PUB
Faça do OJE a sua homepage
Montepio
Olfactorium: Estado de SHOCK
Colunas
05/12/11, 10:30
Por Lourenço Lucena

Em meados dos anos noventa, o mundo foi surpreendido e, de certa forma, revolucionado por CK ONE, um perfume que veio não só a marcar uma geração como lançou a tendência dos perfumes unissexo e andróginos.
A ideia partiu de Calvin Klein ao observar a sua filha e os seus amigos, nos seus hábitos, costumes e estilo de vida. Foi o suficiente. CK ONE rapidamente se afirmou pela novidade do posicionamento como pela composição, que introduziu algumas novidades apontadas, por alguns, como a razão do sucesso. Certamente se recordará do seu aroma, pelo que não entrarei em detalhes. O mais importante a recordar é o de uma composição fresca, com uma original nota de chá, aliada a um aromático citrino (bergamota), uma leve nota frutada de ananás e um bouquet de flores (rosa, jasmin e lírio), acompanhados pelo cardamomo e um fundo de madeiras, musgo e âmbar.
Durante muitos anos, CK ONE liderou as vendas nos EUA e vários países. Os anos noventa já lá vão e com os novos tempos, novas vontades, o que levou a Calvin Klein a reinventar a proposta ONE e a fazer o trabalho de se actualizar, considerando uma nova geração, com novos hábitos e referências.
Na minha opinião, o ADN de CK ONE foi posto em causa a partir do momento em que se questionou um dos factores distintivos de CK ONE original, o ser unissexo.
A nova versão de CK ONE apresenta-se numa versão masculina e numa versão feminina, bastante diferentes entre si e menos revolucionários que o seu antecessor.
Com um denominador comum de rebeldia e provocação, CK ONE SHOCK surge numa atitude mais individualista e de menor partilha, numa época em que cada um pensa por si e na sua satisfação pessoal, em detrimento do outro, levada ao extremo e sem limites.
Quanto à versão feminina, CK ONE SHOCK apresenta-se de uma forma bastante impositiva e menos subtil que a versão original. É um floral oriental intenso e teen. Um perfume onde, num primeiro contacto, é bastante evidente o bouquet de flor de maracujá, que lhe dá um toque exótico e frutado, peónia rosa e papoila às quais se juntam o jasmin, a flor de narciso e uma adocicada amora silvestre, mais jovem e intensa. Para reforçar a envolvência e atracção deste perfume, sentimos o chocolate e a baunilha, acompanhados pelo patchuli e o almíscar, que fecham consistentemente esta versão feminina com atitude jovem e independente.
A versão masculina não lhe fica atrás no que toca a impulsividade e intensidade. Devo dizer que, entre as duas, considero a versão masculina uma composição mais própria e interessante.
A tónica oriental é mais notória nesta proposta que a sua companheira.
O perfume abre com uma clementina efervescente e suculenta, acompanhada pelo pepino, que, não neutralizando o citrino, o acalma e prepara para o casamento com a lavanda, que lhe dá uma ar "limpo" e arrumado.
Não se pense, porém, que a proposta masculina CK ONE SHOCK é certa e bem comportada. Depois de um início tentador, surge a provocação da pimenta preta e do notável e aromático cardamomo, que se reforça e potencia com o aroma de manjericão preto e do osmanto, que lhe dá segurança, consistência e uma nota fresca levemente picante.
O final é surpreendente e masculino pela evidência do aroma do tabaco, notas de âmbar, adocicadas e arredondadas pelo patchuli e o almíscar que fecham a composição com firmeza e sensualidade.
CK ONE SHOCK para ele não é um perfume maduro. Diria antes que se posiciona para um público mais jovem, que procura deixar uma marca pessoal de expressão própria.
Embora os apaixonados por perfumes não devam deixar de conhecer ambas as propostas e assim sentirem a evolução deste perfume que ficará na história da perfumaria, criado em 1994 por Fabien Barron, não posso deixar de afirmar que acredito que esta versão SHOCK não terá a mesma longevidade de CK ONE, até porque os tempos que vivemos se pautam pela urgência da novidade. O que virá a seguir?
0  Comentários
0 votos
11/04/12, 11:19

Crítica do OJE: Garrafeiras em restaurantes, que futuro?

Os tempos mudaram, ou melhor, evoluíram, e a visão que os restaurantes tinham das garrafeiras também. Ver Notícia
09/04/12, 10:48

Nova Cardiologia: Porque continuam os nossos jovens e atletas a ter morte súbita? (I)

"O médico superior previne a doença. O médico medíocre impede a doença de se manifestar.O médico inferior trata a doença."
(Extrato do primeiro livro de Ver Notícia
22/03/12, 11:16

Nova Cardiologia: O Heart team

As doenças cardiovasculares constituem hoje, e seguramente nas próximas décadas, uma causa importante de incapacidade e de mortalidade em Portugal, atingindo Ver Notícia
21/03/12, 12:16

Crítica do OJE: Brancos da Vidigueira

Há já alguns anos que na Vidigueira nasceu um projeto bastante interessante e que tem dado frutos muito positivos ao mundo do vinho luso. Ver Notícia
pub
NOTICIAS
  • ÚLTIMAS
  • + LIDAS
  • DESTAQUES