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Crítica do OJE: Apostar na InFormação
Colunas
18/01/12, 12:07
Por Vicente Themudo de Castro

Apesar de muitos dizerem que a era gourmet está a esvanecer e que a palavra está mais do que saturada, a verdade é que, hoje em dia, seja pelos diversos programas de televisão sobre gastronomia e vinhos, jantares vínicos ou cursos de vinhos, todos gostamos de absorver informação e saber um pouco mais para poder arriscar em experiências diferentes ou em mais ousadas combinações de harmonização entre o prato e o néctar.
Curioso é que a formação apostava em apenas explicar o que se passava dentro da garrafa, quais as castas, os seus aromas e paladares, a intensidade e estrutura. Mas, agora, isto já não chega e torna-se insuficiente - há que saber mais, muito mais.
O saber, ou a necessidade deste, alargou-se, e quer-se conhecer as regiões e o seu terroir, o processo de vinificação e até entender o estilo e personalidade dos enólogos.
As pessoas, ocasionalmente, deixam de pedir rótulos para começarem a pedir perfis; por vezes, os vinhos perdem a marca para ganharem uma personalidade - mineral, frutado, especiado, complexo, macio e outros adjectivos passaram a fazer parte do vocábulo dos "entendidos", ou mais carinhosamente apelidados de conhecedores.
Recentemente, a Comissão Vitivinícola do Tejo apercebeu-se de que estava a ficar para trás nestes pontos: o Douro, o Alentejo ou o Dão já são regiões facilmente reconhecidas e caraterizadas pelos consumidores, mas o Tejo é ainda um desconhecido, ou, pelo menos, mais dificilmente caraterizável. "Por ser uma herança cultural e por ser fruto de árduo trabalho, o vinho é um produto demasiado digno e não deve ser consumido de uma maneira inconsciente, mas antes com sabedoria e conhecimento - há que formar e informar!", afirma José Pinto Gaspar, presidente da CVR Tejo.
E a estas afirmações juntou a mais recente iniciativa de promover um curso de formação para consumidores principiantes, os designados por cursos de nível I.
"Saber Viver o Vinho" é o curso de nível I que a CVR Tejo vai organizar. Terá lugar nas suas instalações, em Santarém, no dia 21 de janeiro, entre as 10h00 e as 14h00 (inclui almoço), estando já projetada, mas ainda sem data, a repetição desta formação, bem como um curso mais avançado de nível II.
Saber de vinho e conhecer melhor as nossas regiões não é apenas um meio de aumentar o conhecimento dos consumidores, mas também de ajudá-los a defender, de forma consolidada, a imagem de qualidade pouco difundida e sustentada que os vinhos portugueses têm, e que decididamente merecem!
Para mim, beber vinho nacional não é um simples ato de consumo, é uma viagem à nossa terra, às nossas origens e uma forma de dignificar o nosso país.
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