Crítica do OJE: Quinta da Alorna Gourmet 24/03/10, 10:16Por Rui Falcão Será possível viver em Portugal sem alguma vez ter provado ou sequer ouvido falar dos vinhos da Alorna? Será possível discursar sobre os vinhos do Ribatejo sem incluir a Quinta da Alorna no eterno rol dos eleitos? A resposta, mais que evidente, é um decisivo e retumbante "não!". Para todos os efeitos, a Quinta da Alorna representa o ideal tradicional do vinho português, vinho fácil e macio, ajuizado e com carácter, justo e consistente. Mas, apesar do tradicionalismo, não será irónico que um nome tão português como a Alorna tenha afinal uma procedência indiana? Que Alorna seja afinal o nome de uma praça-forte na Índia, conquistada por D. Pedro de Almeida, Vice-Rei da Índia, a quem D. João V agraciou com o título de Marquês da Alorna? Independentemente da origem, lusitana ou indiana, o certo é que a Alorna desde cedo se distinguiu pelos seus vinhos, pela qualidade e consistência, pela dimensão, pelo prestígio de um nome. E, porque não dizê-lo, tal como todas as grandes famílias, também já teve os seus momentos menos felizes, intercalando períodos mais felizes e de expansão... com momentos de algum apuro e recessão. Foi precisamente num desses momentos mais delicados, há coisa de uma década, que Nuno Cancela de Abreu, um dos nomes maiores da enologia portuguesa, foi chamado à pedra. A conjuntura era séria. A sociedade perdia dinheiro, a agricultura era deficiente e deficitária, a solvência delicada... e os vinhos estavam sem público nem reconhecimento. Para grandes males, grandes remédios e quando as doenças são realmente graves a solução passa pela escolha do melhor terapeuta possível. Com estes dados, os accionistas da Quinta da Alorna rapidamente chegaram a Nuno Cancela de Abreu. Discreto e pouco mediático, Nuno Cancela de Abreu continua a ser uma das referências de excelência do Portugal vinícola, um homem com estudos publicados, com investigação produzida, com resultados palpáveis, um enólogo com trabalho feito e reconhecido. Mas também um homem ponderado e racional, pragmático e com os pés bem assentes na terra, um enólogo que não vive num mundo de fantasias e devaneios, que sabe gerir com acuidade homens e recursos. Não foi difícil convencer Nuno Cancela de Abreu. A Quinta da Alorna é um desafio mais que suficiente para conseguir motivar um enólogo com as capacidades de Nuno Cancela de Abreu. São cerca de 2.800 hectares de área, mesmo ao lado de Almeirim, num núcleo quase autónomo que funciona como uma quinta isolada, como uma comunidade independente. Faz-se de tudo na Alorna e a agricultura é uma actividade de sucesso, uma agricultura profissional e rentável, sem necessidade dos eternos subsídios à lavoura, sem ajudas financeiras da União Europeia. Uma agricultura avançada e de tanta precisão que até os modernos tractores têm sistema de GPS incorporado, ar condicionado e condução de sementeira assistido por satélite! Mais do que um luxo, trata-se de uma necessidade da agricultura de precisão que se pratica na Quinta da Alorna. Nuno Cancela de Abreu é o director geral, responsável por todos os sectores de exploração, vinhos incluídos. Claro que hoje já não comanda as operações do dia a dia na adega, tarefa que está entregue a Marta Simões, responsável directa pela enologia da Quinta da Alorna. Responsável também pelos 200 hectares de vinha, uma mancha verde colossal, um oceano de vinha na charneca, em terras áridas, em solos pobres, em sofrimento como se quer na vinha. A vinha conta com uma idade aproximada de 20 anos, em sistema de produção integrada. A escolha de castas é a da época, infelizmente nem sempre as mais indicadas, nem sempre as mais desejadas para a viticultura moderna. Para além do Arinto e Chardonnay subsistem a Fernão Pires e a Trincadeira das Pratas nas castas brancas, enquanto nos tintos, para além da Touriga Nacional, Tinta Roriz, Syrah, Cabernet Sauvignon e Alicante Bouschet, resistem a Trincadeira, Tinta Miúda e Castelão. A adega é descomunal, enorme, imprópria para cardíacos, desenhada para o granel, para os grandes volumes, para uma quadra que já passou. Hoje, só uma pequena parte é aproveitada e dificilmente poderíamos dizer que é o último grito de tecnologia. Mas é a adega que há e a verdade é que dela saem autênticos milagres. Milagres na relação qualidade/preço, a imagem mais destacada da Quinta da Alorna, milagres no volume e no crescimento sustentado. De poucos milhares de garrafas em 2002, quando Nuno Cancela de Abreu ingressou na Alorna, passaram no ano passado para quase dois milhões de garrafas! Espantoso não é? Sim, mas este ano estimam engarrafar, e vender 2.500.000 garrafas! Se isto não é enologia de sucesso, então seguramente não saberemos o que este chavão encerra... É assim a Alorna, uma empresa de sucesso, em crescimento sustentado, uma referência absoluta nos bons vinhos, vendidos a preços justos. O eldorado de quem gosta de vinho! Para comentar este artigo ou sugerir temas para futuros artigos contacte o autor por falcao@ruifalcao.com ![]() ![]() ![]() 24/04/12, 11:22 Chefs e Make-a-Wish unidos para ajudarA Fundação Make-A-Wish convidou alguns dos chefs mais reconhecidos do país para prepararem pratos especiais que vão permitir aos portugueses contribuírem, até18/04/12, 11:38 Restaurante Arquivo – Porto: Privacidade e bom gostoA porta fechada guarda o rigor da cozinha clássica, numa casa que data de oitocentos. Mas não se espere uma atmosfera dessa época. 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