Crítica do Oje: Monte da Penha Gourmet 10/03/10, 10:16Por Rui Falcão Seria impossível discursar sobre o Monte da Penha sem antes percorrer os caminhos apaixonantes da Tapada do Chaves, um dos raros produtores lendários do Alentejo e dos escassos a possuir uma história rica e farta para contar. Porém, antes de avançarmos pela crónica da Tapada de Chaves, temos de situar o Monte da Penha no tempo e no espaço, assim denominado por se situar precisamente numa penha, numa enorme fraga que corta a serra, num penhasco que desaba súbita e dramaticamente rente a Portalegre. Cinco minutos são tempo mais que suficiente para chegar a Portalegre, abandonando um Monte da Penha alfinetado por pedras e mais pedras, autêntica pedreira a céu aberto, terras agrestes e austeras, de solos paupérrimos e inclinações pródigas. Solos magros e de rendimentos miseráveis, terras pobres e sem viabilidade para a agricultura... mas ideais para a agonia da vinha, para o sofrimento das plantas, para a qualidade final da fruta. Terra amena e bem ventilada que, apesar do clima marcadamente continental, exulta com o anteparo da altitude, com a alegria da água, com o amparo protector e refrescante da Serra de S. Mamede, sita ali mesmo ao lado. Genuíno e marcadamente familiar, o Monte da Penha é capitaneado por Francisco Fino, herdeiro da tradição dos vinhos da Tapada do Chaves que, em tempos, formaram parte do património familiar. Na verdade, foi o avô de Francisco Fino que, em 1920, plantou as primeiras vinhas da Tapada do Chaves, algumas das quais ainda se encontram hoje em produção. Por razões pessoais, Francisco Fino decidiu, em 1987, plantar cerca de 13 hectares de vinha no Monte da Penha, o seu monte pessoal, contígua às terras da família. Durante quase uma década estas vinhas contribuíram para alimentar os vinhos brancos e tintos da Tapada do Chaves. Em 1998, com a carta de alforria lançada, começou então o caminho autónomo de Francisco Fino, sob a batuta comercial de Monte da Penha. Em boa hora o fez, porque os vinhos merecem destaque e exposição pública! Antes, em 1984, quando estabeleceu as primeiras vinhas, não experimentou qualquer dificuldade na eleição das variedades a plantar. Afinal, a experiência acumulada de duas gerações e a infância passada nas vinhas, bem como a necessidade de manter um rumo e um estilo, transformaram a escolha num processo intuitivo. Francisco Fino limitou-se a reproduzir, numa escala mais ou menos fiel à traça original, a coerência das vinhas da Tapada do Chaves, com predominância de Trincadeira (aproximadamente metade da área plantada), Aragonês, Alicante Bouschet e umas pinceladas de Moreto a servir de tempero adicionadas, mais tarde, com o perfume exótico da Touriga Nacional. Nas variedades brancas, reeditou o encepamento original com predominância para as castas Fernão Pires, Roupeiro e Arinto, aditado pelo condimento exótico da Tamarez, igualmente conhecida como Trincadeira das Pratas. Hoje, dos cerca de 134 hectares da propriedade, apenas 30 são dedicados à vinha. O resto mantém--se bravio, com mata selvagem e autóctone, sem qualquer valência agrícola. O primeiro Monte da Penha, da colheita 1998, ainda nasceu na adega da Tapada do Chaves, poucas semanas antes da decisão final de venda da propriedade. Depois, Francisco Fino teve de deitar mãos à obra, construir uma adega... e fazer nascer uma marca. Hoje, doze anos passados, o projecto mantém uma dimensão caseira, com todas as decisões a serem tomadas no aconchego da família. E é fácil perceber o empenho e envolvimento de toda a família em todas as etapas, em todos os grandes momentos, em todos os pequenos detalhes. Os rótulos são caseiros, a enologia é caseira (de Francisco Fino, com a contribuição pontual de amigos), a distribuição é caseira, a comercialização é caseira, com uma cumplicidade e autenticidade pouco comuns no mundo do vinho. Todos por um e um por todos, parece ser o lema da casa. Os vinhos são diferentes de tudo o que o Alentejo costuma oferecer, mais frescos e penetrantes que o costumeiro, mesmo para a sub-região de Portalegre, moderadamente rústicos e eriçados, sinceros e espigados, numa associação ditosa entre tradicionalismo e modernismo, numa aproximação profundamente singular e individualizada. Muito mais que vinhos de prova, vinhos de concurso ou retórica, são vinhos de tertúlia, vinhos de conversa viva à roda da mesa, vinhos mediterrânicos no sentido mais nobre da palavra. Ao revés do espírito corrente alentejano, dos tais estereótipos a que poucos conseguem fugir, os vinhos do Monte da Penha melhoram com a idade, com o tirocínio em garrafa, com o ensinamento do tempo. E essa condição é simultaneamente estimulante e gratificante. Apesar de a segmentação não ser fácil de entender, entre Montefino, Monte da Penha Reserva Fino e Monte da Penha Reserva, percebe-se um fio condutor, um desígnio comum, sumamente representado no belíssimo Monte da Penha Gerações, um vinho de carácter, alegria, tensão, frescura e dimensão. Para comentar este artigo ou sugerir temas para futuros artigos contacte o autor por falcao@ruifalcao.com ![]() ![]() ![]() 31/01/12, 10:15 Le Chef: SalmãoO Chef Clayton Alves de Lima, dos restaurantes Arigato sushihouse e sushiarena sugere Tataki de salmão.03/01/12, 11:12 Le Chef: Porco PretoCom uma presença muito vincada na nossa alimentação, o porco é consumido de norte a sul de Portugal.15/12/11, 10:17 A trufa do RitzTodos os anos, sempre que chega o Outono, o coração dos cozinheiros começa a bater mais forte e descontroladamente.14/12/11, 11:49 Le Chef: SésamoO sésamo é uma planta originária do Oriente. 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