Confesso que sou um pouco avesso a restaurantes enfarta brutos, porque normalmente com esse estereótipo tem uma cozinha de massas, salas gigantescas e um ambiente muito pouco intimista.
Mas, depois de várias recomendações, cedi, e quando fazia a estrada de Penafiel para Entre Rios, decidi fazer um pequeno desvio para visitar a pequena povoação de Irivo. Pouco depois de entrar no aldeamento deparo com várias figuras de anfíbios verde e branco. Cheguei ao restaurante! O Sapo é uma casa tipicamente familiar onde as receitas e conhecimentos foram passando de geração em geração, sem nunca cederem a novas tecnologias ou apresentações fascinantes. Aqui sai do tacho, vai para o barro, seguindo mais dois destinos: a mesa e a boca. Divido por três salas adjacentes, todas elas sem grades atributos decorativos, canalizam a atenção para a confecção. A ementa é bastante variada, mas assenta essencialmente nas carnes, e além do escrito da carta, há diariamente sugestões. Não me aventurei muito e deixei-me levar pelos pratos da casa. Ainda nem tinha pedido nada quando chegou uma tábua de queijos e enchidos e, como sou fraco, nem hesitei em atirar-me aos petiscos. Um queijo amanteigado, uma paiola e um presunto, juntamente com o pão da região fizeram as honras da casa e passaram com distinção. Os bolinhos de bacalhau e as pataniscas surpreenderam-me bastante: esperava ver uma massa empapada em óleos, mole, sem interesse, mas foi totalmente o oposto. Crocantes, saborosos e principalmente secos de gorduras vegetais. Avancei para a orelheira e uma saborosa salada de cebola (ou cebolo como é chamado pelos produtores da região) e pimento, que terminavam o rol das entradas(€6). Produtos de qualidade, com uma confecção segura, garantiram a minha satisfação na experiência. Antes das tripas(€10), prato que seguramente dava para três pessoas que se alimentem bem, provei uma espécie de açorda à moda da casa, pão frito em azeite com ovos estrelado (1€ por ovo), estranhei um pouco, pois não era humedecida num caldo e sabia um pouco a fritos em demasia. Terminei os salgados com o anho à moda da casa (€12). Assado no forno, juntamente com as batatas e um pouco de grelos, estava verdadeiramente fantástico, a carne desfazia-se e separava-se do osso sem qualquer esforço, as batatas novas de casca amarela estavam crocantes no exterior e tenras no seu interior, em suma, um prato muito bem executado. Fui para os doces e o primeiro foi o pão-de-ló de ovos (€5), tipo Ovar, feito como manda a regra, sem nada a apontar. As cavacas com moscatel (€5), doces e húmidas, também ganharam o meu voto e o bolo de gila (€5) estava bom, embora um pouco seco para o meu gosto. Neste restaurante nada que saia da cozinha é negativo, mas como já referi no início, as doses são de partilha e para dar uma volta a carta, guarneça-se de três ou quatro amigos, para o ajudar. Comida regional bem confeccionada, vinhos da casa a preceito (€10 a garrafa), fazem-me terminar elogiando a casa com a música da Maria Armanda: "Eu vi um sapo com um guardanapo e estava a papar um bom jantar."
DetalhesO Sapo Lugar da Estrada, Penafiel 4560 - 173 Irivo W 8º 19' 23'' N 41º 10' 27'' +351 255 752 326 Horário: Encerra às Segundas e feriados Preço médio: €15 em partilha e sem bebidas Tipo de Cozinha: Tradicional Portuguesa Cartões: Todos
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A porta fechada guarda o rigor da cozinha clássica, numa casa que data de oitocentos. Mas não se espere uma atmosfera dessa época. Em plena Praça da República,