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Montepio
4 por 6
Gourmet
22/07/10, 10:51
Texto Cláudia Ferreira Henriques, Foto Filipe Pombo/AFFP

Uma pitada de inspiração, simplicidade q.b. e paciência na dose certa são os truques para comer com peso, conta e medida. Não acredita? Mariana, Pipoka, Elvira, Suzana, Marizé e Laranjinha, autoras de blogues culinários, mostram que é possível preparar uma refeição para uma família de quatro elementos com seis euros.
Cozinhar de forma criativa, saudável, económica e sem grandes complicações nem sempre é fácil, sobretudo na correria dos tempos modernos e com cada vez maiores preocupações financeiras. Isto desmotiva qualquer dono de avental. Foi precisamente a pensar nisso que Mariana Fidalgo idealizou o 4 por 6. Trata-se de um projecto na blogosfera culinária portuguesa cujos menus consistem num prato principal e numa sopa ou sobremesa para quatro pessoas. Isto sem ultrapassar um orçamento de seis euros, e dando sempre que possível uma dica de poupança. Complicado? Parece. E segundo a própria até o foi no arranque. "Nenhuma de nós estava habituada a pesar o que usava, a anotar todos os ingredientes e a cozinhar para quatro. Foi preciso pensar mais do que o costume para fazer os ‘posts' e trabalhar de forma rigorosa. Agora já é quase instintivo", conta ela, que ainda tem bem presente o momento em que o 4 por 6 começou a ganhar forma. "A ideia surgiu na altura em que a crise se tornou real. Ajudou também o facto de me deparar com a teoria errada de que para comer de forma equilibrada é preciso perder muito tempo e gastar muito dinheiro". A vontade de fazer do seu blogue (http://caosnacozinha.wordpress.com) mais do que "uma mera colecção de receitas, tornando-o útil às pessoas", foi o empurrão decisivo para passar da teoria à prática.
Com os primeiros esboços delineados, a etapa seguinte foi ponderar com quem do mundo dos blogues nacionais dedicados à arte de bem cozinhar gostaria de concretizar o plano. Como faz questão de frisar, "o projecto foi, desde o início, criado e desenvolvido pelas seis". A escolha recaiu sobre Isabel, a Laranjinha, do http://cincoquartosdelaranja.blogspot.com; Suzana, do http:// gourmets-amadores.blogspot.com); Marizé, do http://tachosdeensaio.blogspot.com; Elvira, do http://elvirabistrot.blogspot.com; e mais uma Isabel, desta feita a Pipoka, do http://threefatladies.blogspot.com.
Algumas trocas de e-mails foram suficientes para acertar os detalhes. Nenhuma teve dúvidas quando recebeu o convite. "Na altura, por motivos profissionais, estava ausente de casa a frequentar um curso e só regressava ao fim-de-semana. Não sobrava muito tempo para cozinhar, mas não podia deixar de participar", esclarece Marizé, assumindo que também se sentiu atraída pelas regras do jogo. Essa parece ser, aliás, opinião consensual entre as convidadas. "Encontrar sugestões válidas e apresentar dicas para poupar que façam realmente a diferença é um desafio maior do que qualquer uma de nós supôs inicialmente. É aí que reside o grande interesse do 4 por 6", faz questão de explicar Suzana, a última cozinheira na primeira rodada. A estreia do projecto foi a 16 de Março pelas mãos da mentora, no Caos na Cozinha, onde Mariana serviu almôndegas de frango e espinafres sobre penne em puré de cenoura e cogumelos salteados, reservando o kiwi para a sobremesa.
À DISTÂNCIA DE UM CLIQUE
Com cada uma a apresentar, no seu blogue, uma receita quinzenalmente, seria de supor que os encontros a seis para trocar opiniões se sucedessem a bom ritmo. Não é bem assim. Mariana, Elvira, Pipoka, Marizé, Suzana e Laranjinha nunca estiveram as seis sentadas à mesma mesa. A geografia não facilitou. Mariana vive em Espinho, Marizé em Fazendas de Almeirim, Elvira mudou-se recentemente para a Terceira, nos Açores, e as restantes residem em Lisboa. "Como é que se explica a empatia entre pessoas que não se conhecem fisicamente? Ainda hoje faço essa pergunta", confessa Pipoka, esforçando-se por encontrar as palavras certas. "Entre nós tudo aconteceu naturalmente. Ninguém apresentou ninguém. Os posts que lia nos blogues delas, assim como os comentários delas no meu, fizeram-me sentir grande afinidade, que extravasa o âmbito culinário". Opinião partilhada por Laranjinha, que fala pelo grupo quando garante que o encontro em falta não atrapalha o bom funcionamento do 4 por 6. Segundo Laranjinha, que só não conhece Mariana, "cada uma tem total liberdade de criação e só no próprio dia sabe o que as outras publicam no post. Não há acordo prévio, e quando surge uma dúvida o e-mail e os chats resolvem". E mesmo sendo seis cabeças a pensar não há problemas na hora de decidir. "A autonomia de cada uma e a sintonia no modo como encaramos este trabalho faz com que seja fácil tomar decisões", confidencia Suzana.
DEVER CUMPRIDO
Mesmo sem uma meta definida, o sentimento comum é de que o grande objectivo foi concretizado. Afinal, é mesmo possível comer bem e em conta cozinhando com prazer. "Comemos várias vezes ao dia e se for um acto mais leve e alegre melhor. Podemos fazer pratos fantásticos com pouca coisa no carrinho do supermercado. É para isso que serve o 4 por 6: dar asas à criatividade, encarar a comida de forma mais aberta e descontraída", reconhece Elvira. E deixa o ensinamento: "Comer bem não é sinónimo de comer caro. A criatividade é que transforma alimentos simples em refeições dignas de grandes restaurantes".

 
6 conselhos que dão mesmo muito jeito
1- É necessário muito menos energia para ligar o fogão uma só vez e cozinhar uma maior quantidade, do que para a confecção repartida de pequenas quantidades várias vezes. Cozinhar grandes quantidades de alimentos quando estes estão em época e congelar para uso posterior é uma opção sustentável e que compensa em termos financeiros.
2 - Reaproveite as claras que sobram depois da confecção de alguma receita que exija o uso de mais gemas. Elas podem ser guardadas numa caixa e congeladas, e depois usadas em pratos como bacalhau à Brás ou numa omeleta. Mas uma vez congeladas não servem para bater em castelo. 
3 - Reutilize ingredientes que tenham sobrado de alguma refeição. Aproveite o caldo de cozedura de legumes, carne ou peixe e depois use em sopas,
molhos ou na confecção de outros pratos.
4 - Compare os preços/qualidade dos produtos entre os supermercados ou hipermercados a que se costuma ir. Os produtos de marca própria são muitas vezes uma boa opção em termos de qualidade e mais baratos.
5 - O açúcar em pó é mais caro do que o açúcar normal, raramente é usado e pode acabar por se estragar, mesmo sendo vendido em pacotes pequenos. Se tiver em casa um moinho de café eléctrico, ou mesmo um processador, pode fazer açúcar em pó a partir do açúcar branco comum e evitar a desnecessária diferença de preço. 
6 - Quase tudo na nossa cozinha é reciclável. O pão seco, por exemplo, pode ser guardado e, com a ajuda de um processador, transformado em pão ralado. Pode ainda tornar-se mais interessante com a adição de ervas aromáticas secas ou de alho em pó. Assim, em vez de o comprar no supermercado, temos em casa pão ralado, mais fresco e com os sabores que mais nos agradam, praticamente a custo zero.

 

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