No Mercado: Duas figuras de convite Cultura ![]() Por Anísio Franco - Em parceria com L+arte Congratulamo-nos sempre com a abertura de um novo antiquário no nosso país, ainda com mais entusiasmo quando se trata de uma aposta verdadeiramente qualificada. Manuel d'Orey Capucho e Nuno Cardoso abriram há pouco mais de uma ano, na Rua do Alecrim, em Lisboa, uma galeria de azulejaria, a d'Orey & Cardoso, onde encontramos uma boa escolha da melhor produção azulejar nacional, do século XVI ao XIX. A nova empresa oferece ainda um serviço de reparação e restauro de azulejos, bem como a experiência em transferir para suportes transportáveis estas obras de arte não muito móveis. Importa salientar que, efectivamente, é no campo das artes decorativas que a criação artística deu maiores frutos em Portugal. Num país de prática, onde o empirismo parece ser a única forma filosófica que se salienta, não admira que as artes aplicadas, com funções de ostentação e de representação bem determinadas, se tenham tornado nas artes maiores. A ourivesaria, o mobiliário e aquelas que a estes se uniram, numa comunhão perfeita, para transformar os interiores portugueses em espectaculares espaços de exuberância decorativa, a talha e a azulejaria, são as verdadeiras áreas a destacar. Foi na azulejaria que os artistas portugueses mais inovaram: o azulejo alastra-se nos espaços, respeitando sempre a arquitectura, quase substitui a pintura, ganha novos recortes e funções, renova-se a si próprio numa derivação que já nada tem que ver com qualquer outra arte. É neste contexto de renovação que surgem na azulejaria portuguesa as chamadas figuras recortadas. Fenómeno sem par em qualquer outro país do mundo, exceptuando os que faziam parte do território colonial português, como o Brasil, mimetiza todas as formas da natureza, enfeitando cozinhas, decorando salas e abrindo caminho nas entradas das grandes casas. Estas figuras recortadas autonomizam--se de tal forma que mereceram já a atenção de vários especialistas. Entre elas, as figuras de convite foram criadas para estarem à porta das casas dando as boas vindas aos visitantes. Tal como salientou Luísa Arruda, "as figuras de convite assumem o papel físico de actores em cena, dialogando com o espectador através da expressão corporal e mesmo de texto inscrito em filacteras que saem da boca das figuras como se fossem personagens de banda-desenhada". Elas conferem nobreza à casa onde estão aplicadas, são uma espécie de guardaria que jamais desiste da sua função. Diz-se que muitas foram aplicadas em palácios depois da visita de algum rei, tornando-se numa espécie de garantia de que a casa era um paço. A d'Orey e Cardoso tem à venda um par de figuras deste tipo, de meados do século XVIII, de dimensões apreciáveis. Pertenceram à Quinta do Nolasco, em Alcabideche, e de lá foram retiradas por a casa já não oferecer condições de preservação. De execução primorosa e qualidade excelente a nível do desenho e pintura, não têm, no entanto, autor reconhecível, podendo ser incluídas na fase a que Santos Simões chamou da grande produção do século XVIII. Servem elas, afinal, como cartões de convite a uma visita a este novo antiquário. ![]() ![]() ![]() 08/02/12, 10:19 “Frei Luís de Sousa” estreia no D. Maria IIA Sala Estúdio, do Teatro D. Maria II, em Lisboa, estreia amanhã, 9 de fevereiro, a peça "Frei Luís de Sousa", de Almeida Garrett. Um espetáculo de Diogo Bento01/02/12, 10:52 Arteportugal arranca no Grande Real Villa ItáliaA State of the Art e o Grande Real Villa Itália Hotel & Spa, em Cascais, juntam-se para apresentar o projecto arteportugal, uma exposição de arte contemporânea31/01/12, 10:11 Livro: "Uma História de Amor"Uma estadia na quinta de turismo rural Casal da Eira Branca, nas Caldas da Rainha, foi o mote para que Tomás Vasques escrevesse "Uma História de Amor no Casal |