Crítica do OJE: Os moscatéis da Ermelinda Colunas ![]() Por Vicente Themudo de Castro Em Fernando Pó, em pleno coração da região de Palmela, nasceu, há 92 anos, a Casa Ermelinda Freitas. Quatro gerações depois dos primeiros registos de escrituras de terrenos, continua na família e cabe a Leonor Freitas comandar os destinos da casa. Leonor nasceu em Fernando Pó, por lá viveu e estudou durante a sua infância. Depois de sair temporariamente para estudos mais técnicos e superiores, volta, não para a adega, mas para Setúbal, como assistente social na ARS. A história da sua vida muda radicalmente quando, há sensivelmente 16 anos, perde o seu pai e decide continuar o trabalho deste em Fernando Pó. A partir daí, a sua vida muda, a adega muda e o crescimento, desde então, não findou. A mudança não foi fácil e os tempos eram bastante diferentes do início, pois, em 1920, apenas vendiam uva; em 1940, construiu-se uma adega, mas o vinho era quase todo vendido a granel; em 1997, tenta apostar mais na qualidade e começa a privar e receber conselhos do enólogo Jaime Quendera, tendo, em 1999, passado a enólogo residente e principal, relação que ainda hoje não foi quebrada. Os 60 ha de vinha, apenas com as castas Fernão Pires e Castelão (as únicas que, segundo os autóctones, vingam nestes terrenos), deixaram de ser somente para granel e surgiram marcas como o Terras de Pó, Dona Ermelinda, entre outras. Foi em 2002 que se deu a grande viragem da empresa e do projeto, pois o seu principal comprador de vinho a granel (1 800 000 litros anuais) anuncia que não vai comprar mais. A partir deste dia, foi preciso repensar e apostar em mais qualidade e mais diversidade. Os terrenos passaram para 240ha, foram plantadas novas castas (Trincadeira, Touriga Nacional, Aragonês, Syrah, Alicante Bouschet, entre outras) e, em 2005, termina a nova adega, aumentando a sua capacidade de vinificação, a qualidade dos néctares e a diversidade da oferta, apostando em produtos como o Bag-In-box, monocastas e moscatéis de qualidade. É uma das empresas de vinhos mais sólidas em Portugal, produz anualmente 6 milhões de litros, exporta grande parte, já garantiu a continuidade geracional (com a sua filha de 26 anos e formada em gestão, Joana), e vive segundo a máxima: "O investimento da nossa casa tem sempre como alvo a qualidade, sendo que não investimos para fazer mais, mas sim para produzir o melhor, sendo este o nosso grande objetivo", Leonor Freitas dixit. Moscatel de Setúbal D.O.C. Foram produzidas 12 000 garrafas, de vinhas com 20 anos de idade, os mesmos que se aconselham de tempo máximo de guarda. Desta vinhas em solos podzolizados de areias e arenitos e sujeitas a um clima mediterrânico-continental, resultou um vinho de cor âmbar, com alguma complexidade e frescura. Os aromas de casca de laranja e mel são os primeiros a destacar, já na boca é cheio, doce e com uma acidez bastante equilibrada, o que lhe confere frescura. Termina com alguma persistência num final bastante longo e interessante. Servir entre os 14oC e os 16oC. Teor alcoólico 17,5%. PVP €8 Casa Ermelinda de Freitas Moscatel de Setúbal Superior 2000 D.O.C. É um néctar muito interessante do qual, infelizmente, só se produziram 6000 garrafas de meio litro. Apesar das caraterísticas das vinhas, solos e clima serem idênticos ao seu irmão Moscatel de Setúbal do mesmo produtor, distingue-se bem pelo seu envelhecimento durante 60 meses em meias pipas de carvalho francês. Aparece com cor âmbar dourada, revelando, no nariz, grande complexidade e riqueza de aromas típicos da região como o mel e a casca de laranja, aparecendo, a madeira, de forma suave e bem entrosada com os restantes aromas. Na boca, é bastante apaixonante enchendo bem, mostrando doçura e com boa acidez e frescura, terminando muito longo e persistente. Servir entre os 14oC e os 16oC. Teor alcoólico 19%. PVP €9,99 ![]() ![]() ![]() 11/04/12, 11:19 Crítica do OJE: Garrafeiras em restaurantes, que futuro?Os tempos mudaram, ou melhor, evoluíram, e a visão que os restaurantes tinham das garrafeiras também.09/04/12, 10:48 Nova Cardiologia: Porque continuam os nossos jovens e atletas a ter morte súbita? (I)"O médico superior previne a doença. O médico medíocre impede a doença de se manifestar.O médico inferior trata a doença."22/03/12, 11:16 Nova Cardiologia: O Heart teamAs doenças cardiovasculares constituem hoje, e seguramente nas próximas décadas, uma causa importante de incapacidade e de mortalidade em Portugal, atingindo21/03/12, 12:16 Crítica do OJE: Brancos da VidigueiraHá já alguns anos que na Vidigueira nasceu um projeto bastante interessante e que tem dado frutos muito positivos ao mundo do vinho luso. |