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Depois do diagnóstico: reconstruir o bem-estar
Colunas
27/10/11, 10:33
Por Ribeirinho Soares - Cirurgião Plástico

Numa altura em que se celebra o Dia Nacional de Prevenção do Cancro da Mama, e assumindo este período como um pretexto extra para passar algumas mensagens - já que estas não devem ser esquecidas no quotidiano de todos -, é essencial falar na prevenção e diagnóstico precoce, mas também desmistificar ideias que frequentemente surgem associadas ao tratamento: a reconstrução mamária.
Após a mastectomia (remoção total ou parcial da glândula mamária), é colocada a possibilidade de realizar uma cirurgia plástica reconstrutiva, a qual pode ser efectuada no momento ou mais tarde. Esta é uma decisão condicionada pela situação clínica da mulher. Normalmente, caso não hajam contra-indicações, o processo de reconstrução é feito de modo imediato, evitando um possível choque pós-operatório e a tornar esta fase menos negativa.
Este procedimento cirúrgico visa o restabelecimento da simetria mamária (reconstrução da forma e volume o mais natural possível), mas simultaneamente actua no sentido de recuperar a auto-estima perdida - uma imagem corporal com a qual a mulher se sinta melhor.
Nos casos de mastectomia total, a simetria absoluta em relação à mama oposta, é quase impossível de alcançar. Porém, é possível obter resultados muito satisfatórios (subordinados às expectativas criadas pela doente) e que melhoram substancialmente a forma mamária. De notar que, do processo de reconstrução, poderá fazer parte a intervenção na mama contralateral: elevação do peito descaído (mastopexia) e aumento da mama.
A reconstrução implica duas ou mais cirurgias, dependendo do tipo de mastectomia aplicada e da própria consistência demonstrada ao longo do tempo. Pode demorar entre 1 a 5 anos, todavia é um processo que nunca está completo. Na verdade, é necessário efectuar retoques com o passar dos anos: corrigir cicatrizes, aplicar novas injecções de gordura, recolocar a prótese. A remoção de tecidos da parede abdominal inferior (Tram Flap) ou a utilização de retalho de músculo grande dorsal faz parte do início do procedimento, com vista à reconstrução mamária.
Uma das dúvidas que este processo mais suscita é se a capacidade de amamentar fica ou não comprometida. Após a mastectomia total não é possível amamentar e a própria sensibilidade fica afectada.
A reter: a reconstrução mamária desempenha um papel extremamente importante no plano de recuperação da paciente, a nível psicológico e físico. É possível ser feliz com a sua imagem pós-cirurgias.
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