Crítica restaurante: Fortaleza dos sabores Gourmet ![]() Por Vicente Themudo de Castro Alguém me disse que não se deve voltar aos sítios onde já se foi feliz, pois o risco de desilusão é grande. No meu caso, penso precisamente o oposto: evito os locais onde fui infeliz e retorno sempre à casa que mais felicidade me deu. Neste caso, e só nas últimas semanas, fui lá quatro vezes, e não me arrependi de nenhuma visita. Falo de uma das mais sólidas cozinhas de Portugal: a Fortaleza do Guincho. Falar do chefe é difícil, pois, seja o consultor Antoine Westermann (3 estrelas Michelin), ou o executivo Vincent Fargés (uma estrela Michelin), ambos têm tantos galardões e menções pela sua técnica e criatividade que dispensam qualquer apresentação. Entrando na sala de jantar, durante o dia, apaixonamo-nos pela vista sobre o oceano e a praia do guincho; à noite, as luzes artificiais iluminam uma sala romântica e com muita epopeia a revelar. No meu imaginário ouço as pancadas de Molière, sobem-se os panos, baixam-se os olhos e apresenta-se a ementa: Os sabores do Outono. Iniciei-me nesta graciosa tarefa degustando o Boudin Blanc de aves trufado, feijão verde e "pieds bleus". A pequena salsicha branca ligeiramente trufada estava magnífica, suavemente aromatizada pelas trufas, o feijão verde ligeiramente al dente, e os pieds bleus soberbamente preparados sobre o seu suco, foram o golpe de misericórdia. O espumante Rebouça Alvarinho reserva bruto de 2006 casou perfeitamente com este prato. Seguiu-se o melhor da noite, simples mas objectivo - Peito de faisão assado, creme aveludado de castanhas - senti, literalmente, o Outono na boca. O aveludado é suave, ligeiro e sabe verdadeiramente a castanhas, e o faisão pairava por lá como anjos pelo céu. A moleja salteada com um refogado de cepes com presunto pata negra e foie gras de pato estava novamente num alto patamar de gastronomia. Tudo funcionava: a torre que tinha por base pão torrado, a moleja, o foie, e no topo da torre o cepe. Uma combinação de texturas acompanhada de uma pequena "brunoise" de legumes. O palato rematava-se com um óleo de avelã, que lhe dava um ligeiro adocicado de frutos secos. Passamos agora ao Quinta de Pinto viogner e arinto 2006, que foi um bom parceiro dos pratos que se seguiram. Não é para todos, mas todos os que gostam iriam ficar de boca de lado com a iguaria que se seguiu: Fricassé de coxas de rã e girolles em lasanha e creme de cerefólio. Não vou falar deste clássico pela combinação de sabores, pois os franceses não falham este tipo de pratos, mas o pormenor de desossar o pequeno anfíbio e deixar apenas um osso para se poder pegar com a mão e comer tudo num único remate - simplesmente delicioso. Foram precisas duas experiências para me render ao "turbot"- o filete de pregado de linha salteado com trompettes e chanterelles ligeiramente trufados, e perceber que a qualidade dos produtos faz toda a diferença. É importante referir que, nesta casa, há uma preocupação em fazer chegar, semanalmente ou diariamente (depende do caso), os melhores produtos. Independentemente da zona do globo, nada é impossível, o melhor é que é imprescindível. Terminei o desfile dos quentes com aquele que menos me entusiasmou, pois estava perfeitamente clássico e não me trouxe tanta novidade - era o peito de pato selvagem, guisado de couve roxa com especiarias, "pieds de mouton" e marmelo confitado. Nada a acrescentar, estava bom e não deixaria ninguém desiludido. De salientar o casamento perfeito com o novo tinto da família Roquette (Quinta do Crasto) - Roquette e Cazes 2006. As sobremesas foram uma concha de merengue "Mont Blanc" com gelado de baunilha Bourbon, e um prato de frutos de Outono salteados com mel de Trás-os-Montes, strudel caramelizado e gelado de canela de Ceilão. Ambos foram acompanhados pelo Quinta da Bacalhoa moscatel roxo 1999. É fantástico como estes chefes franceses se renderam aos produtos portugueses e "blendaram" com a cozinha francesa, é uma honra e um privilégio tê-los por cá e ao mais alto nível. Westermann e Fargé são uma dupla imbatível e a Fortaleza do Guincho é provavelmente o melhor restaurante de cozinha francesa em Portugal! Allez-y ! ![]() ![]() ![]() 24/04/12, 11:22 Chefs e Make-a-Wish unidos para ajudarA Fundação Make-A-Wish convidou alguns dos chefs mais reconhecidos do país para prepararem pratos especiais que vão permitir aos portugueses contribuírem, até18/04/12, 11:38 Restaurante Arquivo – Porto: Privacidade e bom gostoA porta fechada guarda o rigor da cozinha clássica, numa casa que data de oitocentos. Mas não se espere uma atmosfera dessa época. Em plena Praça da República,11/04/12, 11:13 Le Chef: Pêra RochaA pêra rocha é uma variedade originária de Sintra, a sua produção é uma DOP - Denominação de Origem Protegida, sita na zona Oeste.04/04/12, 01:03 Le Chef: A Caça aos ovos da PáscoaMoscatel é o nome dado a um grupo de variedades de uva bastante adocicada. |