Crítica restaurante: O regresso à infância Gourmet 27/10/10, 10:09Por Vicente Themudo de Castro Sou ribatejano de coração e sempre que posso volto aos lugares que tanta influência tiveram não só no meu paladar, como também na vontade de trabalhar em redor da gastronomia e vinhos. Uma das memórias mais presentes que tenho são as difíceis e apertadas curvas que separam a cidade de Tomar da pequena vila de Cem Soldos. Pois, durante este percurso, ouvia sempre o meu pai a dizer: "Este é o restaurante preferido do tio António." E quando para lá ia com o meu tio António a conversa era proferida na primeira pessoa. Fui lá diversas vezes na minha infância e continuei a ir pela vida adulta, certo de que a ementa não muda, mas a qualidade mantém-se inalterável. Vou terminar com o suspense e revelar o nome do espaço: Restaurante Chico Elias. Foi há mais de 70 anos que abriu, ainda como um pequeno tasco, e rapidamente se tornou popular, mas foi com a introdução das receitas originais (muito diferentes para a época), da ainda cozinheira Maria do Céu, que a casa ganhou fama e reconhecimento. Esta casa tem muitas particularidades e, garantidamente, não é para aqueles que têm decisões vinte minutos antes de passar as portas do restaurante. Aqui a regra é marcar e, por vezes, com vários dias de antecedência, pois a grande maioria dos pratos precisa de 24 horas para marinar e, em alguns casos, dois a três dias. O danado de bom é um dos mais populares e obriga a algumas imposições, marcação de pelo menos seis pessoas 48 horas antes da aparição. A combinação de frango, coelho e lombo precisa de marinar durante dois dias em vinho tinto e ervas. O resultado é fantástico, suculento onde os aromas e texturas combinam de forma rude, mas agradável. No Chico Elias não podemos esperar grandes apresentações, técnicas ou um serviço de 5 estrelas, somente a garantia de produtos bons e apetecíveis. O coelho na abóbora é um ex-líbris, os aromas aqui enchem uma sala e garanto que trocava qualquer ambientador por um aroma destes a todo o dia e toda a hora. Neste prato, só aponto um defeito, que é garantidamente recente, a inclusão de cogumelos de cultura, aqui o progresso manchou o passado, mas o prato continua bom. A ementa ainda tem algumas sopas e entradas, feijoadas, pratos de carne e peixe e um conjunto pálido de sobremesas - aqui garantidamente merecia mais. A carta de vinhos é fraca, não havendo grande opções - uma, talvez duas. O ideal é trazer de casa uma das suas melhores pomadas, porque no Chico Elias ninguém se chateia se o fizer. Os preços dos pratos/dose são 14€, tirando algumas excepções como o Cabrito (€17), Lampreia seja fricassé, bordalesa ou arroz (€25 ) e o Coelho (€15). Nas especialidades ainda pode encontrar: Cachola, couves à D. Prior, pato com migas, bacalhau com broa e presunto, bacalhau com carne de porco, enguias de fricassé. Termino com um apelo: melhorem as entradas que são abaixo do banal e voltem a servir os cogumelos selvagens. Quanto ao Chico Elias, é uma casa onde se come bem, serve-se bem e a bons preços e, acima de tudo, é um local onde gostamos de estar a comer. ![]() ![]() ![]() 24/04/12, 11:22 Chefs e Make-a-Wish unidos para ajudarA Fundação Make-A-Wish convidou alguns dos chefs mais reconhecidos do país para prepararem pratos especiais que vão permitir aos portugueses contribuírem, até18/04/12, 11:38 Restaurante Arquivo – Porto: Privacidade e bom gostoA porta fechada guarda o rigor da cozinha clássica, numa casa que data de oitocentos. Mas não se espere uma atmosfera dessa época. Em plena Praça da República,11/04/12, 11:13 Le Chef: Pêra RochaA pêra rocha é uma variedade originária de Sintra, a sua produção é uma DOP - Denominação de Origem Protegida, sita na zona Oeste.04/04/12, 01:03 Le Chef: A Caça aos ovos da PáscoaMoscatel é o nome dado a um grupo de variedades de uva bastante adocicada. |