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Montepio
Crítica restaurante: O novo Paradigma de Cascais
Gourmet
01/06/11, 10:16
Por Vicente Themudo de Castro

Não é minha política visitar os restaurantes logo na sua abertura pois, normalmente, ainda estão em fase de ajustes, não só a nível gastronómico como também em relação ao serviço.

Mas, na realidade, uma vez que estão abertas as portas, qualquer restaurante está sujeito a críticas e opiniões.  Na passada segunda-feira, quando subia a D. Carlos I em direcção à Cidadela de Cascais ainda inebriado pela fantástica vista da baía, deparei-me com algumas pessoas sentadas à mesa nas varandas do primeiro piso do número 48 e pensei, "Porque não aclamar esta vista por um pouco mais de tempo?". Este é um daqueles espaços que tem tudo para funcionar, não só pela vista como pela sua localização privilegiada e pelo vasto número de passantes que diariamente vagueiam ofuscados pela beleza desta Riviera lusa. O seu interior é parcialmente denunciado pelas longas janelas envidraçadas (normalmente abertas) que revelam uma decoração despretensiosa, moderna e um bar bonito e chamativo. As cores escuras e a decoração formam uma simbiose entre o clássico e o moderno calmo, criando um ambiente urbano cool, suficiente moderno para a camada jovem e sobriamente clássico para os menos jovens. Ao subir para o primeiro piso, apressado para garantir a mesa que namorei da rua, deparo-me com um belíssimo candeeiro preto sobre o bar que, creio, vai ser referência forte para futuros artigos sobre o espaço. Já sentado, analiso a lista: para quem abriu no mês passado, não está nada mau: uma dúzia de entradas, cinco peixes, nove carnes e sete sobremesas. Já no que respeita a vinhos, a escolha é mais pobre e um pouco confusa, precisando de um pouco mais de cuidado. Além da possibilidade à la carte, há ainda um menu do dia ao almoço composto por um prato (carne, peixe ou salada), uma bebida, uma sobremesa em shot e um café por apenas €9,50. No meu caso, e depois de um couvert com várias manteigas, optei pelo creme de espargos, bastante cremoso, com alguns pedaços de presunto para salgar. Era boa, mas penso que faltava o efeito explosivo. Talvez pudessem desidratar o presunto, dando um efeito crocante e salgado mais acentuado. Como era segunda, dispensei o peixe e saltei logo para a carne: vazia charolesa com oito cepes flamejados, seguido do rosbife à inglesa com oito pimentas - em ambos os casos, a carne era de bastante qualidade e as guarnições muito idênticas com batata "a murro". No primeiro caso, a carne vinha ligeiramente acima do ponto. Terminou-se com a trouxa de arroz doce com gelado de canela e mel: aqui, o arroz vinha também ele ligeiramente acima do ponto de cozedura - nada de grave -, mas a parelha com o gelado tornava a sobremesa muito interessante, leve, fresca e nada enjoativa. Alguns apontamentos técnicos a corrigir na confecção, mas o serviço foi sempre atencioso e correcto, o que demonstra uma gerência com algum know-how. Depois do jantar, e como já era habitual no anterior espaço (Foral da Vila), a noite prolonga-se ao som de new jazz e aos diferentes sabores dos cocktails coloridos até às duas da manhã, não sendo obrigatório acabar a refeição e seguir directo para casa ou mudar de local para um pouco de animação. Resta-me agora esperar que o "Paradigma" seja sempre a subir e que Cascais ganhe um pouco mais de vida com este espaço.

 

Detalhes
Restaurante Paradigma
Avenida D. Carlos I, 48
2750-310 Cascais
09° 25' 13" W, 38° 41' 46" N
+351 214 822 265
www.restauranteparadigma.com
Horário: Encerra ao domingo, Aberto das 12h30 às 15h00 e das 08h00 às 02h00 (cozinha fecha às 11h00)
Preço médio: €25 (sem vinhos)
Tipo de Cozinha: Contemporânea
Cartões: Todos
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