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Montepio
Colares revisitados em Seteais
Gourmet
22/04/10, 13:40
Por Vicente Themudo de Castro

Sintra não são só quintas aristocráticas e chalés românticos. Não há só turismo nesta vila do termo de Lisboa, classificada de Património da Humanidade pela UNESCO. Sintra, ou melhor, Colares, é também terra de lavoura.

O produto maior é o vinho. Sintra é o concelho, Colares a denominação, mas é nas freguesias de Azenhas do Mar, São Martinho e São João das Lampas que estão as vinhas. Muitas, as tradicionais, estão cultivadas rentes à areia, partilhando o solo com macieiras, também elas rasteiras.
O sucesso do vinho de Colares começou com a desgraça da filoxera. A praga terá chegado a Portugal em 1865, mas poupou esta região, visto o solo arenoso ser avesso ao insecto. Eça de Queiroz elogiou-o e Lisboa bebia-o com agrado. Assim foi até à crise mundial de 1929. Nesses idos havia 20 produtores, hoje há cinco. Há alguma esperança, uma vez que, nos últimos anos, surgiram dois: a Fundação Oriente, com a marca tradicional MJC, e a estreante Montes Cascas.
É com essa vontade de levantar a região que o Palácio de Seteais, hotel da cadeia Tivoli, organizou uma prova dos mais recentes brancos e tintos de Colares, seguida de uma refeição harmonizada com néctares menos recentes.
O primeiro branco a ser provado foi o da Fundação Oriente, respeitante ao ano de 2008. Mostrou-se austero no nariz, revelando-se aos poucos com um carácter fresco ao qual não é estranha a presença do arinto, como complemento à casta malvazia de Colares.
O segundo branco, também referente a 2008, foi o Arenae, produzido pela Adega regional de Colares. Trata-se de um vinho com um perfil mais tradicional. No nariz revelou notas herbáceas. Na boca destacou-se a mineralidade.
O último branco, ainda de 2008, foi o Monte Cascas, que sacudiu a tradição da região, com as notas de madeira a marcarem. Muito complexo nos aromas e acídulo na boca.
A Fundação Oriente avançou com um tinto muito elegante de 2005 (MJC). Elaborado exclusivamente com uvas ramisco, distanciou-se da adstringência habitual nos vinhos novos desta denominação de origem. Elegância é o que melhor o qualifica.
Para finalizar a prova, veio um Viúva Gomes de 2003, no qual ao ramisco se juntou a casta molar. Mostrou-se mais rústico com notas de couro. Na boca, revelou-se bastante adstringente.
Prova superada, seguiu-se um almoço confeccionado pelo chefe Luís Baena, patrão das cozinhas do grupo Tivoli.
Primeiro vieram panquecas de milho com sardinhas marinadas em gaspacho e salada de folhagem. Acompanhou-se com um Colares Chitas Branco de 2006.
O segundo prato foi garoupa corada com batata grelhada e molho de mostarda de Moeux. Foi acompanhada por um Viúva Gomes Reserva de 1969. Nota de excelência para este tinto em grande forma.
Seguiu-se osso buco de novilho estufado com vinho tinto e puré de aipo. Para este prato, foram apresentadas duas propostas vínicas: Adega Regional de Colares Tinto de 1992 e MJC Tinto de 2004.
Por último, a sobremesa... strudel com recheio de travesseiros de Sintra e gelado de manjericão.
A escolta vínica veio da região vizinha de Carcavelos, um Quinta da Belavista.

 
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