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Montepio
Teatro: "As meninas de Wilco em cena no CCB"
Cultura
12/03/10, 11:46

O Grande Auditório, do Centro Cultural de Belém, em Lisboa, recebe, nos dias 19 e 20 de Março, a peça "As Meninas de Wilko", a partir do romance Panny z Wilka de Jaroslaw Iwaszkiewicz.
 A partir das 21 horas, o palco será de Sérgio Romano, Laura Marinoni, Patrizia Punzo, Elena Arvigo, Irene Petris, Fabrizia Sacchi e Alice Torriani, numa encenação de Alvis Hermanis. "As Meninas de Wilko" é uma viagem pelos territórios de uma memória privada, a história de um homem em diálogo com o seu passado. Quinze anos depois, Wiktor Ruben regressa ao lugar onde, na sua juventude, passou alguns verões. Era um estudante universitário cheio de esperança na época em que passava aqueles meses estivais em casa dos seus tios. A sua modesta residência não ficava longe de Wilko, uma grande propriedade que pertencia a uma família aristocrática. Apesar de pertencer a uma classe social inferior, Wiktor deslocava-se frequentemente àquele lugar para aí passar o tempo com as seis jovens filhas do proprietário, as meninas. Às mais novas, dava-lhes explicações de Latim, ao passo que mantinha uma estreita amizade com as irmãs mais velhas. Tinha uma relação singular, especial, única e secreta com cada uma delas.
Com Julcia, por exemplo, partilhava um forte entendimento intelectual; com Jola, dava longos passeios a cavalo e considerava-a quase uma irmã; já com Kazia perdia-se em longas conversas de cariz existencial. Wilko foi também o lugar onde se iniciou na sua educação sentimental. Muito embora as meninas estivessem enfeitiçadas por ele, Wiktor, perdido nos mecanismos da sedução, não era capaz de escolher uma entre todas, e então os seus sentimentos permaneciam suspensos no vácuo. Nos anos que se seguiram há última visita a casa da tia, Wiktor tornou-se um homem e a sua vida mudou: não só combateu na Grande Guerra, como na sua vida civil teve que se adaptar ao destino de uma existência banal, reprimindo os seus sonhos e ambições de juventude. Esta nova estada em Wilko leva-o a prestar contas com o seu passado, a enfrentar memórias há muito esquecidas, a aceitar as decisões que influenciaram a sua existência. Ao comparar estas duas épocas da sua vida, Wiktor compreende a impossibilidade de fazer a realidade aderir aos sonhos. Debate-se com o tempo, com a tia, que gostaria de o ver casado com uma das meninas, com os seus instintos sexuais. Regressar a Wilko é desconcertante: apesar das muitas novidades, parece que o tempo parou, que nada mudou. Wiktor volta ao passado para reconstituir no presente os caminhos interrompidos com as meninas, corrigindo os erros da juventude e evitando o arrependimento. O tempo e o seu carácter tornam-se factores decisivos...
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