Crítica restaurante: O nosso Clube Gourmet 10/11/10, 11:22Por Vicente Themudo de Castro A Lapa sempre foi um dos bairros de Lisboa que mais surpresas me deu nos últimos anos, não só porque muita da minha família por aqui vive, mas também porque algumas das melhores refeições foram tomadas neste bairro. Curioso é o facto de quase todas essas refeições terem sido na rua das Trinas ou nas ruas paralelas ou perpendiculares. Desta vez, subi a rua até quase ao fim e, no lado esquerdo, no 129, fui encontrar o Clube dos Jornalistas. A sala não é uma nem duas, são várias e todas diferentes, umas com azulejos, outras com móveis antigos, espelhos e pianos, e outras com de tudo um pouco, mas todas diferentes e apaixonantes. A sensação é a de que não estou num restaurante, mas sim em casa de um amigo. Estamos na hora do almoço e até nem está mau tempo. Por isso, vou para a esplanada. Assim, desço o pequeno lanço de escadas de pedra que separam as salas da esplanada e rapidamente alcanço a minha mesa. Nada de espampanante: arranjos simples, toalhas na mesa, guardanapos de pano e um serviço de copos eficiente são o que basta para uma boa refeição. A carta divide-se em sete entradas, entre os €7 e os €12, duas sopas de €5, seis peixes dos €15 aos €25, alguns pratos para vegetarianos, seis pratos de carne de €14 a €19 e seis sobremesas €5,50 aos €6,50. Contas feitas, entrada, prato principal e sobremesa rondam os €25 - estou a gostar dos preços. Inicio-me com um amouse bouche: mexilhões com mousse de ostras e salicornias, estes primeiros abertos numa espécie de técnica de escalfar com água do mar, o que dava um sabor intenso e agradável a mar. Depois chegaram as vieiras em cama de açafrão e alho francês, uma combinação bem executada, onde a vieira é chapeada em manteiga de cacau para ficar no ponto perfeito. Não há tempo a perder e passo para o robalo com arrozinho e amêijoas, o peixe muito bem confeccionado fazia--se acompanhar de um carolino preparado à moda do risoto, mas num formato muito mais nacional - um verdadeiro acepipe. Perdizes e castanhas sobre uma tosta, floreada com salsa - tenho de confessar que eu rendo-me a uma boa perdiz e, neste caso, as castanhas acentuavam o sabor da ave, conferindo-lhe um adocicado ligeiro e muito agradável. Ainda houve espaço para um rabo de boi com um puré de batata com trufa acompanhado de boletos frescos. Não foi o meu preferido, mas confiro-lhe o mérito de estar muito bem confeccionado. Infelizmente, risotos e rabo de boi estão na moda e proliferam por todas as casas. A sobremesa de gelado de caramelo com manteiga da Bretanha e flor de sal (affogato) é provavelmente uma das mais simples e mais saborosas sobremesas que provei na minha vida. O crocante do caramelo em camadas, separado pelo cremoso gelado e o fresco paladar da manteiga enchiam a boca, a este juntava-se o café que lhe dava a acidez e o amargo, tornando a sobremesa perfeita. A carta dos vinhos é bastante boa, havendo opções para espumantes, champagnes, brancos, tintos e roses, bem como portos, madeiras e moscatéis - a copo e a garrafa, nada foi deixado ao acaso. Termino congratulando o chefe André Magalhães e o seu sócio Pedro Vasconcelos por tão nobre projecto. Sendo ou não sendo jornalista, com certeza que vou pedir a minha ficha de admissão ao clube!
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