Mini reconhece de imediato o ambiente, seja no tablier com o grande mostrador central, seja nos bancos ou até nos acabamentos dos painéis das portas. A bordo, nota-se mais espaço em todas as direcções, em especial no comprimento e nos lugares posteriores, mesmo comparando com os Mini Clubman (a "carrinha" Mini). Este incremento possibilitou a criação de uma calha longitudinal entre os bancos, verdadeira "pièce de résistance" do Countryman e sobre a qual podem deslizar suportes para copos, compartimentos para arrumação ou até a base para a ligação do iPhone... Este equipamento é especialmente interessante nas versões de quatro lugares, ou seja, com quatro bancos individuais, já que percorre todo o comprimento do habitáculo. A Mini disponibiliza, sem custo extra, versões de cinco lugares. A calha perde alguma graça, mas ganha-se mais um assento lá atrás.
É ao volante que se torna mais notável a afinidade com os "mini Mini" (agora podemos chamá-los assim...). Apesar de as suspensões e chassis serem distintos, com um conjunto McPherson à frente e eixo multi-link atrás, o "feeling" da condução é o mesmo: a direcção muito precisa e directa, a suspensão firme e aquela deliciosa sensação de sentirmos o carro nas mãos a todo o momento. Os responsáveis da marca não escondem que um dos pontos do caderno de encargos era precisamente a manutenção deste comportamento dinâmico tipo "go-kart" - e a definição é da Mini, não é nossa.
Fruto da maior distância entre eixos e largura de vias, o Countryman tem um carácter mais progressivo e macio, mas a condução desportiva tem um desempenho tirado "a papel químico" dos outros Mini. Até o selector da caixa de velocidades tem um engrenamento e um som iguais.
Boas notícias, portanto, para quem acha que viajar de automóvel é mais do que ir do ponto A ao ponto B...
O "crossover" Mini Countryman chega ao mercado com duas características poderosas: o valor da marca e o ineditismo do conceito.
Num mercado em que as novas ideias começam a ser cada vez melhor recebidas, e no qual as propostas são cada vez mais, este poderá muito bem ser mais um "case study" a acompanhar.
Um Mini para o fora de estrada
Um dos pontos altos do Mini Countryman reside na possibilidade de se optar pelo sistema de tracção integral All4. Um diferencial central electromagnético é reponsável por repartir automaticamente a potência por ambos os eixos, desde 50:50 até 0:100. Uma breve incursão por uma estrada de terra batida, com alguns pontos mais arenosos, é suficiente para perceber que o Countryman All4, sem ser um TT, permite uma maior desenvoltura fora do asfalto e, acima de tudo, maior segurança, já que o sistema reage com grande rapidez em situações de menor aderência. Uma opção a considerar.
Contentores e glamour... juntos e ao vivo
Anos depois de ter sido ressuscitada pela BMW, a Mini conquistou aquele patamar de valor de marca que lhe permite atrever-se a tudo. Sintomática, a apresentação do Countryman à imprensa mundial teve como palco um cais das docas de Munique.
Para lá chegar, um percurso a pé que cruzava a grande alameda Reeperbahn, em pleno "red light district" da cidade - casinos e "table dance" de um lado, esquadra de polícia do outro. Uma tirada pela Davidstrasse - sempre pelo passeio da esquerda, que o da direita é para os lugares cativos, por assim dizer - descer as escadinhas em direcção à linha de água e "voilá!"... oito dezenas de contentores soldados entre si e aos quais foram removidas as paredes interiores (1) acolheram os jornalistas.
Lá dentro, espaço para tudo. Na base, um "foyer" devidamente decorado com grafitis iluminados por gambiarras. No piso superior, um restaurante com vista para o braço de mar e para os estaleiros, onde a Mini colocou uma faixa de 200 metros com a inscrição "Fish & Trips" (2).
Ainda um pequeno auditório da conferência de imprensa, com carros empilhados em contentores (3) e um conjunto multimédia com ecrãs gigantes. No topo, espaço ainda para um terraço "lounge" com DJ e pista de dança... Longe dalí, num dos pontos de paragem do percurso de testes, um Mini sobre uma jangada insuflável (4), ancorada num meio de um lago.